<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605</id><updated>2012-02-16T19:49:26.046Z</updated><title type='text'>CONVERSANDO</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>120</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-1038237307878212105</id><published>2011-12-29T09:42:00.003Z</published><updated>2011-12-29T09:46:58.431Z</updated><title type='text'>Memória original</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu conheci-te há 10 anos, na calle St. Gervasi (abertura). Era Dezembro e estava frio e eu ainda não tinha comido nenhum sonho, porque eu vivia num sítio onde não é tradição comê-los, nem mesmo no natal. Eu tinha de imaginar os sonhos, o que pode até parecer um pleonasmo, mas na verdade não é. Eu pensei em guardar-te no silêncio, mas tive medo que morresses ou que pelo contrário permanecesses demasiado vivo, sabemos ambos que os extremos se tocam. Compreendemos isto quando vamos a uma biblioteca, que está cheia de um silêncio pesado. É curioso imaginar que as bibliotecas estão cheias de palavras silenciadas através da escrita. Cá em casa eu também tenho um armário branco cheio de silêncio, onde normalmente guardo as coisas que são tão importantes que, ou são muito vivas, ou morrem de vez. Então eu pensei que podia escrever-te em vez de te falar, guardando-te antes num outro armário, o das palavras escritas. Quando eu te conheci ainda não tinha descoberto que gostava tanto de escrever, e por isso eu falava muito e de uma forma intempestiva, como um furacão&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;-BlablablablablaVouadiaratuapele10anosblablablablablablabla&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;sendo que neste texto as falas que te dei vêm marcadas a itálico. Eu acho que escrevo na esperança de chegar à memória original, sem notar que mesmo essa é uma traição à verdade. E o encadeamento das ideias vai ser assim até ao final, pelo menos essa era a minha ideia inicial/&lt;strike&gt;original&lt;/strike&gt;. Eu tenho muitos medos, e um deles é que morras em mim e outros são, por exemplo, de me esquecer das chaves dentro de casa ou de ficar sem palavras ou de trair-me. E eu fico entre a espada e a parede, porque pela lógica as palavras não podem ser simultaneamente a minha verdade e a minha traição, e eu gostava sinceramente de chegar a uma solução para tal problema no final de Dezembro ou mesmo no final deste texto. Quando eu te reconheci, lembro-me de achar que tu tinhas já mais rugas e estava muito calor porque era Junho. E cá, por essa altura, também não se comem sonhos, comem-se melões que se vendem na beira da estrada, o que me faz constatar que isto de conciliar o tempo com o espaço é um problema físico real (outro aparente pleonasmo), e não apenas imaginação minha. Nessa altura eu já falava bem menos e com espaços entre as palavras, talvez por escrever mais ou então por ter comprado, havia pouco tempo, aquele outro armário, o branco. Resolvi escrever-te um bilhete, e se a memória não me trai&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ainda bem que adiei a tua pele estes 10 anos&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;sendo que neste texto as palavras escritas que te dei vêm também em itálico mas sem travessão. Mas é Dezembro e está frio e cá, no natal, é tradição comer sonhos. Eu pensei guardar-te no silêncio mas tive medo que morresses ou que pelo contrário permanecesses demasiado vivo, ambos sabemos que os extremos se tocam. Compreendemos isto quando vamos a uma biblioteca, que está cheia de um silêncio pesado. É curioso imaginar que os meus armários estão cheios do teu nome silenciado através das palavras escritas. E o encadeamento das ideias neste texto não será já o que imaginei inicialmente/&lt;strike&gt;originalmente&lt;/strike&gt; e também é mentira que nos tenhamos conhecido há tanto tempo na calle St. Gervasi. Mas eu falo cada vez menos e escrever-me terá sido a única forma que arranjei de me perdoar não existires apesar de ter adiado a tua pele&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;estes 10 anos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;já sem itálico e sem travessão. Porque eu tenho muitos medos, e um deles é de morrer em ti e outros são por exemplo de ficar sem silêncio ou de trair-nos com as palavras ou então de me esquecer das chaves dentro de casa &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;anos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;ou mesmo dentro mim (fecho).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-1038237307878212105?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/1038237307878212105/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=1038237307878212105' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/1038237307878212105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/1038237307878212105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2011/12/memoria-original_29.html' title='Memória original'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-317384317081657185</id><published>2011-11-13T16:21:00.004Z</published><updated>2011-11-13T16:49:44.900Z</updated><title type='text'>O tempo das laranjas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quando eu era pequena eu jogava ao sete com uma daquelas bolas saltitonas que se compravam na papelaria ao pé dos meus avós. E tinha também um outro brinquedo, que era uma aranha que se atirava à parede e descia sozinha. Quando eu jogava ao sete eu inventava jogadores, à volta de cinco para que o campeonato não demorasse demasiado tempo. Talvez eu tenha criado esta brincadeira por não ter com quem jogar, estando hoje em dia convencida que tal facto terá contribuído para este outro jogo, mais actual, de por vezes fingir que sou tu. E a minha avó&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não andes descalça&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Descalça o chão segura-me melhor&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;e eu tinha tanta razão. Eu gostava de eliminar o tempo (estamos no futuro, nesta nossa língua quase tudo é possível), o que seria o inverso de dar-lhe um tiro porque seria juntar todos os seus bocadinhos. Para acabarmos de vez com esta coisa de querermos ser grandes quando somos pequenos e vice-versa. E já agora acabava também com a pele, e num ápice as minhas personagens do jogo do sete transformavam-se numa só, assim como eu e tu. Éramos tudo de uma vez a cada instante. Acho que os humanos criaram o tempo e a pele só para passarem a vida à procura&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Olha que o chão está gelado&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Descalça o chão segura-me melhor&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;ou então porque simplesmente não aguentavam tamanha intensidade ou então para que eu pudesse distinguir um beijo teu mesmo à distância ou então. Sem tempo não haveria movimento e por isso também não haveria ondas, o que talvez ainda fosse pior do que confundir-nos os beijos. Quando eu era pequena pedia ao meu pai que me prendesse para que eu, em glorioso esforço, fugisse, sendo provável que nesse momento se tenha instalado alguma confusão entre a fuga e a liberdade. Quando eu era pequena a minha mãe fazia duas tranças no meu cabelo e prendia-as com fitas com um elástico por baixo, para não se soltarem&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Estão bem presas?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Segura-me melhor&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Muitas vezes eu penso (e assim misturo vários tempos) que gostava de ir viver para outro sítio só para me despir/despedir destas palavras, mas depois entendo que a confusão seria a mesma do que quando eu fugia dos braços do meu pai. Hoje eu fui à praia apesar de ser Outono, e este é um tempo mais presente do que o dos parágrafos anteriores ainda que o verbo seja passado, há coisas assim sem explicação. Hoje eu tive tantas saudades dos teus beijos que fui ao mercado comprar laranjas mas não havia porque acho que não é o tempo delas e eu desisti. Porque eu ia perder o dia todo nos mercados à procura de laranjas e dizem que elas à noite matam e então eu fui à praia ver se ainda havia ondas&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Descalça&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;e havia mesmo e isso descansou-me, porque eu também sou humana. E por fim, porque há que honrar os inícios, eu quero falar-te das aranhas. Eu tenho (presente presente) alguma resistência em falar das aranhas que desciam sozinhas, talvez por lembrar-me que já na altura (quando eu era pequena) era grande a ambivalência dos meus sentimentos. Eu passava tardes a atirá-las vezes sem conta até perderem a cola e já não se segurarem. E houve um dia (passado passado) em que eu fiquei tão triste que pus cola nas patas de uma aranha que era azul e atirei-a bem lá para cima para poder vê-la a descer durante um tempo que na altura (quando eu era pequena) me parecia infinito. Mas não resultou e então eu desisti. Porque eu ia perder o dia todo nos mercados à procura dos teus beijos e dizem que eles à noite matam e então eu fui à praia ver se ainda havia ondas &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Descalça o chão segura-me melhor&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;e havia mesmo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-317384317081657185?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/317384317081657185/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=317384317081657185' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/317384317081657185'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/317384317081657185'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2011/11/o-tempo-das-laranjas.html' title='O tempo das laranjas'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-3392940106976915416</id><published>2011-09-12T01:13:00.006+01:00</published><updated>2011-09-12T01:41:45.166+01:00</updated><title type='text'>A mentira do assalto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu tenho uma varanda onde coloco as coisas da minha gata e onde estavam também caixotes cheios de palavras que fui roubando, na esperança romântica de tas poder dar um dia, se possível de chofre (abertura). Cheguei mesmo a arquitectar planos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- aquela palavra tem de ser minha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desenvolvendo mecanismos mirabolantes que me permitissem fixá-las antes de as colocar nos meus cadernos vermelhos de capa dura. Foram anos a roubar palavras e a guardá-las em histórias. Mas justiça foi feita, desta vez não na floresta: roubaram-me tudo. Não me vendo a recomeçar semelhante empreitada, mas aproveitando ainda uma réstia do romantismo que se esqueceram de levar no meio da correria, resolvi então inventar-te. De modo que tudo o que te escrever será pura invenção, uma mentira pegada e sem qualquer tipo de significado. Todas as palavras que aqui utilizar são novas, até os artigos indefinidos, pelo que terás de imaginar que tudo isto é uma ilusão. Que não são 15h30 e que a bandeira não está amarela. Que não há pessoas com raquetes à minha frente e que as raparigas aqui ao lado não jogam às cartas enquanto eu escrevo para alguém que não és tu, cavaleiro que te atrasas. Que não existe um farol no canto superior direito da imagem reflectida pelos meus olhos, e que Agosto não está quase a terminar. Que o mar não está a vazar e não é quase lua nova e os meus dedos não ficaram enrugados de tantos mergulhos. Que não corre uma brisa e que eu não tenho nenhum cão que aparece sempre que me encontro nestes estados emocionais, pressentindo que preciso de o ver correr na praia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Max! Apanha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que o céu não está encoberto e que eu não tenho saudades de uma palavra qualquer que não sei qual é, mas que acho que roubei quando andava com o meu pai a subir uns montes que antes havia em Lisboa, e que eu na altura achava que eram muito maiores do que na realidade seriam. Que nem tudo é relativo, há coisas que são assim e pronto. Que lá em Dois Portos não havia cerejas mas havia muitos medos como há hoje&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E se eu soltasse as mãos e voasse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que não há silêncios, apenas espaços entre as palavras que me roubaram e as novas que ainda não inventei. Que não são já 23h55 e que a bandeira está amarela. Que apesar da memória, nada de essencial se perde&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não esqueço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e já não há pessoas com raquetes à minha frente e as raparigas aqui ao lado jogam às cartas enquanto eu te escrevo e existe um farol no canto superior esquerdo da imagem reflectida pelos teus olhos e o mar hoje estava cheio de ondas e Agosto entretanto já terminou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E que vos disse o mar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que a Ísis não tem saudades do vento nem da tua pele. E que tudo isto de me terem roubado as palavras não passa de uma mentira que eu criei só para te poder inventar (fecho). &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-3392940106976915416?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/3392940106976915416/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=3392940106976915416' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/3392940106976915416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/3392940106976915416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2011/09/mentira-do-assalto.html' title='A mentira do assalto'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-3062177190723518263</id><published>2011-06-14T11:52:00.003+01:00</published><updated>2011-06-14T12:15:35.448+01:00</updated><title type='text'>O gato que tinha memória de elefante</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A Ísis tem o fundo branco e manchas pretas e castanhas e os olhos cor de avelã. A Ísis não é como o Cheshire porque o sorriso dela não fica pendurado, na verdade ela nunca sorri. No início eu desejava muito que ela viesse dormir para a minha cama e que andasse comigo para todo o lado. Acho que nessa altura eu desejava que ela fosse um cão. Entretanto, a par de constatar que nem sempre se enroscava em mim durante a noite, fui começando a apreciar a beleza dos seus movimentos flexíveis, por contraposição à rigidez das articulações dos cães. De manhã, antes de sair para ir trabalhar, guardo cinco minutos para ficar a observá-la, e gosto especialmente de vê-la a lamber-se depois de comer. Por vezes não aguento e faço-lhe festas e tenho de cerrar os dentes para não a apertar, porque os gatos não gostam de ser apertados. A Ísis pede-me muitas vezes que a deixe sair&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Posso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas eu nunca deixei porque tenho medo que ela fuja. A Ísis nasceu na rua e eu imagino que ela tenha decorado a sensação do vento a passar-lhe pela pele cheia de pêlo. O vento a passar por nós é algo que nunca se esquece e é por saber disso que eu oscilo entre permitir-lhe concretizar um desejo e protegê-la. Eu devo ter muito medo de me esquecer e deve ser por isso que tenho tão boa memória. Nunca consegui decorar os reis e as rainhas de Portugal nem as dinastias nem a localização geográfica dos países, mas do vento ou da tua pele a passar por mim eu não me esqueço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Posso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;talvez por estas memórias nascerem no meu corpo sem intermédio das palavras. O corpo da Ísis é bastante pequeno mas apesar disso ela deve ter muitas memórias, porque eu aprendi que numa única célula cabem ilimitadas histórias, mesmo que sejam contraditórias. Eu gosto muito de escrever histórias com diferentes personagens e se vires bem muitas delas têm os reis e as rainhas que eu não consegui decorar. Ou consegui, não tenho outra explicação para tantas personagens reais. Se calhar ficaram inscritas na minha pele, que afinal é o que nos une e também o que nos separa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Posso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a pele. Às vezes eu dou à Ísis palavras além de festas, porque eu sei há algumas que nos ficam gravadas no corpo mesmo quando não as entendemos. Eu tenho a certeza que a Ísis tem saudades do vento e da tua pele a passar por ela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Posso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e que por isso se distrai intencionalmente a caçar melgas. Eu gostava muito de lhe matar as saudades e na falta de vocabulário vou ao dicionário e decoro a primeira palavra que me aparece&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desorelhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e fascina-me constatar que me calha quase sempre uma palavra que eu não conheço. Dizem que os gatos têm fraca memória mas eu julgo que deve ser mentira, porque senão não seriam tão cheios de si. A Ísis tem o fundo branco e manchas pretas e castanhas e a pele dela está cheia de pêlos que caem na primavera, pele pêlos primavera. A Ísis é tão bonita, que se algum dia eu deixar de lhe fazer festas vai ser porque tive medo de não conseguir cerrar os dentes e não a apertar. No início eu desejava muito que ela viesse dormir para a minha cama e que andasse comigo para todo o lado. Acho que nessa altura eu desejava que ela fosse um cão. A Ísis pede-me muitas vezes para sair e apesar de ela ser pequena tenho a certeza que tem muitas histórias contidas num só corpo por onde passou o vento e a tua pele&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Posso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-3062177190723518263?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/3062177190723518263/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=3062177190723518263' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/3062177190723518263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/3062177190723518263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2011/06/o-gato-que-tinha-memoria-de-elefante.html' title='O gato que tinha memória de elefante'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-741283635425484027</id><published>2011-04-10T16:34:00.005+01:00</published><updated>2011-04-10T18:03:54.124+01:00</updated><title type='text'>Modo de lá</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Lá em dois portos os lençóis estavam sempre húmidos e a casa cheirava a roupas metidas em baús. Era tão bom voltar no domingo à noite e sentir-me ainda cheia de terra e de água e de gerúndio e de flores e de relva e de peras. O quarto dos meus avós tinha um cheiro particular e eu cheguei a lá dormir, talvez num dia em que estava muita gente e não havia mais lugares. Lá em dois portos os armários da cozinha estavam pintados de verde. Tu não fazes parte de dois portos, e por isso te tenho de explicar que o melhor de tudo era a mesa de pingue pongue. Ainda se ouvem as bolas a bater e eu fazia razias sem querer ou talvez sem pensar, o que é algo totalmente diferente. E o meu pai dizia &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não entendo como é que fazes jogadas tão boas. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lá em dois portos, nos dias de festa, comíamos muitas vezes cá fora e vinham outras pessoas, inclusivamente uma tia que bebia bagaço e tinha quase 100 anos. Tu não vinhas, estarias provavelmente no Algarve &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Onde tinha uma casa mesmo em frente ao mar&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;e onde terás aprendido a surfar? Lá em dois portos as coisas não eram, por vezes, tão boas como poderão parecer neste texto. Porque estava frio e muito húmido e eu sofro bastante com o frio e com a humidade e por essa razão só posso gostar disso muito tempo depois, quando já está calor. E é talvez por isso que eu tento escrever em modo de lá, que não é maior nem menor. E há ainda a acrescentar que lá passava longas horas a estudar química e a fazer exercícios ou a apanhar peras com culpa de não estar a estudar, sem nunca imaginar que anos mais tarde iria passar outras tantas e longas horas a dissociar o prazer de apanhar peras do sentimento de culpa. Lá o chão era feito de pedras relativamente grandes e de várias cores. No verão, quando estava sol, esse chão ficava quente e eu sentava-me com a pele directamente nas pedras, e esta será uma bela recordação, não apenas na forma mas também no conteúdo, porque eu não sofro nada com o calor. Lá em dois portos eu tinha já tantas saudades de ti como agora tenho de dois portos. E jogava ao sete &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- isso era em Lisboa, em casa da avó &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;e isso são pormenores que podem ser importantes porque por vezes a essência está contida nos detalhes. Eu julgo que me terei sentido muito só, lá. Porque a casa era muito grande e havia muitos quartos, cada um mais húmido do que o outro. E havia um baloiço de ferro que foi o meu avô que fez, sendo difícil para mim imaginar o meu avô a trabalhar o ferro. E o João empurrava o baloiço mesmo muito alto antes de nos irmos embora, enquanto estavam a preparar o carro, normalmente já ao cair da tarde, e eu lembro-me de ser tão alto que imaginava &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- e se eu soltasse as mãos e voasse? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eram os outros que preparavam o carro porque eu era criança, ainda não tinha de ajudar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- e se eu soltasse as mãos e voasse? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Juro que me lembro de o pensar, não inventei agora para ti. Ou talvez tenha inventado para to dizer, mas já terá sido há muitos anos, porque eu devia ter uns oito anos para ainda caber no baloiço. Lá em dois portos eu ia com o meu avô ao pão e adorava aquele cheiro da massa mas perguntava-me como podia a padeira viver naquele sítio, porque o meu avô disse-me que ela vivia lá si dó ré mi fá sol lá. Chegou a haver morangos em dois portos mas deixou de haver, acho que foi porque o clima não seria o adequado para esse tipo de frutos. Imagino que o meu avô fosse alguém que gostasse de fazer experiências, mesmo que depois constatasse que o clima não era o adequado. Mas havia videiras e todos os Setembros apanhávamos as uvas com umas tesouras próprias, que têm um elástico que prende os dois lados. E no fim ia de galochas ou descalça para dentro do lagar pisar as uvas. Lá em dois portos não havia cerejas nem os teus beijos mas havia muitos medos como há hoje &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- e se eu soltasse as mãos e voasse? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tu não conheces o meu baloiço amarelo torrado que estava preso a um outro ferro vermelho, nem poderás conhecer, ainda que eu to descreva com todo o pormenor. E então o João parava o baloiço e alguém ia abrir o portão para saírem os carros. E no dia seguinte tinha teste de química mas talvez te viesse a conhecer durante a semana, pensava. E se isso acontecesse, teria de ter uma prenda para te dar, em troca de um beijo ou mesmo de uma história &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- lês-me uma história? &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pelo sim pelo não, era melhor fixar todos os pormenores. Talvez o essencial ficasse preso no baloiço ou nas pedras ou no frio ou nos morangos ou na humidade ou nas peras ou nas galochas ou no cheiro do pão ou mesmo nas cerejas, apesar desse fruto nunca ter existido lá em dois portos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-741283635425484027?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/741283635425484027/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=741283635425484027' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/741283635425484027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/741283635425484027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2011/04/modo-de-la.html' title='Modo de lá'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-4091380672187464558</id><published>2011-01-07T13:13:00.003Z</published><updated>2011-01-07T17:27:52.299Z</updated><title type='text'>O azul do Max</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tantas horas nos separam, que achei por bem dar-te o mar. Era de tarde e eu estava já cheia de Janeiro e de rabanadas e de arroz doce. Pensei então&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- levo o cão, o Max&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não tenho nenhum cão, mas sempre que vou até à praia no inverno imagino que sim, e que ele anda comigo sem trela mas nunca foge. Julgo que nunca te disse&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizes agora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas quando te escrevo fico antes muito tempo a olhar fixamente para as horas entre nós&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Max! Apanha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e o coração bate por vezes tão forte, que num impulso agarro no cão e nas tralhas, meto-os na pesada mala azul que anda sempre comigo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que pesada, dás cabo das costas! O que é que levas aí, o teu cão?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desço até à praia (ou subo? Fica a decisão por tua conta, enquanto o tempo ainda nos separa), e embalo-me com o movimento do mar a matar as horas. Sabes porque é que o mar parece azul? Porque essa é a única luz que não é absorvida, e tudo o que não é por nós absorvido reflecte-se no exterior. O Max aparece sempre que me encontro nestes estados emocionais, pressentindo que preciso de o ver correr na praia. Porque os cães são animais extremamente intuitivos, mais ainda quando são imaginários. Julgo que nunca te disse&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizes agora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas de cada vez que olho para o mar a matar o tempo, ou mesmo para o Max a correr na areia, sei que és tu que, num passo de mágica, me devolves essa imagem. O meu olhar é tão concentrado que juro que consigo ver-te do outro lado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do espelho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mesmo existindo o mundo cheio de horas entre nós. Nesse instante (poderá ser às zero horas do dia de amanhã?), apesar de tu estares a fixar uma qualquer outra imagem, como a do senhor da tabacaria ou a da mesa com tampo de vidro em frente ao teu sofá, os nossos olhares cruzam-se e damo-nos o mundo de presente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui Max, estou aqui!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez se resuma a isso a vida, a esta troca instantânea de olhares com o mar como objecto intermediário. Corro a telefonar-te e a agradecer-te, na esperança de encontrar-te ainda do outro lado do espelho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Obrigada colibri! que lindo azul!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- o meu mar é branco - respondes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu sorrio, ao constatar que as horas começaram de novo a crescer entre nós. Então, já cheia do azul do mar que me deste e ainda com pouco tempo de distância de ti (passaram-se entretanto apenas alguns minutos), agarro nas tralhas e no cão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Max, onde estás? Max!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não tenho nenhum cão mas sempre que vou até à praia no inverno imagino que sim, e que ele anda comigo sem trela mas nunca foge. Julgo que nunca te disse&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizes agora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas os cães são animais extremamente intuitivos, mais ainda quando são imaginários. O Max desaparece sempre que me encontro nestes estados emocionais, pressentindo que o movimento das suas patas na areia me desconcentrará do azul e do tempo que aumenta entre nós antes de te escrever. Subo até casa (ou desço? Tens agora todo o tempo do mundo para decidir), e olho fixamente para as horas instantes antes, mesmo mesmo antes de te escrever e de te dar o branco do mar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-4091380672187464558?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/4091380672187464558/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=4091380672187464558' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/4091380672187464558'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/4091380672187464558'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2011/01/o-azul-do-max.html' title='O azul do Max'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-3854725126882522918</id><published>2010-12-11T11:15:00.004Z</published><updated>2010-12-11T12:07:06.117Z</updated><title type='text'>Infinitos nós</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Amor, minha alegria. Este fugaz mas intenso texto tem como principal propósito preencher esta folha de risos nossos. Lembro-me então de apagar-nos a memória, que sabemos que ela é responsável por todos os princípios e por todos os fins. Viver apenas da memória é como cantar a olhar para a partitura, algo de essencial se perde. A história divide-nos, espartilha-nos, estraçalha-nos de novo em pedaços, a nós que somos inteiros no silêncio. Deste modo, ao longo deste texto e no sentido de atingir o objectivo proposto, tento eliminar todas as nossas palavras, roubando-te antes o silêncio branco branco que utilizo para preencher o vazio da folha e onde em seguida posso colocar o nosso riso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não esqueço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alto! Não vos insurjais, não existem personagens neste texto, que o tempo presente, o único aqui utilizado (salvo um ou outro gerúndio, mas que surge com uma função adverbial), não admite semelhantes divisões. Não esta ou aquela ou passado ou futuro ou sonho ou realidade. Quero tudo, que talvez este seja o último texto deste longo ano que começa em Janeiro e termina em Dezembro. Perco-me a ouvir o som da chuva a bater na calçada (ou será ela mesma que ouço, a chuva?), tic tic tic, e constato que compete com a verdade do riso. De modo que te peço que enquanto me lês imagines esta folha também cheia da verdade da chuva ou do seu som a bater na calçada. Hoje levanto-me, meu amor, tomo o pequeno-almoço, e venho trabalhar. Os dias são tão reais, têm princípios e fins como os objectos que nos rodeiam, como o meu piano ou esta folha onde escrevo, ou mesmo como os nossos corpos. Escrevo-te aqui da prisão, onde todos os dias me tentam ajudar a ser livre, uma tarefa possível mas difícil tendo em conta a grossura das paredes em volta, de tal maneira que escorre água de tanta humidade e do sol que por vezes não entra. Estas paredes são tão realmente grossas, que ilusoriamente nos dividem e nos espartilham e nos estraçalham e ainda nos agrilhoam, que o que é demasiado rígido desune, e nos fazem por vezes esquecer aquilo da verdade, amor. Escrevo-te então, que enquanto assim me expresso não existem dúvidas, apenas constatações que não respondem a nenhuma pergunta. Tic tic tic, como a chuva na calçada, ou como o riso com que ao longo desta história espero que enchamos, não a memória, mas o silêncio da mais completa biblioteca. Estas cinco últimas palavras são tuas, nota que é natural que enquanto caminhamos para o silêncio saltem pedaços de memória. E enfim, trata-se de um texto, além de ser um verdadeiro sonho tenho de imprimir-lhe um pouco de realismo, enchendo-o de palavras e de princípios e de fins e de memórias, afinal tantas, provando-me assim que é possível ter a finitude dos corpos e o silêncio infinito. Termino agora este texto, julgando ter-nos já dado palavras suficientes para podermos apagar a história e enchê-la de silêncio, e em seguida então do nosso riso (e talvez do som que eu ouço e que tu ouves da chuva a bater na calçada?). Que afinal é assim que realmente tudo termina, e que verdadeiramente tudo começa. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-3854725126882522918?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/3854725126882522918/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=3854725126882522918' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/3854725126882522918'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/3854725126882522918'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2010/12/infinitos-nos.html' title='Infinitos nós'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-1433314660552673569</id><published>2010-11-16T11:17:00.003Z</published><updated>2010-11-16T11:48:17.109Z</updated><title type='text'>Notícia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Princesa, escondei-vos! Ouço os seus cavalos. Estou seguro que vêm em busca das palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não os temo. Ninguém tem de saber que as roubei, nem que as guardei secretamente nos caixotes verdes que tenho na varanda. Ninguém tem de saber que todas as minhas palavras eram vossas, que durante toda a minha vida não fiz senão plagiar-vos. Agora que sabeis que existo, e até onde moro, receei que désseis conta que era eu que vos roubava durante todo este tempo, e assim justifico o longo mês de silêncio. Perdoai-me, mas foi muito tempo à espera do meu outro amor, tinha de entreter-me a juntar as vossas palavras em novas frases e novos parágrafos. Já a tratar-te por tu, desconstruí-te, desmantelei-te, desfiz-te em sílabas e por vezes mesmo em fonemas. Passei então longo tempo a reenlaçar todos os elementos, tentando a todo o custo fazer uma nova história, ou quem sabe uma nova canção, que é por vezes mais fácil dizer tudo isto a cantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rogo-vos, escondei os vossos passos, fugi para sul, onde sabeis poder encontrar o silêncio do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então, deliciada com os novos sons das novas histórias que entretanto ia criando enquanto te esperava, sorria nua pela casa a despir-me e a vestir-me com as tuas frases que eram já minhas, que tudo o que nos dá trabalho parece-nos nosso por direito adquirido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julgo que apenas lá podereis ter toda a calma que mereceis, princesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero ter calma alguma, confesso a minha ansiedade por chegar ao fim deste texto. E devagar, que apesar de ser ansiosa sou lenta, fui vestindo as minhas várias personagens animadas, imaginando-lhes velhos nomes. Cavaleiros aprumados, meninas blondinas, Peters voadores, ofereci-lhes os vossos substantivos e adjectivos e tantos advérbios de modo, tantos tantos que me perco, meu bem. De tal forma tudo isto é real e não apenas um sonho (juro-vos!) que a determinado momento eu soube que as palavras já não seriam tuas (e nota como para espelhar este processo te plagio descaradamente no início do texto, o que não acontece já neste final).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Princesa, apressai-vos na resolução da história, estamos há demasiado tempo no clímax, dói-me o peito de aflição por vós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E apercebi-me então que elas também não seriam minhas, não poderei devolver-tas, perdoa-me. Que neste processo de dar voz às personagens já não sei mais quem é de quem, e numa apreciação justa direi que sou eu que lhes pertenço, às palavras. São já elas que me desconstroem, me desmantelam, me desfazem em sílabas e por vezes mesmo em fonemas, e eu já sem ar só de o escrever. Cavaleiro, agora que sabeis que existo e que as vossas palavras se encontram nas minhas caixas verdes que estão na varanda, peço-vos, não nos afastais roubando-me delas. Finjamos antes, proponho, que não sabemos que ambos lhes pertencemos, e que não somos nós que nos amamos através das palavras, mas antes elas que vivem através de nós. Shhhhhhh. Ninguém tem de saber. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-1433314660552673569?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/1433314660552673569/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=1433314660552673569' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/1433314660552673569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/1433314660552673569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2010/11/noticia.html' title='Notícia'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-4014411028091930421</id><published>2010-10-07T00:36:00.001+01:00</published><updated>2010-10-07T00:38:55.828+01:00</updated><title type='text'>Só um texto</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/n6kTmWYIAcw?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/n6kTmWYIAcw?fs=1&amp;amp;hl=pt_BR" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E agora tu morrias. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Não! Como podes pensar matar-me? &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Calma, tudo isto é a fingir. É só um texto. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;E há algo mais real do que um texto?! &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Meu bem, vamos ser práticos, escusamos de tentar enganar o leitor. A ideia principal é a de que queremos matar-te a fingir para que possas viver a sério. E partilhando assim as nossas fortes e ousadas intenções, talvez o leitor se sinta compelido a ajudar-nos, que sabemos bem não existir melhor estratégia do que o voto de confiança para que haja uma participação activa. Pedimos assim, caro leitor, a sua máxima atenção, ainda que saiba de antemão, não apenas o final da história, mas também a forma geral da narrativa. Fomos então buscar espadas, punhais, espingardas e todo o tipo de ferramentas usualmente utilizadas para matar alguém. No entanto, para a morte ser a fingir, o processo tem de ser lento, meu bem, e talvez tenha sido por isso que a Tosca se enganou. E assim te explico todo o meu cuidado, desculpa a lentidão, mas prezo a tua existência real. A pressa é inimiga da perfeição, e a arte de fingir é tão difícil. Vê bem, meu velho, para poderes continuar vivo em mim não pode haver enganos, todos os fingimentos têm de ser levados com a maior seriedade. Não quero ver ninguém distraído, está uma vida em jogo. Digo-te, não suportaria constatar que morreste a sério passando a viver a fingir, não suportaria. Quando era criança tive de abater uma cadela e nesse dia, sabes o que fiz? Dei-lhe um salame de chocolate inteiro. Estou convencida de que isto não foi só para que ela tivesse um último momento de intenso prazer, mas também para dar-me tempo de matá-la. Enquanto ela devorava o doce lembro-me de observar as minhas lágrimas a cair e de pensar &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Não me posso esquecer desta imagem &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;sabendo que me iria ser útil para ter a certeza profunda de que continuaria viva. No fundo servirá para isto a memória, para podermos morrer e renascer quantas vezes quisermos, com a segurança de que todas as mortes são a fingir, para que as vidas possam ser a sério. Temos de acautelar-nos, que nas cenas demasiado rápidas as imagens são por vezes tão confusas que a vida se pode confundir com a arte. Seria catastrófico que ao escrever a tua morte morresses de vez, sem me dares tempo de te perdoar teres morrido ou de ter já saudades tuas contigo ainda ao meu lado. Já alguma vez te aconteceu? Teres saudades de alguém que está ali contigo. E tudo isto que te disse ao longo destas linhas fui eu a fazer tempo, tentando encontrar a última imagem. De modo que meu bem, agora tu morrias. Mas antes viravas-te para mim e enquanto eu guardava essa imagem na memória tu dizias-me, baixinho: &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Não te preocupes, nina. É só um texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-4014411028091930421?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/4014411028091930421/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=4014411028091930421' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/4014411028091930421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/4014411028091930421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2010/10/so-um-texto_07.html' title='Só um texto'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-5292074574223901632</id><published>2010-09-21T01:06:00.004+01:00</published><updated>2010-09-21T01:28:54.833+01:00</updated><title type='text'>Justiça na floresta</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Peço-lhe que nos explique o que fazia na floresta nesse dia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Brincava, sr. juiz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Revolta no tribunal)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mentira! Sr. juiz, não acredite numa única palavra! Vimo-la com espadas, espadas a sério, não de brincar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ordem! Tem testemunhas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas as outras personagens. Talvez os duendes apareçam se os chamar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamá-los-ei então. Duendes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(silêncio expectante no tribunal)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpe sr juiz, mas as personagens dela não respondem a ordens, só a pedidos genuínos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como se faz isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terá talvez de começar com uma afirmação interna que reflicta o seu querer e intenção, como esta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- quero que os duendes me ajudem a encontrar a verdade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida terá de colocar esta afirmação sob a forma de pergunta,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- duendes, podereis aparecer junto a este tribunal, como testemunhas da menina, para que se descubra a verdade e não menos que a verdade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E esta é a maneira que a vida encontra de continuar a passar, através das nossas perguntas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Louca! (insurge-se uma das personagens reais deste texto imaginado). Defende-se com ambiguidades poéticas. Exige-se justiça! Queremos factos, descrições neutras, que prove por a mais b que não feriu ninguém com as suas espadas! Que nos diga o que faz com elas nesse mundo encantado. Diz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz! (gritam em uníssono)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alto! Quem lhes deu permissão para interrogarem a ré?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhai para as suas vestes, é Morgana, a rainha! Para que foi ela desencantar uma personagem mitológica? Não bastavam os duendes para confundir o leitor?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Rebuliço no tribunal)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz-nos, rainha, a que mundo pertences? Quem é o teu criador?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ooh, não vos sei responder, foi há séculos que nasci, as versões são muitas e o tempo faz por vezes confundir o criador com a obra. Confesso perante este tribunal que esta espada é minha, emprestei-a à menina. Condenai-me a mim se precisardes de um culpado nesta história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ooooooooooooooooh (novo uníssono. E novo silêncio)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rainha, não vos culpeis, é minha a responsabilidade. Precisava de entregar algo a uma das personagens que terá sido cuidadosamente colocada do outro lado da montanha. Rezei então durante sete longos anos (foi o meu pai que me ensinou a rezar, mas a meu pedido, que eu gostava da ladainha), que é o mesmo que dizer que fui respondendo às perguntas que a floresta me fazia, distraindo-me dessa forma de todas as dificuldades, e mantendo-me a caminhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que queria ela que caminhasses?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, talvez por saber que esse é o único objectivo. E talvez vos ajude a diminuir a ansiedade saber que tudo isto é apenas imaginação minha, caro personagem. Perguntou-me (a floresta!) tantas vezes o meu nome, incrível como se torna difícil responder a algo aparentemente automático quando estamos concentrados noutras tarefas. Experimenta por exemplo dizer o teu nome completo enquanto tocas piano. Atravessei rios e vales e tempestades e nos piores momentos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como te chamas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E com isto cheguei, e entre lágrimas desci do meu cavalo e com a espada rasguei as palavras que afinal eram ruído e disse-lhe (ou gritei?), já com toda a floresta como plateia: Menina! Eu sou a Menina!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-5292074574223901632?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/5292074574223901632/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=5292074574223901632' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/5292074574223901632'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/5292074574223901632'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2010/09/justica-na-floresta.html' title='Justiça na floresta'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-4340957120276629530</id><published>2010-08-23T23:48:00.002+01:00</published><updated>2010-08-24T00:35:34.712+01:00</updated><title type='text'>Referenciais inerciais</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O mês tem sido bom. Levanto-me cedo para ir trabalhar. Pelo caminho, ouço música e ponho o volume no 15, e conduzo bem depressa. Esta é uma das vantagens, quando o mundo parece parar, temos a ilusão de finalmente podermos andar. Nota que até a velocidade é relativa, não sendo possível distinguir dois referenciais inerciais. Silêncio agora, concentração, ouço-os a chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso mandar entrar, Dra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João. Há momentos em que tenho a certeza que andaremos à mesma velocidade, ou que estamos os dois parados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manuel, Dra, o meu nome é Manuel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque não nos distingo, e estou segura de que nem um observador exterior a este sistema o poderia fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Dra. o diz e é verdade, sem desconsiderá-la mas não se distingue mesmo, cá dentro ou lá fora vai dar tudo ao mesmo. Apesar do exterior me assustar ainda, de certa forma estes muros deram-me algo que nunca obtive antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revelo-te aqui, na presença de todos e de ninguém (e esse é o melhor de dois mundos, quando o paradoxo se desfaz), que ontem me passaste os teus dedos pela minha cara, e eu soube que eram teus porque eu tenho um detector das tuas impressões digitais. Ele apita incessantemente nesse momento, imprimindo-me o som em todas as células do meu corpo, reactivando a ligação entre esse estranho neurotransmissor e os seus receptores. Tudo isto na esperança de que não me esqueça de que existes também na matéria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu não me esqueço Dra., não esqueço, há instantes em que a ficha nos cai e parece que toda a nossa vida nos passa diante dos olhos. Aqueles momentos em que sabemos que temos de ser nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu permaneço em silêncio nos segundos subsequentes, antes de começar de novo a interpretar a minha imagem agora reflectida no espelho da casa de banho desta casa deste bairro desta cidade deste país deste planeta deste mundo. Porque apenas no silêncio posso realmente tocar-te, ainda que com as minhas palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era como se não fosse eu, entende Dra? Olhei-me ao espelho e pensei: não sou o mesmo de antes. Talvez seja eu agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retiro então o excesso de água, começando lentamente a acelerar, são 7.45 da manhã e apesar do vazio de Agosto há ainda uma distância a percorrer. 5km/hora até ao quarto, chatice ter de levar calças com este calor. 10km/hora enquanto constato que já quase não tenho café. 15Km/hora, todos os dias a cena da gata a esconder-se no exacto momento em que penso ir fechá-la. 20Km/hora e começo já a sentir saudades, que saudades João&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manuel. Acho que esse silêncio vem de Deus, Dra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;30 Km/hora e desço as escadas a correr e 50Km/hora a velocidade de comer três bolachas e 60Km/hora para rodar a chave e 90Km/hora é um absurdo na cidade assim mesmo sem vírgulas ou qualquer tipo de sinais. E os nossos referenciais são agora não inerciais, olho distraidamente pela janela e consigo já avistar-te lá fora, se não fosse o volume no 15 poderia até dizer-lhes a que velocidade estás. Que dizia, Manuel? Sobre o silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João, Dra. Manuel era o anterior, o meu companheiro de cela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-4340957120276629530?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/4340957120276629530/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=4340957120276629530' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/4340957120276629530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/4340957120276629530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2010/08/referenciais-inerciais.html' title='Referenciais inerciais'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-7776736465040603772</id><published>2010-08-06T01:45:00.004+01:00</published><updated>2010-08-06T02:03:22.688+01:00</updated><title type='text'>De que os meus cabelos eram mesmo tranças imensas a ondular no mar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Tocam os sinos, são 12h. Por favor apressai-vos, não quero atrasar-vos por minha causa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O comboio espera por mim, estamos no reino do sonho. Falta-nos um final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cavaleiro. Talvez o final nos falte por falhar-nos também o princípio, reparai como quase sempre a coda se reporta à exposição inicial, ou mesmo ao título. Desculpai-me, é de dia, e é sempre tão mais difícil encontrar estrutura para os meus textos, o sol teima em iluminar outros assuntos. Mas cavaleiro, tenho trabalhado no assunto, fui uma série de vezes ao mar e perguntei-lhe, com toda a reverência:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu mar, podereis conceder-me (achei que a palavra era mais reverencial do que simplesmente “dar-me”) o princípio da história?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respondeu-vos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mar é como a vida, responde-nos com o movimento das suas ondas. Vem e vai e vem e vai-nos (conseguireis ouvi-lo?) despojando dos acessórios, tira-nos os brincos, as pulseiras, rasga-nos a roupa (toda toda), sendo estes os acessórios exteriores, e arranca-nos sem piedade os pensamentos, e por fim as emoções. Eu fico a boiar com as minhas tranças onduladas que se espalham mar dentro e que nos ligam, a mim e a ele, ao mar. Sabeis os cabelos das deusas gregas? É assim que os imagino, e este é um segredo que vos conto: por vezes recolho-me, ali naquele canto, e permito-me ter longos cabelos ondulados cheios de tranças, e ouço o sino que ressalta na quietude das cigarras. Este tempo faz-me sempre, sempre, lembrar o verão em casa dos meus avós, em que me perdia a ler os livros da patrícia e a jogar ao 7 imaginando quem seria os participantes, uns vencedores outros perdedores, que interessa ganhar ou perder? Interessa viver. Sabia que aquele silêncio ninguém mo iria tirar durante os 3 meses de férias, 2160 horas de um maravilhoso silêncio que me permitia ouvir os passos das pessoas a andar na rua e também o sino dessa terra distante a bater as 12h, cavaleiro, que te atrasas. Mas adiante, que faltam apenas 45 minutos para ir trabalhar, não é só o tempo subjectivo que encurta à medida que crescemos. O mar está cheio de segredos, estão presos nas conchas e nas pedras, e talvez seja por isso que gostamos tanto da natureza. Ela guarda todo o conhecimento sobre todos os homens de todos os tempos. No fundo no fundo talvez seja meu desejo que descubras todos os meus segredos, na esperança de que eles nos unam para sempre, apesar de eu ter aprendido com a minha gata (que curiosamente veio agora deitar-se ao meu colo), que gosto tanto dela sem que no entanto algum dia possa vir a conhecer verdadeiramente o seu mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que vos disse, o mar? O comboio parte sem mim, estamos já na vida real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segredou-me então, através do búzio que coloquei no ouvido enquanto boiava:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- dá um fim, ao texto. O fim dar-te-á o início.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E as ondas a ir e a vir, vchhhhhhhhhhhhh, e as tranças e as pulseiras e…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…e eu entendi então, cavaleiro meu, como isso dos inícios e dos fins nada tem que ver com amor, meros acessórios humanos parecidos com o anel de que te falei há uns textos atrás. E são 12h, mas vendo bem é já 1h e 17 minutos de um novo dia, o meu imediatismo fez-me crer que o processo seria bem mais rápido. O mar eliminou todos os tempos e todas as horas e todos os minutos, e por um instante não mensurável revelou-me em avalanche todos os segredos do universo e deu-me a certeza. De que os meus cabelos eram mesmo tranças imensas a ondular no mar. E de que esse teria sido o início, e este seria o fim.&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-7776736465040603772?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/7776736465040603772/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=7776736465040603772' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/7776736465040603772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/7776736465040603772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2010/08/de-que-os-meus-cabelos-eram-mesmo.html' title='De que os meus cabelos eram mesmo tranças imensas a ondular no mar'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-6915246420079007716</id><published>2010-07-26T01:00:00.002+01:00</published><updated>2010-07-26T01:04:54.860+01:00</updated><title type='text'>Um mar de cerejas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Rafa. Levei horas, talvez dias, talvez mesmo anos a escrever. É domingo, dia de visitas aqui. Veio cá a Leo, trouxe-me cerejas, um luxo que achou que merecia pelo bom comportamento. Sabes bem que estes dias são complicados, a junção dos dois mundos é tão difícil. Às três horas ouve-se o megafone (conto-vos porque sei da curiosidade humana pelo submundo dos presos):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Número 1061, visita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muito barulho aqui, Rafa, muitos gritos e também as chaves nos ferrolhos. Percorro o corredor tentando lembrar-me de mim aí fora, não só para corresponder às expectativas da Leo, mas também para viver um pouco o sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Número 1061, chamado à terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verão Rafa, sê um pouco condescendente com o meu sonho, que não é senão uma forma de protecção. Quando o interior e o exterior são demasiado diferentes pode descambar para a loucura. E nota, a tua realidade é o meu sonho, os dois encontram-se na sala de visitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sr. guarda, pode deixar-nos a sós? Gostava de eliminar os elementos que fazem parte de cada um dos mundos. Só assim eles se poderão juntar no que lhes é essencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sr. ribeiro deixou-nos a sós, é uma crença irrealista a que existe sobre a má vontade dos guardas. Permanecemos então em silêncio esses dois minutos, dois porque é par e é redondo. A imagem é intensa mas harmoniosa, Rafa, sem qualquer tensão. Há imagens que nos ficam guardadas na memória, no meio de todo aquele drama lembro-me de pensar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero utilizar esta imagem num texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fotografei-nos então em silêncio, julgo que nem se terá ouvido o barulho da máquina a disparar. Mas o rádio tocava, Rafa,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentiiiiiiiiir, que es un soplo la vida. Que veinte años no es nada, febril la mirada, entra por essa porta agora, e diga que me adora, Here she comes again, Não há leis para te prender, aconteça o que acontecer (recomenda-se leitura cantarolada)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdoa-me, é que quero pormenorizar o contexto, que é ele que nos conduz e nos guia e nos estrutura. Fixo-me, fixo-a, fixo-nos, condensando assim numa pedra de gelo toda aquele mar que envolvia a realidade da Leo, ou antes o meu sonho, como preferirem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não chores, querido Peter, um dia destes voltas a casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É linda a minha Leo, inundou-me a sala de visitas de cerejas e de verão. E o megafone:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 minutos para o final das visitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sr. ribeiro, o guarda simpático de há pouco:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho de te levar. Mas há mais domingos, rapaz. Dás-me uma cereja?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, sr. guarda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que ele coitado também passa cá muitas horas, profissão dura esta, mais ainda no Verão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo-te já da cela, mas digo-te que o mais difícil é aquele corredor, Rafa. É tanto o barulho que eu chego a duvidar que aqueles passos sejam meus, e que sejam minhas as mãos que sentem as cerejas que guardei nos bolsos. Percorro então o corredor a cantar, que diz o povo ser a melhor forma de espantar os males&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volveeeeeer, con la frente marchita…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei, Rafa. Podes avisar a Leo? E por favor, agradece-lhe as cerejas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-6915246420079007716?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/6915246420079007716/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=6915246420079007716' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/6915246420079007716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/6915246420079007716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2010/07/um-mar-de-cerejas.html' title='Um mar de cerejas'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-4304845919635652829</id><published>2010-06-10T18:56:00.000+01:00</published><updated>2010-06-10T18:58:40.460+01:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_kcQmNjwJUhM/TBEnlB7ok1I/AAAAAAAAAEY/GxyxaCoFNfU/s1600/pause2.gif"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 315px; DISPLAY: block; HEIGHT: 171px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5481205738613805906" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_kcQmNjwJUhM/TBEnlB7ok1I/AAAAAAAAAEY/GxyxaCoFNfU/s400/pause2.gif" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Que é para as respostas não ficarem afogadas em palavras. Mas volto breve breve.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-4304845919635652829?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/4304845919635652829/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=4304845919635652829' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/4304845919635652829'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/4304845919635652829'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2010/06/que-e-para-as-respostas-nao-ficarem.html' title=''/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_kcQmNjwJUhM/TBEnlB7ok1I/AAAAAAAAAEY/GxyxaCoFNfU/s72-c/pause2.gif' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-4671317582103652940</id><published>2010-05-26T20:21:00.003+01:00</published><updated>2010-05-27T00:21:55.265+01:00</updated><title type='text'>Acção</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Querido Peter Pan. Desculpa a demora, mas por vezes tudo é tão rápido, que o processo de chegar até ti se torna mais lento. O que me vale é que é da tua natureza ser criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estranho-te. Para que me falas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentarei não fazer rodeios, e ir directa ao centro, acertando-te com a espada no coração, e desta forma libertando tudo quanto dentro dele possa estar contido. Trouxe-te também uma espada para ti, e através dela poderás expressar-te e proteger-te, são dois coelhos numa só cajadada. Há-de notar o leitor que esta minha personagem, que afinal é a primeira de todas, é um tanto misteriosa, apesar da sua constante presença vemo-la intervir pouco. Perguntei-me então qual a razão de tal incongruência, e cheguei à aterradora conclusão de que talvez tenha criado uma personagem cujo conteúdo e necessidades emocionais desconhecia, apesar da sua posição fundamental no jogo corrente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Silêncio do Peter, surgindo nos seus olhos as primeiras lágrimas. O seu corpo move-se lentamente em direcção à espada).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Traíste-me. E por que razão nunca me perguntaste o que sentia? Para que me criaste, se nunca quiseste saber quem era?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez num desejo egoísta de crescer, presa numa crença de que, se mudasses, algo na nossa relação terminaria. Validando-te poderia perder-te, que não há melhor estratégia para ajudar alguém a mudar que dizer-lhe que está bem assim. Andaria louca em busca de uma nova personagem principal, percorreria todos os técnicos, até os da imagem e do som&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- por favor, arranjem-me um novo protagonista&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não tendo entendido eu, meu Pan, que apenas mudando poderias continuar a ser tu. Estas são considerações teóricas bastante difíceis de aprender, quanto mais de apreender. Nota no entanto como sempre soube da tua especial importância, querido Peter, (marejar de lágrimas por parte do Peter, o que nos dá indicação de que este conteúdo será um bom marcador para o processo de mudança. O que é o mesmo que dizer ao leitor para prestar atenção a este trecho), caso contrário nada disto teria acontecido. Não poderia dizer-to explicitamente, escancararia dessa forma a minha vulnerabilidade. Passei-te então duas mensagens fundamentalmente diferentes, dei-te importância no processo mas retirei-ta do conteúdo, e duas mensagens numa só pessoa dá um triângulo perverso, a ambiguidade é o pior maltrato, sabe disto qualquer terapeuta que se preze.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Peter levanta-se, lentamente, colocando as pernas em posição de luta, apesar das lágrimas ainda presentes)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aqui entre nós, vê tu bem a ironia, foi para escrever que te ocultei e por escrever que te descobri, e vem-nos de novo a ideia de como a mudança e a manutenção não existem uma sem a outra. Aparecem-me neste instante à mente algumas considerações de carácter menos teórico sobre este assunto, como esta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- envenenou-se com o seu próprio veneno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas ouve, Peter, desconfio que algo mais que isto se passou, caso contrário bastaria dizer-te:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- liberto-te desta dívida. Deixas neste momento de ser uma das minhas personagens, poderás antes ser quem queres&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;com uma voz clara mas seca, sem conteúdo emocional. Mas ao longo destes anos algo em mim foi invadindo o meu corpo de mansinho mansinho, assim como a doçura das folhas ali ao fundo a oscilar com o vento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(A luta do Peter começou entretanto, há já algumas linhas. A personagem está agora demasiado concentrada na activação límbica e na correspondente tendência de acção de luta, motivo pelo qual não fala).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdoa-me, meu bem. Ofereci-te então essa espada com que te libertas e expressas e proteges, (afinal são três coelhos e não dois), conjugando-te assim a beleza da luta e a doçura das folhas. De tal modo que agora quando te olho sei que já não és um boneco, de certeza que não és.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como sabes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum boneco vive assim. Em mim.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-4671317582103652940?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/4671317582103652940/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=4671317582103652940' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/4671317582103652940'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/4671317582103652940'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2010/05/accao.html' title='Acção'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-59479282122333532</id><published>2010-05-20T02:26:00.005+01:00</published><updated>2010-06-04T10:34:53.416+01:00</updated><title type='text'>Futuro-me</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Amor? Gostaria de começar este texto com uma afirmação, que bem sabes como elas são necessárias para estruturar o leitor. Comecei então a incansável busca, e nota como uma questão pode ser colocada sem no entanto haver margem para dúvidas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Boa tarde, Sr. Quanto custa uma afirmação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabes que hoje, no metro, pude por um breve momento sentir como se fosse a primeira vez que me transportassem? Desculpa, por vezes a vida real infiltra-se na ficção, diz-me ela (a vida real) que não aguenta a rotina, insurgindo-se num acto de rebeldia adolescente, ou mesmo infanto-juvenil, como os livros que líamos quando tínhamos 13 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podes voltar à história principal? Para que te sigam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percorri então um mundo e o outro à procura de uma afirmação parecida com as ondas do mar, daquelas que nos transportam (sublinho a ligação com o transporte do metro) até à beirinha, e nos moem e nos reviram e nos esfrangalham e nos enchem de areia, estranho como nos sentimos lavados com tanta areia presa no fato de banho. Acho que é pelo caminho, enquanto fazem carreirinha, que elas vão colocando as perguntas (são duas personagens, que a dúvida implica a divisão), e que estas vão sendo eliminadas pelo movimento das ondas. O movimento das ondas, girls, que bom que é. E surgiu-me de repente a ideia, amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mentirosa, a ideia estava já presente no início do texto, ou quem sabe no início de tudo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;concentra-te um instante comigo, a ideia de que se todas as afirmações pressupõem uma pergunta, talvez tantos anos de procura sejam antes consequência de uma qualquer afirmação futura, e não a sua causa. O que quer dizer que o nosso passado (o meu, o teu, o nosso, que um mais um igual a pelo menos três) dependerá então da forma que dermos ao futuro, e se virmos bem compreendem-se todas as perguntas que te faço, inclusivamente a primeira de todas, lá em cima. Sabendo disto tentarei eliminá-la até terminar o texto, que faltam ainda cerca de 14 futuras linhas, muito passado pode ainda ser mudado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- a Dra pergunta se será um grande incómodo para si alterar a consulta para 5ª feira de manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida real adolescente a insurgir-se de novo, não contei com esta imprevisibilidade. Faltam 131 palavras para o final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- fica combinado. Poderá transmitir à Dra., no entanto, que o nosso trabalho passará a ser o de rever o futuro para alterar o passado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E desconfio, meu bem, que esta ideia que te apresentei começa lentamente a instalar-se em mim. Porque ao longo destas linhas de hoje começo a já não me lembrar da tristeza de ontem, talvez neste momento ela até nem nunca tenha existido. Ou então é do cansaço da hora, que este texto foi difícil. Faço então uma última tentativa de alteração da forma inicial, terminando com uma questão, na esperança de que no momento em que a escreva a primeira pergunta de todas se apague por si. Se isso não acontecer, bro, desculpa. É porque o leitor considera o título a primeira afirmação de todas. Está bem?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-59479282122333532?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/59479282122333532/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=59479282122333532' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/59479282122333532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/59479282122333532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2010/05/futuro-me.html' title='Futuro-me'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-8313650725048571874</id><published>2010-05-10T02:26:00.008+01:00</published><updated>2010-05-12T22:12:13.650+01:00</updated><title type='text'>The One</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Menina. Tanto há para te dizer há já anos, que por vezes a emoção primordial vai sendo substituída, talvez por um conjunto de outras emoções menos avassaladoras. No entanto, há momentos em que, por razões desconhecidas, algo em nós quer porque quer voltar a um simples fim, que é o mesmo que chegar a um início. Quando vou ao médico acontece-me algo parecido, depois das duas horas de espera habituais toda a minha elaboração se desvanece:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- então de que se queixa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- dói-me aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e as seguintes intervenções são também respostas curtas neste tom monocórdico (sei que me ouves, meu bem). Todas as associações param então, e eu pergunto-me, neste instante, se a isso se deverá o facto de a minha ansiedade repentinamente se evaporar e surgir uma certa tranquilidade, mesmo com aquela dor que me atingiu o músculo e me despertou às 3 e 45 da manhã. Ou de outra forma te digo, assim desajeitadamente, que talvez tantas palavras e tantas frases e tantos parágrafos recheados de pormenores ansiosos que antes te dei assumissem uma função de auto-protecção. Que ela inventa emoções tão intensas que até nós temos de fingir que somos outros, menina minha, o que tendo em conta a nossa condição de personagens animadas dá um duplo fingimento. Triplo, na passagem da real vida animada para o papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã há escola. Que me queres dizer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo-te desta vez com um propósito contrário, que será esta necessidade de finalmente nos condensar aos dois num qualquer centro nevrálgico. Se pudesse dava-te todo o meu amor numa palavra, apenas numa. Ficarias decerto convencida, dada a dificuldade da tarefa. Não haveria assim espaço nem tempo para ambiguidades, apesar de todas as nossas diferenças. Mas foi tanto tempo, girl, e eles têm a mania de nos ir enchendo a vida de palavras na esperança ingénua de um maior controlo, não sabendo que em vez disso causam simplesmente maior incerteza. Foi tanto tempo que lhe peço:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- por favor, podes levar-me ao mar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- para que queres ir ao mar? tens é de ir à escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por vezes diz-me isto a rir-se, com brandura e achando alguma graça ao que julga serem meus desejos (talvez a delicadeza do pedido não transparecesse a necessidade imperativa?), mas arrastando-me entretanto para o autocarro, e a seguir para o metro&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;- trocas no campo grande, onde há correspondência entre a linha amarela e a verde&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-mas é que no mar…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;É hora de ponta e o ambiente está confuso, menina, há muita gente a falar ao telemóvel, imagina que já vi gente com um em cada orelha. Não consigo perceber para onde vai toda aquela informação sob a forma de ondas electromagnéticas que só podem cruzar-se, são muitos milhões de pessoas à procura das palavras certas. Será impossível que o que é simples não se complexifique, é muita entropia electromagnética. Para onde vai tanta informação?! E nisto perco-me&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;- andas três estações, tens de ter cuidado na direcção, senão vais para trás, para odivelas&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;- mas é que no mar eu poderei…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Linha amarela. Depois verde. Corro, girl, e encho as minhas mãos de suor, na esperança de que este não me permita sentir esta tristeza por não ter ido num instante ao mar, que tu sabes que é aquele sítio onde todos os tempos se juntam. E onde eu sei que encontraria uma só palavra para te dar. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-8313650725048571874?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/8313650725048571874/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=8313650725048571874' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/8313650725048571874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/8313650725048571874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2010/05/one_8536.html' title='The One'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-8471753661236038542</id><published>2010-05-02T01:54:00.006+01:00</published><updated>2010-05-04T11:29:48.673+01:00</updated><title type='text'>Overloading</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Alex. Escrevo com dificuldade, porque os horários são rígidos, chega aquela hora e ficamos sem luz. A vida é por vezes difícil por aqui, brother. Durante o dia a luz distrai-me, e há também as actividades. Enfim, acordamos e dizem-nos quem somos, o que é já um descanso. Nesta ala somos quase sempre Peter pans, brother, porque somos mais novos. No dia em que me mudarem para a H ficarei perdido, mas não vale a pena antecipar os acontecimentos. É curioso, imagina Peter pans presos, parece um contra-senso dado o facto do Peter voar, os humanos são peritos na criação destes paradoxos. Bro, hoje houve aula de capoeira na A, foi um tanto libertador, sobretudo porque o formador nos disse que se trata de uma dança-luta desenvolvida pelos escravos. Interessante, nota como as artes marciais têm vindo à baila (!) (exclamação inserida no meio do texto para indicar a introdução involuntária da expressão “vir à baila” após a ideia da dança, mostrando-nos um pouco do funcionamento cerebral) nos últimos tempos. E Alex, esqueci-me de começar a carta com os acontecimentos mais antigos, mas sabes como podemos começar numa determinada data e depois o processamento levar-nos mais atrás, bem lá atrás. Outro dia o Tito, sabes o meu companheiro de cela? Virou-se para mim e disse-me:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Queres um cigarro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E deu-me. Fumámos em silêncio, e digo-te Alex, aqueles 5 minutos foram os mais importantes dos últimos meses. Não desfazendo a tua visita, que os laços familiares serão sempre importantes, e a relação entre irmãos é a que normalmente dura mais tempo. Mas bro, com a sua fala o Tito introduziu três coisas importantes: o cigarro, que aqui dentro equivale a outros grandes prazeres no teu mundo; a iniciativa da proposta, rara, aqui dentro ou aí fora; a partilha de uns minutos de silêncio com o Tito, sem ser aquele silêncio constrangedor de quando te permitem vir comigo até ao jardim. Devo maçar-te com esta conversa do Tito, desculpa. Quando o tempo é muito para o espaço que o contém, a cabeça começa nisto outra vez, num looping, é um overload, bro. É tanta a informação que ela sabe que tem de sair por algum lado e eu rezo todos os dias que saia nos 5 minutos que nos dão de banho, porque aqui a imagem é ainda muito estereotipada, julgar-me-iam fraca. Como se a naifa que trago comigo sempre pronta não pudesse coexistir com lágrimas. Não os condeno, que com tanta condenação não poderiam mudar de vida nunca, nem os espíritos mais evoluídos. Overloading é também uma táctica de xadrez meu bro, em que a uma peça de defesa é dada uma nova tarefa que não pode completar-se sem que seja abandonada a tarefa original. São tantas tarefas e funções e peças e personagens e tácticas e estratégias, e estas últimas são duas coisas bem diferentes. Sabes o que são paradoxos, irmão? São altamente prejudiciais para o cérebro, dás uma informação para um dos lados e a oposta para o outro. É claro que poderás também considerá-los um desafio (palavra quanto a mim tão sobreutilizada no meio empresarial) permitindo-te desenvolver mais o corpo caloso, aquele que liga os dois hemisférios, e estruturas de ligação são uma mais valia neste mundo das relações. Vou terminar, que é quase de manhã e há as actividades, Alex, desculpa. Gosto tanto de te escrever, que se pudesse passava o resto da vida a fazê-lo, só para sentir menos uma condenação. Que é o mesmo que dizer o teu amor, quem não julga só poderá amar, calculo que não tenha alternativa. Troquei há pouco o género de propósito, que assim permito-me ser sem riscos de qualquer ordem. Além disso, julgo que terás mudado de morada, as cartas têm vindo devolvidas, o que faz com que eu seja simultaneamente o emissor e o receptor. E digo-te, esse tem sido o maior desafio, percebo a tua mudança de casa. Juro que percebo (tento convencê-lo, mais ainda agora, que chego à conclusão que ele sou eu). Meu bem. Meu bro.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-8471753661236038542?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/8471753661236038542/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=8471753661236038542' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/8471753661236038542'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/8471753661236038542'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2010/05/overloading.html' title='Overloading'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-5908335153792218280</id><published>2010-04-15T03:04:00.009+01:00</published><updated>2010-04-16T18:17:31.148+01:00</updated><title type='text'>Aikido</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Alto! Parai! Avisto alguém ao longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cavaleiro, tenho algo para entregar-vos. Peço-vos paciência, pois esta linguagem é nova para mim. Estou habituada a viver neste outro século, em que a lentidão é camuflada pela rapidez tecnológica. E cavaleiro, sabeis bem que viajar para o futuro através do passado é uma ideia peregrina. Pelo menos quando a expomos assim, sem antes apresentarmos as premissas e o tipo de raciocínio efectuado que nos permitem averiguar sobre a sua validade. Retirarei as minhas botas enquanto vos falo, para me assegurar de que mantenho os pés bem assentes na terra. Manterei este anel que me haveis oferecido há já anos, esperando que me ajude a ligar os dois planos, a ficção e a realidade. Gostava que os leitores pudessem aceder a esta imagem, esta aqui, que eu calculo que se uma imagem for guardada por muitas pessoas ela permanecerá mais vívida em mim, é o princípio sistémico sobre o efeito do todo no indivíduo. Sei bem, cavaleiro andante, que nenhuma imagem, nenhum texto, nenhum símbolo poderá condensar-me a vida, porque ela teima em passar, assobiando. Mas meu bem, apenas quando as imagens se tornam nítidas eu posso permitir que elas adquiram a sua liberdade, imaginai imagens foscas por aí a pairar, seria inaceitável, incompreensível. Perdoai-me, disperso-me. Dizia que seriam necessárias imagens de antes para que pudéssemos viajar no futuro, teremos de ir atrás para podermos ir à frente, e vendo bem tudo isto não será tão peregrino assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque me observais tão atentamente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Permiti-me que continue o meu discurso, segura de que terminarei respondendo às vossas questões, mesmo sem querer. Numa lógica linear, o movimento seria simples e directo, consistindo num afastamento, como quem luta contra um adversário e lhe espeta a espada assim, com este movimento seco (imaginai o movimento brusco acompanhado de uma cara de repúdio). No entanto, sabeis como em seguida carregamos o fardo dessa brusquidão, insistindo em repetir o movimento vezes sem conta, numa busca incessante pelo dia em que, cremos, algo para sempre se modificou. No entanto, pensemos os dois em conjunto, a libertação exige a pertença, quem inventou isto não estava para brincadeiras simplistas. Isto para explicar-lhe(s) esta procura incessante pelas partes de mim que andam por aí espalhadas pelo mundo, um braço aqui, uma perna acolá. Entende, querido, terei antes de juntar todos os teus bocadinhos, o que é o mesmo que juntar todos os meus bocadinhos (posso aqui dar-me a estes luxos de não fazer distinções), e trazê-los comigo assim, neste movimento contínuo, como no aikido (imaginai um movimento lento, harmonioso). Observo por isso atentamente a vossa sobrancelha, que curiosamente forma um quadro conhecido na sua relação com o meu olho, na esperança de que esta imagem nítida fique para sempre guardada. Em troca desta imagem ofereço-lhe uma das minhas tranças. Por favor cuide bem dela, é uma trança mágica. E assim nessa união poderemos, com toda a segurança, ser livres. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-5908335153792218280?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/5908335153792218280/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=5908335153792218280' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/5908335153792218280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/5908335153792218280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2010/04/aikido.html' title='Aikido'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-8059404022630834336</id><published>2010-04-08T00:28:00.008+01:00</published><updated>2010-04-08T01:00:00.120+01:00</updated><title type='text'>Charlie?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Charlie…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Querida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compraste-me bolachas? Charlie, queria dizer-te, antes que o momento passasse. Por vezes surge uma certeza que permite a felicidade na dúvida. Como se todas as perguntas sobre todas as espécies de animais fossem abarcadas por um ponto. Pensando bem, um ponto talvez não seja a melhor forma de representar isto que sinto, teremos de criar um qualquer outro sinal de pontuação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tem conteúdo visível isso que sentes. Como o silêncio de que precisas para saber que o som existe. Talvez uma pausa? Trouxe também pão, havia pão quente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Charlie querido, afirma por favor a tua existência, diz-me que és tu que aí estás. É que nota, a certeza surge sempre na tua ausência. Eu olho para ela e rio-me, que eu sei (nesse momento eu sei tudo) que isso é ela a ver se eu sobrevivo à dúvida sobre o facto de existires, mesmo quando te vejo (pausa para respirar. Silêncio, que talvez esta seja a ideia principal do texto). Rio-me assim disfarçadamente, como quem não quer a coisa, na esperança de que a dúvida não se instale e não me estrague o meu rico banho. Na tua ausência eu sei-te concentrado, um silêncio constituído por todas as séries harmónicas. Talvez por isso ela te tenha feito boneco neste texto, dando assim ideia aos leitores que existes não existindo. Porque essa é a verdade, e ela gosta de ser verdadeira nas suas descrições. Isto independentemente das coisas existirem sem quem as observe, ou das múltiplas interpretações que poderás dar às minhas palavras, isso serão outras histórias. Nesse momento de silêncio em que eu perco a noção do tempo, talvez por não se ouvir o tic tac do relógio, tu transformas-te numa real personagem, querido Charlie. E aqui a palavra “real” assume propositadamente dois significados, que no silêncio todas as minhas personagens são reis e rainhas. Vê tu que diz o dicionário que o significado da palavra “real” é oposto a “imaginário”. Dizem que terás de ser palpável para seres real, querido Charlie, que cruéis são para ti! Enfim, numa outra definição terás antes de ser genuíno, e isso eu posso garantir-lhes até mesmo em frente a um juiz. Digo-lhe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- em primeiro lugar, sr. dr. juiz, todas as personagens aqui são genuínas, não lhe seria útil a ela criar personagens falsas. Este será já um argumento de peso, que o sr. dr. juiz bem sabe que no mundo de hoje ninguém cria nada se não for para lhe dar um qualquer uso. Além de mais a questão da utilidade é assunto já discutido ao mais alto nível intelectual, dr. juiz, não duvide por isso da cientificidade das minhas afirmações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julgo que talvez tenha sido a primeira vez que utilizo dois pontos por aqui, é visível a minha necessidade de nova pontuação. Em seguida, querido Charlie, termino então a minha argumentação, que eu ando menina cansada e isso pesa, sabes a energia que é necessária para aliar o discurso à emoção. E se não chegar, recorremos. Remato então a questão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sr juiz, tratemo-nos agora por tu que o assunto não é para formalismos. Segredo-te, para que ele não me ouça, que o Charlie é uma criança, todas as noites me pede uma luz de presença. Surge nos meus silêncios e infiltra-se no meu coração. E eu rendo-me, o que farias no meu lugar? Esta prova não é refutável. Mas eu garanto-lhe, sr. dr. juiz, que ela é verdadeira. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-8059404022630834336?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/8059404022630834336/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=8059404022630834336' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/8059404022630834336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/8059404022630834336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2010/04/charlie.html' title='Charlie?'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-5182893817126671257</id><published>2010-03-29T12:16:00.005+01:00</published><updated>2010-06-04T10:36:44.297+01:00</updated><title type='text'>1´44</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/8sBm6RfCHow&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/8sBm6RfCHow&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chove. Vamos aproveitar para filmar uma das cenas à chuva, sim? Estão por exemplo os dois ali, naquele banco. A conversa inicia-se calma. Consegues sentir o texto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não entendo o contexto. Preciso de mais elementos para improvisar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, improvisas no vazio, e sempre sentes que és mais tu. Digo-te apenas que se trata de um reencontro, mas nenhum dos dois o sabe. Além disso preocupa-me mais ela, este é o seu exercício. Eva, estás preparada? Podemos começar? Já sabes, decides ao minuto e quarenta e quatro, que é quando a música começa a acelerar e começamos a ouvir a mão esquerda a fazer aqueles acordes que lhe imprimem tensão. Até lá tens de tentar entender o que se passa. Acção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eva…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Peço-te silêncio. Desculpa ocupar-te assim um minuto e quarenta e quatro de tamanha intensidade, mas precisei de saber quem eras afinal. Vou-te tocar ao de leve nas costas relaxadas, pode ser? Conhecemo-nos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não tens tempo para ironias introdutórias, Eva. O teu filme já começou a passar, eles carregam no play e vão lendo ao mesmo tempo. Deixa-o correr, relaxa também tu essas costas, queres uma massagem? Porque estás tão tensa, Eva? Que se passa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O ponto, João, eles não me dão ponto no exercício final. E todas estas cenas, e a pressão da música, tudo é demasiado rápido, e eu disse já várias vezes por aqui que sou lenta. Não me obriguem a seguir em frente, que todos os beijos demoram a passar na tela, e isto é só um exercício, meu deus. E entretanto a chuva cai-nos em cima, e os meus cabelos ficam assim, em cachos. E eu sou eu mas não sou, que a imagem que tenho gravada é de outros ambientes onde a chuva não cai. Conhecemo-nos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 minuto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E vem-me um pensamento perturbador: se o meu corpo se juntar ao teu voltarei a ser porventura a de antes? Fará tudo isto parte deste mesmo filme que entretanto corre na tela? Afinal a minha pergunta é essa, desculpa a demora, as perguntas são o mais difícil de encontrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;30 segundos. O filme continua a correr. Atenta à música, Eva, está atenta à mão esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Atenta, atenta. A minha mão esquerda faz assim como eles, tantantantantantantantan, oito tans, e afinal esse culminar não é a decisão, esse primeiro culminar é a pergunta: poderei juntar este nosso beijo ao filme e não ser a de antes? Poderei manter o conteúdo (que um beijo será sempre um beijo) e mudar-me a forma? Neste nosso futuro beijo ambos temos cachos no cabelo, não introduzirão eles a diferença? A ansiedade será causada também pela possibilidade, que uma cena que integra os dois tempos, passado e presente, não se encontra todos os dias. Nota, ao minuto e cinquenta e seis ele sorri, e eu julgo que não será por ter encontrado ainda a resposta, mas sim a pergunta. E exactamente aos dois minutos e doze segundos, aí sim dá-se um novo culminar, com a entrada dos violinos lá mais para cima. Estavam a roubar-me 20 segundos, eu sabia que me apressavam. E se virem bem, apenas nesta altura as lágrimas são já bem notórias, e eu julgo que será porque de alguma forma a personagem principal integrou todos aqueles beijos, e são muitos, João, que ele viu muito cinema ao longo da vida. E aos dois minutos e vinte e nove, quando a estrutura da narrativa está já na síntese ou na coda, aí sim eu decido, cruzando como ele os braços por trás das costas como quem chega finalmente a casa e se refastela. Nesse momento tocas-me, ao de leve mas com intensidade, nas minhas costas já húmidas e ainda tensas, pode ser? E nesse momento eu digo-te: João…podemos repetir a cena, já com menos graus de liberdade e improviso? E tu respondes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Possivelmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-5182893817126671257?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/5182893817126671257/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=5182893817126671257' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/5182893817126671257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/5182893817126671257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2010/03/chove.html' title='1´44'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-4124938053287669759</id><published>2010-03-19T12:15:00.003Z</published><updated>2010-03-20T00:58:55.922Z</updated><title type='text'>O gato humano</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Meu bem, estive a pensar em tudo o que me disseste. Inclusivamente quando estava hoje na massagista, que me disse que todos estes músculos estavam fora do lugar, não havia eu de sentir-me estranha. Nem eu nem o outro, já dizia o poeta. Eu disse-lhe que tudo isso era natural e confessei-lhe, em tom de brincadeira para que não se assustasse com a dura realidade, que na verdade eu era um gato mascarado de humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que te disse ela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sra. massagista permaneceu uns minutos em silêncio, mas sempre a mexer-me aqui na cervical, que foi uma forma de continuar a comunicação. Fez bem, poderia ter-se transformado num momento constrangedor para ambas. Eu insisti na fantasia, porque precisava urgentemente de uma qualquer explicação para esta estranheza: verdade! dra sra massagista, eu sou um gato à procura do seu corpo! E pumbas, mais uma pressão aqui, na C2. Inverti então a marcha, há que respeitar o tempo de transformação de cada um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devia fazer reeducação postural, e muito trabalho de corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu suspeitei então que parte dela gostaria de explorar a cena do gato, que afinal não é todos os dias que presenciamos este tipo de loucura, nua e crua. É interessante meu bem, porque os gatos têm aquela flexibilidade que me permitiria seguir aquele sonho de que falávamos outro dia, na formação. E se de repente tudo isso fosse real? Afasto rapidamente esse pensamento, não se estragam sonhos assim, tornando-os possibilidades neste nosso mundo. Imagina tu que todo o nosso inconsciente, colectivo e individual, era descoberto. Que nos restaria? De modo que eu teimo em manter algumas profundezas, fingindo até por vezes que não as vejo quando insistem em aceder à superfície. E além disso fixar a ficção/os conteúdos espongiformes (riscar o que não interessa) dá trabalho, meu bem, dá-me por favor um descanso, dá-lhe tu hoje banho que eu agora só quero sentir as mãos da dra sra massagista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estão atrofiados e libertam toxinas, entende? A massagem dá um certo alívio mas são muitos anos de maus hábitos posturais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São muitos são, meu bem. Embora vendo com outros olhos, se construirmos a realidade numa escala mais universal, tendo em conta por exemplo o tempo em anos luz daqui ao sol, tantos anos são praticamente equivalentes a zero, que é como quem diz que afinal é como se tudo começasse agora, neste instante. É a sério e é agora. Melhor, numa escala universal eu posso começar do zero mas com 32 anos de maus hábitos posturais, e este é um sonho tão estonteante que só poderá ficar entre nós, minha sra dra massagista. Toca a calar o sonho, que bem sabes basta mudar o contexto para que as coisas adquiram nova função, e afinal esta que inventámos para o sonho que é a de comandar a vida é bem bonita, não? E se ele se tornasse realidade eu teria de decidir. E eu sei lá se quero recomeçar gato ou humano.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-4124938053287669759?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/4124938053287669759/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=4124938053287669759' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/4124938053287669759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/4124938053287669759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2010/03/o-gato-humano.html' title='O gato humano'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-2685753240905709685</id><published>2010-03-14T12:24:00.003Z</published><updated>2010-03-14T12:32:38.944Z</updated><title type='text'>Segredo (2)</title><content type='html'>Eu sabia que eles guardavam segredos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/z3U0udLH974&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/z3U0udLH974&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-2685753240905709685?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/2685753240905709685/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=2685753240905709685' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/2685753240905709685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/2685753240905709685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2010/03/segredo-2.html' title='Segredo (2)'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-2843638719671036277</id><published>2010-02-28T00:14:00.005Z</published><updated>2010-03-03T01:40:58.719Z</updated><title type='text'>Segredo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Começo assim, que além do tempo escassear, a escrita quer-se científica, directa, sem rodeios. Ando a descobrir que tudo pode ser simultaneamente bom e mau, bonito e feio, e mais um ou outro par de antónimos. Como se a vida começasse a fazer sentido na falta de sentido que tem. Fui então ao baú das minhas personagens e resolvi que talvez tu, querida Vera, fosses a mais apropriada para eu reinventar neste curto espaço temporal que disponho para te falar, no meio dos outros tantos papéis que nos vemos obrigados a desempenhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem fala?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daqui satélite. Esta piada é privada, e colocando-a aqui crio rapidamente uma pequena aliança com quem a reconhece. Ao escrever-te existes sem existires, e isso é maravilhoso, porque me dá segurança constringindo-me as possibilidades da minha própria existência (que afinal não dizem que são só metade nossas, as palavras?), deixando-me no entanto uma liberdade considerável no sentir. Desculpa criar-te assim, repentinamente e sem avisar, ando ainda a aprender a controlar esta impulsividade. Mas às vezes a indefinição torna-se tão insuportável, Vera&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem fala? Quem é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que assim ao perguntares-me quem sou sempre me vejo um pouco obrigado a definir-me, ou no mínimo ao que sinto. Estou bem! Seguido de um descanso. Porque Vera, começo lentamente (que se vires atentamente não colidirá com a palavra “repentinamente”, o segredo da vida está na elasticidade na conciliação dos advérbios), repito, lentamente, a ter um problema grave, porque constato que, tal como com a música, poderemos estar bem e mal ao mesmo tempo, e ser trágicos e cómicos e tranquilos e românticos e tensos e lentos e rápidos e felizes e infelizes e ficção e realidade. Quando não existes, querida, querido, começo a não saber se estarei bem ou mal ou mesmo alguma coisa. E de repente, Vera, amor, sou imagens e sons e lágrimas e sorrisos e sons de novo e a lamparina confunde-se comigo, juro! ela confunde-se comigo e com a música e com o livro de física e com o candeeiro a abanar porque está vento, e com a gata no seu ritual de limpeza. São seis elementos contando comigo, numa harmonia que se tu soubesses...nem sei o que farias. Nada disto é limpo mas é tão limpo, e eu às vezes acho que a gata sabe de tudo isto tão bem e guarda segredo. Aposto contigo que ela guarda segredos propositadamente, talvez para manter a sua individualidade não se expondo, ou então para se vingar de eu chegar tarde a casa. É o conjunto, a mistura, a mixórdia, no limite o sujo, que lhe dá sentido e beleza. Se tu soubesses como é simples e está aqui tão perto, Vera, está aqui mesmo nestes metros que nos separam. Se tu soubesses como toda a vida cabe nesta lamparina nesta lamparina nesta lamparina. Se tu soubesses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem fala?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu não te digo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-2843638719671036277?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/2843638719671036277/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=2843638719671036277' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/2843638719671036277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/2843638719671036277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2010/02/segredo.html' title='Segredo'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-2238640809042294301</id><published>2010-02-15T02:38:00.007Z</published><updated>2010-02-15T13:27:10.735Z</updated><title type='text'>Carnaval</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Cara Dra. Faz frio, estão graus negativos. Tenho saudades do sol de Lisboa. Mas o chão aqui é aquecido. Entrei há pouco numa ourivesaria ali do quarteirão, e fiquei algum tempo a apreciar os anéis. Nunca lhe contei Dra, mas quando era pequena ficava extasiada a contemplar o brilho do ouro. Julgo que a palavra contemplar se aplicará bem, porque me sentava naqueles bancos altos e passava lá tanto tempo que me perdia concentradamente, e as minhas mãos nem ficavam suadas. Noutros raros momentos o mesmo terá acontecido, como quando passava com os braços nas almofadas de seda da minha avó, e hoje em dia quando inesperadamente adormeço com o sol a bater na janela da sala, ou quando por um acaso noto como a luz incide com um ângulo perfeito sobre uma folha. Pensei agora em colocá-la a perguntar-me o que será comum a todas estas situações, e dessa forma reproduzir mais fielmente as interrogações internas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E porque não o faz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para lhe tirar poder à personagem, dra. Escrevo-lhe então deste sítio distante, o que me aumenta mais o controlo. Sabe como este tema é premente nos dias de hoje, e quando exploramos bem surge tantas vezes associado ao tema da responsabilidade. Queria dizer-lhe que no outro dia, no caminho do Loures shopping para casa, adormeci no carro da Ana. Tenho a certeza que está agora com um sorriso, eu dormia mas sorria também, não é sempre que nos deixamos assim embalar. Já lhe aconteceu não entender nada do que lhe dizem e ser invadida por uma tranquilidade inigualável? Segredo-lhe que por vezes, na calada da noite, ponho-me a ler livros em alemão, apenas para me ouvir a emitir aqueles sons. É uma calma que nenhuma compreensão me poderá dar. Gostaria de experimentar umas consultas numa língua totalmente incompreensível, e talvez assim sentisse que me abarca, prolongando um pouco aquela minha ilusão acriançada de ser toda durante 50 minutos, e não apenas uma das minhas personagens. Criar-lhe-ei também uma transparência a si, o que fará com que provisoriamente se sinta impedida de me analisar. Todo e qualquer passado, presente ou futuro que queiramos co-construir nesse espaço comum será com base na incompreensão. Afinal parece-me que a transparência pode estar tão perto do caos. Serei frontal agora, ganho balanço na cadeira para lhe conseguir dizer que, apesar de eu entender que é carnaval, a sensação súbita de sermos apenas dois meros seres mascarados causou-me uma dor aqui, dra, nesta zona aqui. Eram cinco da tarde, a única hora do meu longo dia em que havia uma maior probabilidade de partilhar transparências. Partilhas comigo a tua transparência? Espera, só mais 5 minutos e já te dou, estou quase a passar de nível. E zás! Oh inclemência! Oh martírio! Estará porventura periclitante a saúde desse nobre e querido menino que eu ajudei a criar?! Na sua análise colocou-nos personagens, dra, uma traição à minha exposição, o que pode constituir um dano moral considerável, apesar de sair da objectividade do direito penal. Convirás que tamanha traição criará grande dor (perdoa-me a proximidade, a emotividade da passagem fez-me tratar-te por tu), ainda que estejamos já todos certos, através do princípio da realidade, que mascarados andamos sempre, que o carnaval não são só dois dias. Vou hoje tirar o domingo para viver um pouco no princípio da irrealidade, que a informação é muita e o mundo anda demasiado espartilhado. Espartilhaste-me, esquartejaste-me, fragmentaste-me, para utilizar uma linguagem pós-moderna. Pergunto-te, pergunto-me (que não fujo às responsabilidades) onde foram parar os Peters e os charlies e as blondinas e os reis e as rainhas e os capuchinhos e as belas e os monstros e as wendys e os príncipes e os sapos e os aladinos e todos os animais falantes e as brancas e os anões e as pocahontas, que ainda não apareceram nos textos mas há espaço para todas as princesas. No fundo da minha transparência queria dizer-lhe que julgo que o que há de comum nas situações que lhe expus inicialmente será o brilho ou equivalente sinestésico, como a sensação da seda na pele. Apesar de ainda não saber bem por que razão o brilho me dá a segurança de que preciso para me deixar adormecer. E depois desta minha análise peço-lhe que me devolva as personagens. Por favor. Devolva-me. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-2238640809042294301?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/2238640809042294301/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=2238640809042294301' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/2238640809042294301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/2238640809042294301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2010/02/carnaval.html' title='Carnaval'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-4093525546809141443</id><published>2010-02-14T15:38:00.008Z</published><updated>2010-02-15T00:10:16.915Z</updated><title type='text'>Escolhas?</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/WBwo5MzB7io&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/WBwo5MzB7io&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/txLPlvkGiP4&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/txLPlvkGiP4&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-4093525546809141443?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/4093525546809141443/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=4093525546809141443' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/4093525546809141443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/4093525546809141443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2010/02/14-de-fevereiro.html' title='Escolhas?'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-8751690117271523915</id><published>2010-02-01T01:12:00.005Z</published><updated>2010-02-01T01:34:07.719Z</updated><title type='text'>Umas mãos deliciosas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;P: Wendyzinha…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;W: Peter! Ainda bem que apareceste! Peter tenho de te contar já, ontem esteve cá um conjunto de personagens de vários filmes, e comentámos que o capitão gancho anda desaparecido, inclusivamente do facebook. Houve de tudo, simulámos até as lutas dos filmes. Tive medo que nunca mais voltasses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P: Sabes que não perco uma festa dessas. E prometi-te estar sempre presente. Como podes duvidar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;W: Não dependes de mim, menos ainda do meu desejo. Guardei-te o olho da Sininho. Estive indecisa entre o olho e a mão, a sininho tem umas mãos deliciosas. Que saudades Peterzinho. Falávamos sobre a necessidade de estar disponível para que algo surgisse, e resultou! Fui-me deitar a pedir-lhe que te criasse hoje, nestas horas em que escreve, e prometi-lhe estar disponível para as várias personagens. Olhou para mim e sorriu-me, sabes aquele sorriso de quem ama e protege e te permite ser espontâneo? Peter, sei que não estás ainda por dentro destes conceitos, mas ser espontâneo não significa impulsivo ou sem controlo. As palavras que te digo são pensadas, por vezes escolhidas a dedo. Digo-te isto não vás pensar que o meu amor por ti é fruto apenas de um desejo incontrolável. Disse-lhe então: poderás (temos uma relação próxima, informal) criar algo em que entre o Peter? Porque a Mary Poppins tinha-me dito que era necessário operacinalizar os sonhos, e eu resolvi operacionalizar-te a ti. Foi ainda antes de me deitar, no cheio da noite. Sabes que é no negrume que nos juntamos todos, e durante o dia, dependendo da luz, que por sua vez depende do humor do técnico (quantas dependências meu deus), de dia surge iluminada uma ou outra personagem. Nem ela tem todo o poder de te pôr em cena, são muitas variáveis. Desculpa se são muitas palavras e poucos parágrafos, ler-me-ás assim também de seguida? Tenho pouco tempo para todos os assuntos a tratar. O tom seguinte é sério, prepara-te, e se estiveres atento notarás estas mudanças, a palavra “tratar” introduziu um tom emocional neutro, como se falássemos de um negócio. Desculpa, podes colocar o Peter Pan a fazer-me uma pergunta que me ajude a estruturar o discurso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P: Diz-me para te perguntar se te tens sentido a mesma, porque te tirou as lágrimas durante um tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;W: Foi ela então! Tem-me roubado o sentir!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Apenas o mau Wendy, desculpa intervir na conversa. Precisei de fazer a experiência. Pensa bem, o que acharias tu de mim se um dia descobrisses que afinal todas as tuas lágrimas foram uma ilusão que justificou um outro desejo, Wendy. Nem sei bem como dizer isto a alguns de vocês, imagina então aqueles com mais dificuldade em expressar-se, ficarão furiosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;W: Peter, podes traduzir-me por miúdos o que nos diz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Imagina tu se por um acaso a necessidade básica, primária, é a de mudança. Explico-te de outra forma: porque mudas, Wendyzinha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;W: Para retirar as minhas lágrimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E se tudo for ao contrário, e te disser que as tuas lindas grossas lágrimas não existem senão para que sintas que te tens de transformar? Como no filme que vimos na 6ª. A identidade está na luta, Wendy, não no conteúdo das lágrimas. Elas constituem apenas a razão que te dou para mudares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;W: Se me disseres não acreditarei. As minhas lágrimas estão no início, não no fim do processo! Peter, faz alguma coisa, ela está a tirar poder às minhas lágrimas! Por favor, diz-lhe que não teorize num dia como este, que nos tira espaço para os dois, logo hoje que me disponibilizei. Explica-lhe que nos amamos, e que só temos estas parcas horas para falarmos um com o outro: então como estás tu? Bem, e tu, o que fazes? e nisto quem sabe até voar um pouco, tinhas-me prometido um voo como prenda de anos. Enquanto escreve eu posso finalmente sentir o vento na cara, ao ponto de ter de fechar os olhos, tal é a vertigem. Sou mera personagem, só quero sentir o vento, só o vento, só o vento. Vuuuuuuuuuuuuuuuuu. Se a história mudar que não me tire o vento, não o vento, não o vento. Saem-me lágrimas dos lados, mas é da velocidade. E agradece-lhe rápido o vento e as lágrimas destes minutos finais, Peter Pan. Que julgo, ou sinto, que lhe estão a acabar as palavras. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-8751690117271523915?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/8751690117271523915/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=8751690117271523915' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/8751690117271523915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/8751690117271523915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2010/02/umas-maos-deliciosas.html' title='Umas mãos deliciosas'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-1463238606363666270</id><published>2010-01-16T00:56:00.005Z</published><updated>2010-01-16T01:13:45.925Z</updated><title type='text'>A razão do cão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E o que acontecia no seu sonho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então querida, uma questão não é uma boa forma de começar uma narrativa. Terás antes de definir o contexto, para que possas estabelecer uma ligação com o espectador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A estrutura pode estar a mudar. Temos de ser flexíveis neste mundo em transformação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia dois gémeos, os dois dentro de uma bolha de sabão. Oscilo, no próprio sonho, entre a observação desta imagem e a participação activa, em que a visão se torna turva e o mundo indefinido. Um sonho dentro do sonho, a minha bolha de sabão. Alternávamos os dois entre chorar e rir, puramente cúmplices em algo essencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A que atribui a imagem dos gémeos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez à necessidade que ele seja eu. Estarei a ser egoísta? Porque na realidade apenas te amo porque nesses breves momentos sorris e te comoves, e porque os dois atribuímos a forma de cão àquela nuvem (aquela amor, não vês…?), crendo eu assim que os teus circuitos neuronais são exactamente os mesmos que os meus. Pergunto-me para que teremos nós desenvolvido esta capacidade de acharmos que acedemos aos mundos uns dos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez para cooperarmos. E terá, ao longo desse caminho, havido um processo de diferenciação do self. Daí a constatação de impossibilidade de comunhão com o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho complicado esta mistura de linguagens. Terás de decidir se te diriges a determinada população alvo, como o universo dos psis, ou a um qualquer outro fragmento da população. Tens de encontrar um nicho de mercado. São as leis do marketing.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E terá valido a pena a criação desta fonte de angústia, quando finalmente entendo que em vez de um cão vês antes um qualquer outro bicho naquela nuvem? Ou talvez apenas uma nuvem? Quer que acredite que nos iludimos os dois pensando que éramos um apenas para cooperarmos?! Confesso-me, odeio-te por vezes (volto a falar contigo. Deus me livre de vir a odiar a Dra. Margarida). É que vê, é tão intenso este meu desejo que notes que a vida parece estar presente em toda a matéria, até no Peter Pan, que é matéria imaginada. Insisto em manter a confiança de que os dois poderemos ser simultaneamente diferentes e iguais (máxima que já constituiu um slogan, o marketing anda lentamente a entrar pela minha vida, embora ainda com algum pudor) e repara como o tema da identidade se cruza com o do amor. E por fim confesso também, querido, que durante o caminho para casa, agora à saída do curso, me estampei com o carro para não atropelar um cão. Vinha louco o cão, coitado. Venho louco de amor!, ladrava-me com a sua voz rouca, justificando-se. Perdoei-o, claro, afinal foi só um farol que se partiu, e o amor pareceu-me uma boa razão para a sua loucura. Partiu-se também aquela esperança de que me atendesses e que me descansasses, que afinal era só um farol, que importância tinha. E partiu também a nuvem, com o cão, mas isso eu não lhe disse. Era demasiado para um cão só. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-1463238606363666270?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/1463238606363666270/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=1463238606363666270' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/1463238606363666270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/1463238606363666270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2010/01/razao-do-cao.html' title='A razão do cão'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-1476209617747886734</id><published>2010-01-06T01:40:00.002Z</published><updated>2010-01-06T01:45:57.107Z</updated><title type='text'>Água</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João. Tive medo que as imagens e as palavras nunca mais me surgissem, e que de certa forma algo mais do que o ano terminasse. Que afinal é para isso que os anos servem, para serem terminados, esquecendo-se por vezes o mundo que o velho terá de continuar em nós para que nos sintamos os mesmos. Enfiei-me então naquele meu sítio e deixei-me ouvir o silêncio da água a correr, constatando que ela era a mesma, a água. Os gerúndios dão-me uma certa sensação de continuidade. A água é constituída apenas por dois elementos diferentes. E a verdade é que os símbolos entram em nós sem nos darmos conta, porque esta sensação de voltar a mim enquanto a água me bate nas costas não se deverá às suas propriedades químicas. A seguir vim escrever-te, não sem antes colocar as malas à porta. Estamos de partida, apesar de sobrarem perguntas. Gostava tanto de matar as perguntas que restam, e fazer durar aqueles momentos de certeza. Será possível que também eles sejam ilusão minha? Pergunto-me (que prazer masoquista este) como terei chegado até eles, e tento repetir o processo. Porque Dra., teve de haver um certo despojamento inicial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse início não é controlável. Terá de esperar que aconteça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para poder olhar o que restava de mim. Atenção, não existe aqui qualquer laivo de vitimização, apesar da palavra “restava”. Foi apenas o significado que atribuí àquele período a que só tu tiveste real acesso. Enfim, isto do real é discutível, e talvez esta minha sensação do teu acesso ao meu real tenha a ver com o facto de não existires.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A forma e o conteúdo não batem certo, tornas-te ambivalente. Se queres dar a ideia de vazio essencial terias de falar pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti-o, mas que queres, será necessário voltar atrás na forma para que surja algo novo. Tinha de fazê-lo de alguma maneira, e apresentar-to assim, afirmativamente. A seguir cheguei então àquele ponto em que sentes que te sentes, e olha bem a ironia, quando finalmente julgo que serei algo de parecido comigo, concluo que nunca poderemos ser os dois. Engano-te permanentemente, João, é inaceitável este meu comportamento. Tive então uma ideia mirabolante, que foi a de te matar para que pudesses voltar para mim, que a saudade é o pior tormento, é pior do que o esquecimento, diz uma canção que tenho no carro. Imaginei as várias formas possíveis de o fazer. Quererei impressionar-te com a minha franqueza? Dar-te um tiro seria o melhor para ti, acabavas sem sofrimento, mas faltava-me o gerúndio. Tinha de te matar matando-te, não poderias passar directamente do estado sólido ao gasoso. E então, já mesmo no fim do texto, fiz a ligação com a minha água inicial, primordial. Serve esta carta para de uma forma tímida, apesar de franca, perguntar-te se quererás, porventura, um dia destes, sem programar nada que estas coisas não surgem quando as procuramos, pegar nas malas que pus ali à porta e ir andando comigo, ir ando comigo, ir andando comigo. Em direcção ao mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-1476209617747886734?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/1476209617747886734/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=1476209617747886734' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/1476209617747886734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/1476209617747886734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2010/01/agua_06.html' title='Água'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-5943689349979779885</id><published>2009-12-14T02:34:00.000Z</published><updated>2009-12-14T02:37:47.337Z</updated><title type='text'>Ainda hoje!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Volto em Janeiro, quando o ano começar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque não hoje? Não te reconheço nestes rituais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem eu. Obrigada pelas visitas, passarinho. Prometo que volto, que seria de mim sem ti? Deixo-te o que leio. E hoje, mesmo mesmo antes de dormir, que há um momento breve em que sei que finalmente me irei entregar ao sonho, acontece-te o mesmo? Uma confiança tranquila, rodeada de lençóis e do cobertor pesado, e de todos os sons e dos olhos da gata a fixarem-me, todos os dias me fixa quando me deito, como se também ela estivesse espantada com o espectáculo. Dizia que hoje, ainda hoje e não apenas em Janeiro, guardarei nesse instante a imagem de ti, com os teus lençóis e o teu cobertor e os teus sons e todos os teus bichos, passarinho meu, e com as tuas palavras, que nesse momento serão as mesmas que as minhas, promete-me que sentes as mesmas palavras ao mesmo tempo que eu, apesar de nem teres de prometer, mas promete. E àquela hora, tu sabes qual é a hora, não é quando se ouvem as 12 badaladas, que esse momento é de correria, é já no fim da história, quando ela encontra o sapato. Nesse instante em que quase quase durmo mas ainda não, eu saberei que através das nossas mesmas palavras estarás no meu lençol e no meu cobertor e também nos olhos fixos da minha gata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Se tivesse de recomeçar a vida, recomeçava-a com os mesmos erros e paixões. Não me arrependo, nunca me arrependi. Perdia outras tantas horas diante do que é eterno, embebido ainda neste sonho puído. Não me habituo: não posso ver uma árvore sem espanto, e acabo desconhecendo a vida e titubeando como comecei a vida. Ignoro tudo, acho tudo esplêndido, até as coisas vulgares: extraio ternura de uma pedra.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[…]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Isso que fica aí não são memórias alinhadas. Não têm essa pretensão. São notas, conversas colhidas a esmo, dois traços sobre um acontecimento – e mais nada. Diante da fita que a meus olhos absortos se desenrolou, interessou-me a cor, um aspecto, uma linha, um quadro, uma figura, e fixei-os logo no canhenho que sempre me acompanha. Sou um mero espectador da vida, que não tenta explicá-la. Não afirmo nem nego. Há muito que fujo de julgar os homens, e, a cada hora que passa, a vida me parece ou muito complicada e misteriosa ou muito simples e profunda. Não aprendo até morrer – desaprendo até morrer. Não sei nada, não sei nada, e saio deste mundo com a convicção de que não é a razão nem a verdade que nos guiam: só a paixão e a quimera nos levam a resoluções definitivas. O papel dos doidos é de primeira importância neste triste planeta, embora depois os outros tentem corrigi-lo e canalizá-lo…&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;[…]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Há horas em que as coisas nos contemplam, e estão por um fio a comunicar connosco. Às vezes é um nada, um momento de êxtase em que distintamente ouvimos os passos da vida caminhando.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Raul Brandão, excertos de Memórias, 1918&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-5943689349979779885?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/5943689349979779885/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=5943689349979779885' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/5943689349979779885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/5943689349979779885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2009/12/ainda-hoje.html' title='Ainda hoje!'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-831703430721665140</id><published>2009-11-27T15:28:00.003Z</published><updated>2009-11-27T15:45:50.728Z</updated><title type='text'>O capuchinho vermelho da Branca de Neve</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_kcQmNjwJUhM/Sw_wavD2bVI/AAAAAAAAAEQ/yUr4MeAxQ4I/s1600/Paula+Rego,+ma%C3%A7%C3%A3+envenenada.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 356px; DISPLAY: block; HEIGHT: 400px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5408806019595136338" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_kcQmNjwJUhM/Sw_wavD2bVI/AAAAAAAAAEQ/yUr4MeAxQ4I/s400/Paula+Rego,+ma%C3%A7%C3%A3+envenenada.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:78%;"&gt;Paula Rego - Swallows The Poison Apple&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Branca de neve, é agora que apareces!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BN: Mas eu não sei a minha fala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então branca? Essas indicações foram-te dadas há muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BN: A culpa não é minha, sou inocente por natureza. A história vinha com algumas falas apagadas. Estava ali a comentar com o lobo se seria engano, e a nossa interpretação é de que talvez tenham feito de propósito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E qual seria a função desse propósito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BN: Ora, o improviso dá sempre um toque de realismo. Além disso esta cena entre mim, a capuchinho e o lobo é bastante estranha. Onde queres exactamente que me coloque?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde anda a capuchinho? Vocês andam desvairados, e eu só consigo concretizar as cenas a ver-vos todos juntos. Assim é impossível, peço-vos um pouco de disciplina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CV: Oi! Peço desculpa, fui visitar a minha avó num instante, porque não sabia até que ponto as filmagens de hoje iriam afectar a nossa relação. Tem calma, passam apenas 15 minutos da hora que pediste, e ainda tive de fazer os bolos. Disseste-me que fazê-los eu era um pormenor importante para activar o lado emotivo da história. Venho ansiosa, já reparaste que esta cena tem poucas falas definidas? Como fazemos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começa a Branca, que assim é mais fácil para ti, restringe-te as opções de resposta. Nesta cena estão a falar frente a frente, e o lobo está ao teu lado, sentado, também em frente a ela. Branca, não te preocupes, diz o que te passar pela cabeça, e a história logo se irá construindo. Comecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BN: Passou-se muito tempo. Muita água correu debaixo da ponte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CV: É verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BN: Canta-me alguma canção antiga…estou carente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CV: pela estrada fora, eu vou bem sozinha…levar estes bolos à minha avozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BN: Play it, lobo. Play as time goes by.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CV: O quê?! Ouve, estou um bocado cansada destes teus protagonismos, branca de neve. Sabes bem que o lobo não sabe tocar nem cantar. Chama um dos teus anões se quiseres, mas não admito que faças pouco das personagens da minha história. Além disso não és coerente, pediram-te uma personagem boa, ingénua e inocente. E tu lobo, não tens nada a dizer na criação do clímax desta história?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BN: ora, e tu?! Tão independente e protectora, quando és apenas uma criança! Achas real e coerente saberes desenvencilhar-te de um lobo no meio desta floresta?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CV: Por não ser real é que sou coerente, essa é a nossa função. Explicaram-nos na formação quão importante era a não ambivalência das personagens. Aproveito a tensão para te dizer que vi o príncipe há pouco com a Bela adormecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BN: Oooooh, com a Bela…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CV: Toma um bolo dos meus, não aguento ver-te nessa tristeza. Sou vingativa mas tenho bom fundo. E aqui começa o diminuir da tensão, teremos apenas de arranjar um final feliz. Então Branca, engasgaste-te?! Branca! O pico da tensão era o anterior! Lobo, rápido, faz-lhe a manobra de heimlich. Oh deus, eu juro que não era este o rumo da história, demorei horas a colocar as passas nos bolos, simplesmente porque a avó me disse que andavam a saber-lhe ao mesmo havia demasiado tempo. Foi por isso com amor, Branca, foi um acaso de uma passa amorosa. É incrível como a história se repete à conta dos acasos. Branca, antes que adormeças de novo na floresta tenho de te contar, aguenta-te na manobra dois segundos para que te conte que o príncipe da Bela não era o teu, por favor perdoa-me. E adormece descansada que tenho a certeza que ele irá salvar-te. Lobo, ajuda-me a terminar com tudo isto, que julgo que a cena ficou demasiado longa e eu sinto-me rigidificada nesta triangulação que afinal já é uma hexagonação, se contarmos com as personagens referidas mas não presentes. E não conto com os anões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lobo, antes de cortarmos precisamos de um improviso teu, a capuchinho tem razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;L: Que poderei eu dizer? Julgo que os problemas de três meras personagens não contam muito neste mundo louco. Um dia irás entender, capuchinho vermelho. Entretanto, estou de olho em ti, miúda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-831703430721665140?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/831703430721665140/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=831703430721665140' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/831703430721665140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/831703430721665140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2009/11/o-capuchinho-vermelho-da-branca-de-neve.html' title='O capuchinho vermelho da Branca de Neve'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_kcQmNjwJUhM/Sw_wavD2bVI/AAAAAAAAAEQ/yUr4MeAxQ4I/s72-c/Paula+Rego,+ma%C3%A7%C3%A3+envenenada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-6602529801351528408</id><published>2009-11-23T00:56:00.004Z</published><updated>2009-11-23T01:02:54.601Z</updated><title type='text'>Out of focus</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/g0FSYKcV2Mk&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/g0FSYKcV2Mk&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-6602529801351528408?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/6602529801351528408/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=6602529801351528408' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/6602529801351528408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/6602529801351528408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2009/11/out-of-focus_3018.html' title='Out of focus'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-2273285603989740164</id><published>2009-11-08T15:42:00.002Z</published><updated>2009-11-08T23:44:39.853Z</updated><title type='text'>Como uma chuva que sabe o que quer</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz rápido, estou quase quase a embarcar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falei só para perguntar como estavas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está imenso trânsito hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E também te queria falar dos espelhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como? Podes repetir? Ouves o barulho das hélices? Nem acredito que estou quase a embarcar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria falar-te sobre os espelhos e sobre o cinema. Surgiu-me a ideia de que talvez a vida espelhe o cinema, e não o contrário. Embora o cinema apareça depois, mas é aquela questão do tempo de que falávamos outro dia, lembras-te? Disseste que fomos nós a inventá-lo, e pensei que, se realmente é assim, talvez o que venha depois possa vir antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouço-te realmente mal, mas não te preocupes com o tempo, este é o meio de transporte mais seguro, aprendi no curso. Estou a apertar o cinto. Que emoção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digo rápido rápido, para tentar corresponder ao nosso tempo. Ontem, enquanto a água escorria pelas minhas costas, tentava entender qual a imagem de mim que via reflectida num espelho imaginado. No fundo faremos isto a todo o instante, uma imagem de nós a cada momento. Se tentares captar esse instante, como quando tiras uma fotografia ou quando fixas o teu olhar no espelho, poderás ter esta sensação de estranheza, porque no momento seguinte já não serás aquele, entendes? O nosso espelho mental é tão automático que nos permite não distinguir os vários slides, como no cinema. As várias fotografias de mim ficam ilusoriamente unidas na minha cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece de facto um sonho, o avião vai mesmo levantar. Fasten seat belts. Vou desligar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E entendi por que razão a palavra espelho terá aparecido ao lado da palavra cinema. Ou ao mesmo tempo, como preferires, eu prefiro ao lado porque foi a primeira imagem que me apareceu, mas desculpa que assim perco-me e eu sei que tens pouco tempo, apesar de já te ter dito que ele é independente de nós. Pensei então que a nossa vida espelha o cinema, num contínuo que não pára, por contraposição àquela nossa fotografia. Porque feliz ou infelizmente, dependendo do conteúdo, o disparo dos neurónios por vezes é tão forte que imprime a fotografia dúzias de vezes, a vida toda condensada num momento sem tempo. Estou extremamente impaciente porque isto de colocar pontuação nas ideias demora, e daqui a duas horas tenho coro e ainda não comi. Ocorreu-me entretanto, e cá está outro advérbio de tempo, que se os espelhos podem funcionar todos ao contrário, talvez o filme lá de fora espelhe o de cá de dentro, e pergunto-me: o que espelhará esta chuva miudinha sobre mim? Coloquei mesmo um ponto de interrogação porque a chuva que cai ainda não é a suficiente para espelhar pontos finais, demora até que a terra assente e fique unida outra vez. É tão bom quando sai aquela chuva de rompante e nos dá a sensação segura duma chuva que sabe o que quer. Digo-te tudo isto num repente, não apenas por causa do tempo e do teu avião, mas para ver se é a pontuação que me impede de chegar ao que quero captar, que é aquele instante exacto em que a terra bate na chuva e eu posso finalmente apertar bem o cinto e dizer, colocando um ponto final no fim da afirmação: aí vou eu outra vez. Ligo-te quando chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-2273285603989740164?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/2273285603989740164/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=2273285603989740164' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/2273285603989740164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/2273285603989740164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2009/11/como-uma-chuva-que-sabe-o-que-quer.html' title='Como uma chuva que sabe o que quer'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-1584479171387833889</id><published>2009-10-26T11:39:00.006Z</published><updated>2009-10-26T20:20:53.264Z</updated><title type='text'>Blondina</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Menina!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peter Pan! Oh Peter querido. Passei pelo supermercado, porque me faltava pasta de dentes. Nunca imaginei encontrar-te por aqui. Que saudades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reparo que lês a história da Blondina. Advirto-te que derramarás lágrimas, no estado em que te encontras. Que fazes à história?! Porque colas estas imagens de pastas de dentes no meio do diálogo entre a Blondina e o Rei Benigno?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para lhe dar um pouco de realismo, Peter. Ou talvez mesmo para confundir-me. Sabes como gosto de o fazer. Li algures que tem um efeito terapêutico, bloqueia aquela nossa lógica do hemisfério esquerdo. Peter, sabes que a cara e as mãos são as partes do corpo mais representadas no cérebro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fazia ideia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o bolbo raquidiano é responsável pela manutenção das funções involuntárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tais como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como a respiração, ou a secreção lacrimal. Olha, mudaram-nos de sítio! Nota que estamos já em minha casa. Diz-me ela que lhe surgem vários contextos, e que como personagens temos apenas de nos adaptar. O que vale é que voas, senão seriam tremendamente difíceis estas mudanças. Pan, suspeito que é o seu hemisfério direito que predomina agora, são aqueles momentos em que lhe custa dar nomes às coisas. Pensando bem, já nem sei bem o teu nome, Peter. Pergunto-me porque me terá posto a ler a Blondina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz-me ela que se quer lembrar de todas as personagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh Peter, eu sabia, vê tu em que estado pôs ela de repente este supermercado, os livros todos espalhados, a corça branca no meio da carne, o pêlo de arminho nos queijos e os mais belos contos de grimm rodeados de bolachas. Muito gosta ela de bolachas, e vendo bem é uma palavra tão redonda. Peter, aguenta-te na zona dos iogurtes por favor, que eu prometo que te vou buscar no meio de tantos lacticínios. Rebolam os pacotes de leite, e apesar de serem paralelepípedos julgo que ela os pode pôr a rebolar, e eu apenas me pergunto porquê tamanho filme, meu deus, porque terá ela de colocar-nos a nós a sentir desta maneira, será que não imagina como fico cansada no final?! Tudo para que se tranquilize a colocar histórias dentro de histórias e personagens dentro de personagens?! Atenção, eu sou apenas uma menina! E ele é o Peter! Apelo agora à presença da Dra Sininho nesta história, porque eu sinto que o meu bolbo raquidiano poderá tomar conta de mim e eu involuntariamente me autonomizar dela e fazer o que me apetece, que afinal tem sido muito tempo a fazer esta personagem. Mas Peter, aconteça o que acontecer, quero que saibas que sou eu que te amo, não foi apenas ela que me pôs a amar-te. E que aconteça o que acontecer podes estar seguro de que te irei buscar aos iogurtes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-1584479171387833889?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/1584479171387833889/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=1584479171387833889' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/1584479171387833889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/1584479171387833889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2009/10/blondina.html' title='Blondina'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-4212838303770321086</id><published>2009-10-17T17:22:00.007+01:00</published><updated>2009-10-18T17:08:35.834+01:00</updated><title type='text'>Azul marinho (clique aqui)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Psiiiiu. Estás a dormir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em que pensas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava a pensar que esta bola de Berlim estava mesmo boa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escreves? É tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabes que gosto de escrever a estas horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É dramático?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não sei, mas julgo que não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tens as mãos suadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade, mas sabes que não bastam as sensações corporais. A música é de certa forma tranquila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizes isso porque não entendes a letra da canção. E a cor? Qual é a cor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez azul, mas marinho, como aquele azul da Córsega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim chamas outras personagens para a conversa. E a imagem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabes que é estranho? Porque a imagem é de prédios. A rua vazia, e os prédios cheios de gente, de um lado para o outro de um lado para o outro, agarram nos pratos e nos talheres e há também os fornos cheios de comida quente. E nessa imagem eu estou cá fora e vejo-os a todos, e de repente tenho milhares de olhos. O olho é um órgão extraordinário, não te parece?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quais são as emoções associadas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quantidade de perguntas faz-me mudar de contexto, dra. E tenho de dizer-lhes isso de alguma forma, para que me possam seguir. Gostava de não falar sobre as emoções, ou pelo menos deixá-las para o fim, tenho medo de varrer assim o pré-frontal, e desatar a chorar aqui e inundar-lhe o consultório. Sabia que a composição química das lágrimas muda conforme a razão por que choramos? E se depois elas me invadem, e de certa forma me embalam, e não tenho tempo de voltar ao lugar seguro? Porque tudo isto é muito rápido, e muitas vezes sinto que o tempo cronológico não coincide com o meu. Ainda estou a processar o séc. XVIII e já estamos no XXI. Imagino-me com aqueles vestidos e ainda sem existirem prédios cheios de luzes, quero aqueles fatos mais um pouco, só mais 5 minutos, não me quero deitar já. A imagem agora saltou dra, estão a puxar-me para a frente e eu cravo os pés e dobro os joelhos e faço força para trás e digo ao tempo, que é ele que me está a puxar, digo-lhe que sou lenta. Ele responde-me que deixar-se passar faz parte da sua definição, e tem razão, que eu fui confirmar ao dicionário. Inicio então um novo diálogo com o tempo, porque são eles, os diálogos, que me dão o presente, e eu preciso tanto tanto dele. E das bolas de Berlim e da minha imagem a rir-me no jardim do campo grande, e quando ela aparece é um bocadinho de presente outra vez, e neste caso presente é também uma oferta, ofereço-me essa memória e sinto-a agora, e sentir já são emoções, não ponho pontos para não me perder pelo caminho porque estamos mesmo mesmo quase dentro do sistema límbico apesar de ser através das palavras. Não percebo a letra da canção mas tenho a certeza que ela diz isto que sinto, não poderia ser de outra forma. Ouço-a repetidamente para compor a memória, que às vezes anda descomposta. Só mais 5 minutos dra, que é o tempo de ela tocar, e de chegarmos ao passado no presente. Eu avisei-a de que ia inundar-lhe o consultório. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-4212838303770321086?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.box.net/shared/5eyyjuq0ke' title='Azul marinho (clique aqui)'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/4212838303770321086/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=4212838303770321086' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/4212838303770321086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/4212838303770321086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2009/10/azul-marinho.html' title='Azul marinho (clique aqui)'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-8697620552534428238</id><published>2009-10-05T13:03:00.001+01:00</published><updated>2009-10-05T13:08:00.431+01:00</updated><title type='text'>Esquadros</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Boa tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boa tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria uma folha de papel cavalinho, por favor. E um lápis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que número, menina?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria um lápis para desenhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer desenhar com traços largos ou mais finos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Largos, para ver se não me perco em perfeccionismos. No entanto, se usar um traço mais largo talvez tenha de ser mais precisa. Como as palavras, vão entrando umas dentro das outras, o que faz com que a última seja mais abrangente, mas ao mesmo tempo terá de significar exactamente aquilo que eu quero dizer, e nesse sentido é mais fina. Desculpe, estava aqui a pensar, e se calhar é melhor um lápis com um número mais baixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leva um 2B.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Histórias tão cheias que ficam como esta folha de papel cavalinho em branco, embora possa parecer estranho o conceito. De um branco cheio, entendes? Absolutamente cheio de pormenores. Se experimentares e começares a apagar, começarão a aparecer formas. É verdade, bicho! E a certo ponto são já tantas que se torna confuso. Tantos traços, meu deus, e aqui faço um trocadilho entre os traços do lápis e os traços característicos das pessoas. Bombardeios de personagens com as mais variadas formas, e elas surgem todas sempre ao mesmo tempo, todos sabemos que nuns dias o telefone nunca toca e nos outros não pára, cheio de novas informações ou antigas que se actualizam, e nós a dizer para dentro ao universo que afinal pedimos mal, queremos sossego outra vez. Desculpe, também queria uma borracha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verde ou branca?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Branca. Tudo branco e sossegado, quietas, ordeno! ou desligo o telefone. Mas elas saltam-me do papel, quase independentes da minha borracha branca branca. Os meus desenhos da escola ficavam sempre todos esborratados, sabes quando o carvão se espalha? porque às vezes sou trapalhona e a minha mão passava sem querer por cima do que já estava feito, e eu depois tentava apagar o esborratado e ficava sempre com menos um bocado da forma original. Pior ainda quando as formas originais eram geométricas, porque se notava mais o sujo. Tem esquadros baratos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estão nesta montra. Vou atendendo este senhor enquanto decide.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, quando o branco já está muito apagado e a folha de papel cavalinho está quase preta de tanto carvão, começamos de novo a apagar aquelas formas todas que surgiram, como um escultor a retirar pedaços da pedra. Vê, os dois processos são iguais mas com consequências opostas. Será que andaremos sempre nisto vida fora, apagando, apagando, ora o preto ora o branco? Eu adoro, mas é bastante cansativo, e às vezes não sei qual dos processos hei-de escolher. Terei de me calar agora, porque senão esta folha fica muito cheia de caracteres, que aqui é quase o mesmo que dizer letras, há apenas um número pelo meio. E depois eu terei de ir retirando palavras, não imaginas quantas vezes já carreguei no delete durante este tempo todo. Foi tanto tanto tempo que o sr. já atendeu as outras pessoas todas. E eu ainda não me decidi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-8697620552534428238?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/8697620552534428238/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=8697620552534428238' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/8697620552534428238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/8697620552534428238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2009/10/esquadros.html' title='Esquadros'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-352895551276272690</id><published>2009-09-25T22:07:00.004+01:00</published><updated>2009-09-25T23:17:18.008+01:00</updated><title type='text'>RNA mensageiro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não fazia ideia, amor. Porque não me contaste tudo isso antes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De alguma forma pensei que soubesses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como saberia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdes-te tantas vezes longamente a observar as minhas costas…Pensei que por cada segundo que lá passas me observasses a um nível cada vez mais profundo, e pudesses entender sem to dizer. Primeiro olhas as costas por inteiro, e depois a omoplata saliente, e depois o pescoço, e depois estes pequenos cabelos que temos nesta zona, ao pé da orelha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São pelos que tens aí, não são cabelos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E depois este bocadinho de pele. Quando observamos bem, assim com olhos de quem quer compreender, vêem-se uns sulcos, que não chegam a ser as paredes das células, mas aqui dá-me jeito dizer que sim, porque me interessa a imagem das minhas células a tocar-se. E depois, se olhares com a outra visão, tens aqui de treinar a tua atenção, estou convencida que vês as minhas moléculas, e dentro delas o núcleo, onde vês não apenas o meu ADN, mas também aquelas polimerases que fazem a transcrição, que consiste na síntese de RNA mensageiro. Este processo, este último, é universal. Nota bem, de entre todos os conteúdos de que te falo, é o mais micro que é universal. A nossa tendência será a contrária, não? De olhar para o universo para encontrar o universal. Achas que posso ficar aqui para sempre, colada à célula da pele do meu pescoço?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para sempre não, há que ser flexível. É o movimento que é importante, a tua atenção deve estar no salto. Para que possas sempre regressar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se me perco na ida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Puxas-te entretanto, mas suavemente. Sem julgamentos. Começarás a sentir que decides. Quando vais, e quando ficas. E bem sabes como sentires que escolhes é importante na transformação da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque aprendemos a não escolher?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez para reagirmos rápido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não será bom então esse automatismo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terá sido. Num outro contexto. Aquele que me faltava para compreender o teu núcleo. Porque não me contaste tudo isso antes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque pensei que soubesses. Mas lá no fundo, talvez fosse para que me perguntasses, amor.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-352895551276272690?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/352895551276272690/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=352895551276272690' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/352895551276272690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/352895551276272690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2009/09/rna-mensageiro.html' title='RNA mensageiro'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-8812185032660477583</id><published>2009-09-14T11:20:00.002+01:00</published><updated>2009-09-14T11:27:37.913+01:00</updated><title type='text'>Relatividade especial</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Dra Sininho…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso fazer-lhe uma pergunta indiscreta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O seu cabelo é mesmo louro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É importante para si?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer possível alteração neste momento é importante para mim. Conhece-me, sabe como são estas fases, é muita informação para gerir. Vou-me então certificando, pé ante pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São fases difíceis para todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa estratégia é de normalização. Mas sabe como terá de ser equilibrada com a ideia da minha especificidade, mesmo nas fragilidades. É engraçado, é importante sabermos que somos todos frágeis da mesma forma, mas que até nisso somos únicos. Sou especial para si, dra sininho? Apesar das minhas personagens serem afinal as mesmas que as dos filmes de animação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro. As personagens são as mesmas mas o todo é diferente. O que acha que a fará sentir-se especial comigo? Ou o que lhe faltará para que tal aconteça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que fará que as mesmas partes criem todos diferentes? E agora inverteu o processo, dra. Sendo essa pergunta genuína, pergunta-me directamente a minha opinião. Julgo que são coisas pequenas. Desculpe, mantemos conversas paralelas, o que criará alguma confusão. Mas assim condensamos. Se fossemos separar os vários temas poderíamos ocupar mais do que o tempo estipulado, e mais do que o espaço de uma página, e sabe que espaço-tempo é aquele sistema de coordenadas para o estudo da relatividade, geral e especial. Vê como os temas se encaixam sem sequer darmos conta de como isso acontece? Senti-me especial, por exemplo, quando vi as suas lágrimas ao descrever-lhe aquele encontro da Betty Boop com o monstro das bolachas. Na altura balbuciou “que engraçado”. Julgo que sorria também. Mas as suas lágrimas, dra sininho, foram o factor decisivo. Talvez por me terem indicado que naquele momento vivia, de facto, a minha história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A junção das personagens num todo é sua. Não será criação de uma personagem. Antes algo mais essencial, mais pequeno, mais simples. E porque acha que as lágrimas davam indicação que lá chegava? Ao centro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acha que o todo não é uma personagem que contém todas as outras, dra? Hoje está bastante afirmativa. Eu não sou apenas mais uma personagem? As lágrimas mostraram que os seus neurónios empáticos se ligavam à minha história através de um qualquer fio condutor. Aqueles de que falava há um ano atrás e que segundo as notícias são afectados pelos jogos de vídeo. Sabia? As crianças que jogam muito choram menos com as histórias dos outros. E de repente, após as lágrimas, era já a Sininho da minha história. Como sabe? Sobre o todo que não é personagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez não saiba. Será outro tipo de neurónios a dar conta que existe sem personagem? Mas além de todas as dúvidas prometo-lhe que, para si, o meu cabelo é mesmo louro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-8812185032660477583?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/8812185032660477583/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=8812185032660477583' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/8812185032660477583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/8812185032660477583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2009/09/relatividade-especial.html' title='Relatividade especial'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-978121259153805998</id><published>2009-09-03T22:26:00.004+01:00</published><updated>2009-09-03T23:57:09.894+01:00</updated><title type='text'>Exposição</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Estranho-te. Que se passa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até eu estranho o meu silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguma razão concreta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julgo que a função da exposição anda a mudar. Mas ainda não terá adquirido nova forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não entendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembras-te quando me disseste que te contava os pormenores todos? Há já muito tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me lembro de todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa altura falava que nem uma desbragada. Contava-te o que me tinha acontecido no autocarro, quando quase deixei de respirar ao engasgar-me, ainda me lembro tão bem da mala da escola nesse 8ºano. E que o saco do lixo se tinha rompido no elevador, com o senhor do 4º andar a olhar para mim e para o chão alternadamente. E como tinha acordado nesse dia com um murro no estômago, depois daquele sonho que tinha tido com o Peter Pan a escovar-me o cabelo, que ia caindo, caindo, e ele a dizer com escárnio que o meu cabelo era fraco. Que fraco é o teu cabelo, que fraco é, dizia assim. Eram entretanto muitos Pans, todos a tocar flauta. E tu disseste-me que todos aqueles pormenores não interessavam. Passei a prestar atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos teus gestos e às tuas palavras. Eles protegiam-me, e não poderia correr o risco de voltar a sentir aquela mágoa. Os meus pormenores eram importantes para mim. Fui metendo as palavras todas para dentro, as minhas e as tuas, e os teus gestos, e a tua pele. Foram muitas palavras e muitas peles e muitos cheiros, e até os cheiros foram engolidos, não foram apenas cheirados, e ficaram todos juntos num silêncio imobilizador. Estás a seguir o processo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É para isso que cá estou. Para a ouvir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois será. E essa foi uma terceira fase, aquela em que a Dra me ouviu. Eram 50 minutos avassaladores na quantidade de pormenores que sabia irrelevantes mas que, precisava eu, não seriam irrelevantes para si. Entretanto, com o hábito, talvez das férias, deixei mesmo de ter o que quer que fosse para lhe dizer, Dra Sininho. Será que foi o seu papel que mudou? Por ter a certeza que lá está, independentemente do conteúdo? Toda a exposição servirá para isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderá ser mais afirmativa agora, julgo, e dar-me a sua opinião. Tem sido longo este processo. Sabe que a quantidade de opiniões vai aumentando ao longo das sessões? E vão diminuindo os hum hums. Será este um pormenor interessante? A Dra. também terá aprendido esse equilíbrio, sobre a quantidade de hum hums e de opiniões que poderia aplicar em cada caso. Será que…Dra Sininho, também já sonhou com Peter Pans?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro. Os processos são os mesmos. E talvez haja uma outra fase. Em que a exposição adquire outra função.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interessante, dizia isso no início desta conversa. Quando tentava entender o que significaria o meu silêncio. Que função, Dra. Sininho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não seja ansiosa. Descobrirá. Eu sou uma fada, e estou habituada a esperar, porque o meu maior sonho é vir a ter o tamanho dos humanos para poder abraçar o Peter Pan. E isso vai acontecer-me. E isso vai acontecer-lhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-978121259153805998?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/978121259153805998/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=978121259153805998' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/978121259153805998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/978121259153805998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2009/09/exposicao.html' title='Exposição'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-7353628404150769798</id><published>2009-07-31T01:03:00.000+01:00</published><updated>2009-07-31T01:05:13.368+01:00</updated><title type='text'>Férias</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_kcQmNjwJUhM/SnI0_3XYOhI/AAAAAAAAAEI/9hhjzONuAKQ/s1600-h/F%C3%A9rias.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5364408377950091794" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 146px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_kcQmNjwJUhM/SnI0_3XYOhI/AAAAAAAAAEI/9hhjzONuAKQ/s400/F%C3%A9rias.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-7353628404150769798?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/7353628404150769798/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=7353628404150769798' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/7353628404150769798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/7353628404150769798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2009/07/ferias.html' title='Férias'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_kcQmNjwJUhM/SnI0_3XYOhI/AAAAAAAAAEI/9hhjzONuAKQ/s72-c/F%C3%A9rias.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-8826890367101822989</id><published>2009-07-17T16:12:00.000+01:00</published><updated>2009-07-17T16:18:43.231+01:00</updated><title type='text'>Cathy (clique aqui)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há cinema nas conchas hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje não posso. E nunca nos encontraríamos. Não te conheço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sabes, o cinema nas conchas é maravilhoso, porque estamos no meio das árvores, e está um ligeiro fresco à noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tens um sítio fixo para escrever? Qual é o teu perfil? Tens de acrescentar informação ao teu perfil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentes-te parte de algo maior. E há o barulho das rãs juntamente com o barulho do ecrã gigante. Impressionou-me o silêncio das pessoas. Andaremos todos desejosos de silêncio? Deve ser a minha vontade que o sentimento seja geral. É geral?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andamos todos cansados, sim. É o fim do ano lectivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostava de conhecer o Rodrigo Leão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tens sabido do João? Porque choras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Choro sempre a ouvir esta música. É tensa mas calma, entendes? Ando comovida com tudo, o que queres. Comovo-me a olhar para a planta, e a contar os fios dos nervos e a ver forma que assumiu para ir de encontro à luz. Comigo a gostar do filho do João. Com os jaquinzinhos que estavam tão bons. Com o teu cabelo despenteado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não tenho o cabelo despenteado. Que idade tens?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinhas sim, o cabelo despenteado. Sou uma criança, não podia pôr isso no perfil. Será possível chorar de ternura? Sabes que associo sempre a palavra cordeiro à palavra ternura? Será pela semelhança fonética, ou pelo significado que atribuo ao bicho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há nada que se coma em tua casa? Estou cheio de fome. Por falar em bichos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo continua, tudo continua sempre. A tua fome, as árvores, os sons, o sono. Apesar de tudo mudar, inclusivamente eu, que já aprendi a gostar de uma certa oscilação. Agora que penso, será o facto de se manterem que me faz achá-los fantásticos? À tua fome, às árvores, aos sons, ao sono. Como se me protegessem. Acharei belo o que é perene? Comover-me-ei com o transitório por contraposição ao que é eterno? Será natural esta minha alienação, esta minha estranheza? Já não sei qual dos estímulos me provocou esta reacção, a minha amígdala resolveu disparar e eu nem sei porquê. Talvez o teu amor, ou a música do Rodrigo Leão, ou a minha fome, ou o meu cordeiro, que por sinal está óptimo, come-o. Ando a falar bastante em comida nos meus textos, notaste? Tens este efeito em mim, fazes-me disparar a amígdala de cada vez que te vejo, como se fossem todos os estímulos de toda a minha vida em conjunto a saírem num jacto. Bem sei que sou melodramática, mas ando a precisar de um certo romantismo. São muitos anos a andar para a frente, a andar para a frente. Foi tanto tempo que me apaixonei pela minha planta, e pela tua fome, e pela minha árvore, e pelo meu sono. Como uma tensão tão grande que se acumula e sai para todos os lados, basta tocar-me ao de leve, ou sentir-me de manhã quando acordo. Penso e sinto as várias partes do corpo, e o lençol a passar-me pela pele pela pele. Apesar de tudo mudar, tudo mudar sempre. Apesar da angústia. É um conforto a minha pele no lençol.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-8826890367101822989?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.box.net/shared/c7s1v7r7uu' title='Cathy (clique aqui)'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/8826890367101822989/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=8826890367101822989' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/8826890367101822989'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/8826890367101822989'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2009/07/cathy-clique-aqui.html' title='Cathy (clique aqui)'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-7495067528061196814</id><published>2009-07-11T22:40:00.003+01:00</published><updated>2009-07-11T22:50:04.366+01:00</updated><title type='text'>Associação livre</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Bom dia Dra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom dia Rosa. Conte-me, trouxe-me o trabalho de casa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trouxe sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então diga-me. Nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde vive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Austrália.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porquê na Austrália?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque imagino os cangurus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quais são as cores predominantes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verde e cor de laranja. A rapariga é ruiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um cavalo a andar muito depressa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hum hum. Pensou muito, ou essa imagem veio-lhe espontaneamente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei bastante. Mas foi espontânea. Essa ideia de que a verdade é mais imediata é antiga, Dra. Complicado será aceder ao primitivo e exprimi-lo nesta nossa lógica. Não sei como hei-de dizer-lhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já experimentou fazê-lo directamente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que quer dizer “directamente”? A partir do momento em que o exprimo deixará de ser directo. Queria que sentisse sem ter de lhe dizer. Sempre pensei que era óbvia, Dra. Gabava-me da minha transparência. Entretanto disse-me que eu era incompreensível. E compreender a minha própria incompreensão foi terrível. Tu devias ser ruiva, era o que me dizia. Nasceste para ser ruiva. Morena nunca irás ser compreendida. E bem sabe que todos temos este sonho que nos abarquem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porquê ruiva?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez associe a cor ao fogo, e o fogo à luta. E a imagem do cavalo a correr bate certo, não? Estou pronta para uma sessão de psicanálise.Talvez seja má ideia, imagino a interpretação do cavalo a correr. Mas atenção Dra, apesar de tudo eu estava consciente. Não entendem eles que a angústia é natural, e que o facto de a afirmar me faz tranquilizar-me nela. E a luta pode ser alegre, imagina um fogo triste? A minha angústia é cor de fogo. E o cavalo do meu sonho é castanho, quase preto. Imagino que preto deva ser morte nos sonhos sonhados, afinal é uma sinestesia básica. Será esta uma angústia de morte?! Dra! Onde veio parar a associação livre! Devia chamar-se antes angústia de vida, mudava-lhe logo o significado e provavelmente deixaria de ser fonte de insónias. Mas descanse, porque a minha imagem tem verde, e cor de fogo, e ainda a Austrália, que não sei que cores terá, e cangurus. Sonhar com cangurus deve ser sinal de vitalidade, não? Sempre aos saltos…Vou terminar, Dra. Que isto da associação livre é muito cansativo, e estas cores todas confundem-me e eu hoje estou em modo controlador, preciso de alguma ordem. Pode terminar a dra? Custa-me tanta liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daqui a duas semanas? Cá a espero, à mesma hora. Desta vez sem trabalhos de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-7495067528061196814?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/7495067528061196814/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=7495067528061196814' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/7495067528061196814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/7495067528061196814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2009/07/imagem.html' title='Associação livre'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-366241735023786482</id><published>2009-07-01T00:50:00.003+01:00</published><updated>2009-07-01T00:52:05.665+01:00</updated><title type='text'>Este post não é sobre o Charlie Brown</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O que estudas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A histórias culturalmente disponíveis que as pessoas utilizam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que utilizam para quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para dar passado e presente e futuro às suas vidas. Interessas-te realmente pelo que estudo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro, caso contrário não perguntaria. Gosto tanto de ti. E diz-me, há muitas histórias?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na base serão poucas. Mas claro, poderás inventar uma infinidade delas, se as combinares entre si. Porque gostas de mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei. Gosto dessa tua forma de comeres os espinafres com queijo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me digas que me babei a comer. Morro de medo que isso me aconteça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. Julgo que é o prazer de estar que passa por ti. Estás aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou. Talvez por isso a Teresa goste tanto de me alimentar. Sabias que há pessoas que têm uma esquizofrenia numa língua e noutra não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sério?! Isso é tão giro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabia que ias gostar. Achas que é porque os arquétipos culturais são diferentes? Utilizam outra forma de formatar o mundo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em que outro país gostarias de viver daqui a 10 anos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei…se fosse viver para o Japão ias visitar-me?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro. Nessa altura a distância impunha a necessidade de nos encontrarmos. Talvez fosse até uma forma de nos vermos mais. Come mais caril.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero mais. É tão bom estar aqui contigo. Achas que lhes diga?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quê? E além disso é indiferente. Que saibam ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque é tão bom? Tenho tantas saudades, agora que te ponho a falar comigo. Sabes que às vezes faço isto, só para me lembrar das saudades que tenho tuas. Prometo que me lembro de ti tantas vezes. Prometo até que falas comigo tantas vezes. E dizes disparates, e rimo-nos tanto os dois. Prometo que te dá saúde, porque não é possível que a quantidade de riso que te dou à personagem não te dê saúde. De vez em quando também falamos a sério, apesar de ser difícil. Ponho-te a falar comigo sobre arquétipos e assim, mas no fundo sabemos que nos estamos a rir e assim. Algumas pessoas, o João por exemplo, julgam tantas vezes que este meu ar interessado, peremptório, por vezes mesmo exaltado a falar de arquétipos e assim, que sou eu a pensar que eles existem mesmo, e põem-se a contrapor com outras palavras. Que não, que isto dos arquétipos não é nada como pensamos. E que angustiados que somos, caso contrário utilizaríamos outras palavras para estes estados, e falaríamos antes de outros assuntos, chatos dos psis. Não entendem eles que mesmo quando nós discutimos, quando discutimos assim alto os dois, que tu a discutir elevas um pouco a voz. Sabias? Porque também te ris alto, tinha de te dar coerência. Vês logo como é alguém pela forma como se ri, ou como não se ri. Não entendem eles que quando discutimos há um riso profundo que nos protege.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-366241735023786482?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/366241735023786482/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=366241735023786482' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/366241735023786482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/366241735023786482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2009/07/este-post-nao-e-sobre-o-charlie-brown.html' title='Este post não é sobre o Charlie Brown'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-8744066357678930260</id><published>2009-06-21T23:15:00.003+01:00</published><updated>2009-06-26T12:05:10.755+01:00</updated><title type='text'>Não és tu, pois não Charlie?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Por que me hablas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No sé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bueno. Y te quedarás en silencio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No tengo nada para decirte. Pero supe que te quería hablar. Me entiendes si te hablar en portugués?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No te entiendo de todo. En cualquier lengua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, assim posso escolher a que me apetecer. Aquela em que me exprima melhor. Espera um segundo, tocaram-me à porta. Deixa-me só ver quem é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicidad. El ordenador se queda loco com mis cambios de personages. Ya no sabe lo que corrigir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Soou-me a crítica a tua confirmação. Achas que há quem seja realmente só um?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julgo que não. Mas talvez haja quem se sinta um mais facilmente. E não estarás a projectar a auto-crítica?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que dependerá essa facilidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o facto das várias personagens serem condescendentes umas com as outras. Ou darem-se tão bem que podem falar e gritar todas ao mesmo tempo sem que ninguém se zangue. Ou uma delas dominar sem que dês conta, e fica o assunto resolvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E as outras não aumentam de tamanho ao longo do tempo se forem estranguladas? Imagino-as a ficarem gordas de raiva por não as deixares existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um risco, sim. Vês, essa é outra a falar. Não notas pelo tom?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade. Foi repentino, mas talvez porque comecei a falar contigo, e não com o meu interlocutor anterior. Não será bem outra, apenas uma conjugação diferente. Charlie, se não somos um, o que muda? Apenas um deles?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez. Mas bem sabes como a parte afecta o todo. Dizem eles que essa mudança será de segunda ordem. Muda-te a existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não devia ser de primeira, dada a sua importância? Desculpa. Não queria de todo vir parar a este tema, mas poderia nunca mais ter tempo para ele. De vez em quando começo a ficar assim, com as mãos suadas, à espera que me venham os temas e as palavras certas para me sentir. À espera. À espera. E nada. Devia aprender mais línguas, talvez conseguisse sentir-me em russo, ou em japonês. Quem sou eu, hoje? кто я сегодня? Сегодня я русский. Eu hoje sou russa. Perdão pela minha loucura, sabes como é. Isto de haver traduções online é uma tentação. Estou sempre a ver se me traduzem. Será que a minha loucura é trans-cultural, Charlie? Esta coisa de tudo ser histórica e culturalmente situado amarfanha-me. Preciso de algumas generalidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses tradutores não são bons. Olha para essa construção…esperemos que não haja russos por aqui, e com a quantidade de gente que te anda a visitar terás de rezar para tal não acontecer. Temos de desconstruir-te, bichinha! Ver em que língua funcionam os vários órgãos, e como chegaram a essas construções frásicas. Analisar esse baço, histórica e culturalmente situado. E esse estômago, e essa garganta, que parece que anda ressentida por falares tão pouco. Já sabes que a tua garganta é exigente. E lobinho…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu nunca me chamas lobinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem está aí? Não és tu, pois não Charlie?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-8744066357678930260?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/8744066357678930260/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=8744066357678930260' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/8744066357678930260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/8744066357678930260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2009/06/nao-es-tu-pois-nao-charlie.html' title='Não és tu, pois não Charlie?'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-5180553265405913551</id><published>2009-06-11T16:39:00.003+01:00</published><updated>2009-06-13T01:44:49.255+01:00</updated><title type='text'>Esperas por mim, Charlie Brown?</title><content type='html'>Então? Aparece, já estou cansada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procura bem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou de férias, não é justo fazeres-me andar assim neste desvario.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procura bem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quero procurar. Estou cansada de tantas perguntas. Será possível viver um pouco sem perguntas? Porque acharíamos tão divertido, ainda tão pequenos, brincar a fugir uns dos outros? Quais são os insectos que mais se aproximam dos homens? Porque é que os castores constroem barragens? Há mamíferos sem pêlos? Porque é que os cangurus têm uma bolsa? Porque fica tão feliz um bebé a encontrar os olhos escondidos por trás das mãos, vezes e vezes e vezes sem conta? A que velocidade crescem os cabelos? Porque não podemos respirar debaixo de água? Que quantidade de sangue temos no corpo? O que é uma nódoa negra? As borboletas diurnas fazem casulo? A que se assemelha uma enguia jovem? Os peixes voadores voam mesmo? Como é que os pirilampos se iluminam? Porque trememos quando temos frio? Porque não podemos ter varicela mais do que uma vez? Por que razão coramos? Porque é necessário sentir a dor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela protege-te de coisas ainda mais terríveis. Por exemplo, se tens alguma coisa num ouvido, as células nervosas enviam uma mensagem de dor ao cérebro e este fica a saber que se passa algo de estranho e decide o que deve fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem és tu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou o Charlie Brown. Não te lembras de mim? Tinhas seis anos quando nos conhecemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porquê tantos porquês, Charlie Brown? Que te deu para fazeres um livro com respostas sobre todas as espécies animais, do caracol ao homem? Vamos parar, Charlie. Nos próximos tempos vamos inverter a lógica de encontro entre as perguntas e as respostas. Um aranhiço é um animal aparentado com as aranhas mas que não tece teias. Esta resposta andava escondida, pobre, desencontrada da sua pergunta. O que é um aranhiço? Viste, Charlie Brown? A resposta encontrou a sua pergunta! Também isto é circular, não são só os comportamentos das pessoas. Estou cansada da circularidade, Brown Charlie, precisamos de nos iludir com finais e recomeços. Na verdade não fazes todas as perguntas, só as que fazem sentido, e isto é um ciclo sem fim, e eu ando demasiado cansada. Entenderás? Preciso de fins, para haver uma certa coerência com o tempo. Se me ponho a pensar que o futuro influencia tanto o passado quanto o contrário…Charlie!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz minha querida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pareceu-me que estavas distraído. Charlie, as minhas células nervosas…andam a enviar sms ao meu cérebro a dizer que se passa algo. E o meu cérebro decidiu. Não procurar. Vou de férias, pelo menos uns dias. Esperas por mim, Charlie Brown?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-5180553265405913551?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/5180553265405913551/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=5180553265405913551' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/5180553265405913551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/5180553265405913551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2009/06/esperas-por-mim-charlie-brown.html' title='Esperas por mim, Charlie Brown?'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-1536105862554620852</id><published>2009-05-28T16:30:00.007+01:00</published><updated>2009-06-03T13:04:18.593+01:00</updated><title type='text'>O teu pé esquerdo</title><content type='html'>Estou aqui! Não me vês?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que cor é o teu cabelo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Castanho. Não me vês?! Aqui! Estou a acenar! Tenho a certeza que és tu, do outro lado da alameda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os teus olhos, de que cor são?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Castanhos. Não me vês?! João! Como é possível?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o nariz, como é o teu nariz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei definir narizes, Ana, muito menos o meu. Vou levantar agora o meu pé esquerdo. Viste? Caramba Raul, sou eu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vejo. Podes ser mais explícita na tua identificação? Já pensaste que todos estes problemas podem ser fruto disso? Como podes esperar que saiba quem és?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas…mas nós combinámos, António. Combinámos que quando nos encontrássemos saberíamos. Desconfio agora que não sejas tu, não é possível afirmares algo com tanta veemência, e de repente mudares de ideias quanto ao meu reconhecimento. Se há coisa que parece ser importante é a confiança do reconhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom Maria, passou-se tempo, e eu li entretanto tantos livros. Foram muitas personagens, e de todas fui pondo um bocadinho em ti. E depois, o conjunto dos sítios não deu a alameda da universidade, foi no jardim do príncipe real que te construí em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A alameda tem relva. Compreende, nem tudo poderá corresponder à história. Há que ser flexível. E sou eu, querido. Não poderia ser outra pessoa a levantar assim o pé esquerdo, e a gritar João! com esta transparência na voz. E a sair do autocarro num repente apenas porque te vi. Como podes duvidar? Tu, que sempre me disseste que esta impulsividade era tão característica. Mas está este trânsito descomunal, que me impõe esta dificuldade e não me deixa ver-te ao perto. Parece que esta também constitui uma das grandes formas narrativas, uma perturbação repentina, a personagem lutadora que vai ultrapassando os vários obstáculos, até que tudo acaba em bem. Na verdade a estrutura dos filmes anda a mudar. Como não havia a nossa de mudar também, mais cedo ou mais tarde?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem sabes que demorará. É um processo, meu bem. Não mudamos de filme de um momento para o outro. Ou quem sabe de um momento para o outro, mas depois de vários bocadinhos de nós terem começado a gritar do outro lado da alameda. Coitados dos nossos bocadinhos, roucos que eles estão, e eu aqui a escrever a tese e a mandá-los calar, porque só consigo trabalhar em silêncio. Talvez por isso ande a sentir-me tão culpada. Vão-me dizendo subliminarmente que sentem a minha falta ali no sofá, e que a sra. dos tempos livres passa mais tempo com eles do que eu. Qualquer dia jantam lá, dizem-me. Estão tão crescidos, Maria, havias de vê-los, são umas crianças adultas. É um paradoxo isto de só se ouvir as crianças quando elas já são adultas. A história é outra, e no entanto terá de ser a mesma. És tu pois, do outro lado da alameda. A mesma. Minha menina. Desculpa. A história da alameda. É que as árvores do jardim do príncipe real. Menina. O teu pé esquerdo. Menina minha. As árvores do príncipe. Desculpa. O jardim das árvores do outro lado do real. Quase não me deixaram ver o teu pé esquerdo a levantar-se.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-1536105862554620852?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/1536105862554620852/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=1536105862554620852' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/1536105862554620852'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/1536105862554620852'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2009/05/o-teu-pe-esquerdo.html' title='O teu pé esquerdo'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-2667509137089895808</id><published>2009-05-18T01:26:00.004+01:00</published><updated>2009-05-18T12:06:01.441+01:00</updated><title type='text'>Os olhos da Rosa</title><content type='html'>Bom dia Dra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom dia Rosa. Sente-se. Que se passa? Pareceu-me que tudo andava tranquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E anda. Mas ontem quando acordei, achei que estava a ver mal. Fomos então ao oftalmologista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fomos? A quem se refere? E o que lhe aconteceu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui com a Rosa. Porque foi ela que me deu a indicação de que algo não estaria bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Rosa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse-me ela, assim que acordei, que algo de estranho se passava. Que não era eu. Comecei por dizer-lhe que seria talvez por ser cedo, e não é meu costume fazer-me ver com o sol em determinada posição. Sabe como o contexto influencia, ainda mais a posição do sol. Mas ela disse-me que não, porque até a cor dos meus olhos tinha mudado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que se passou na noite anterior? A Rosa sentiu algo de diferente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela sentiu. Mas não conseguia nomear, além da diferença nos meus olhos. Implorou-me para que voltasse, que me deixaria ser o que eu quisesse, que nunca mais me faria uma fita. Chorava como uma criança. Que não conseguiria olhar para mim com outros olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meus. E os dela, bem sabe que depende dos quatro. E, na verdade, enquanto a Rosa me falava dos olhos, senti-me absolutamente triste, embora tranquila. Ela não notava, mas começou a ficar com uma cor de pele esquisita, e a cabeça dela aumentou. Ficou parecida com um feto com seis meses de gestação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que lhe disse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acalmei-a, claro. Que não mudaria nunca. Mas enganei-a, Dra. Não podemos mudar de olhos e dizermo-nos os mesmos. E também não lhe falei da cabeça a aumentar, e da sua meninice que brotava, com todas aquelas lágrimas grossas, ainda que tudo isso me enchesse de ternura. Até porque, pensei, seria a nova cor dos meus olhos a responsável, e não seria justo inquietá-la por algo sobre o qual não teria qualquer poder. Já bastava a minha mudança. Corri para o espelho, e ela sempre comigo, e os nossos quatro olhos fitavam-nos do lado de lá, o que no conjunto dá oito olhos, todos a olharem uns para os outros. Era demasiada gente a dar a sua opinião sobre uma coisa que, algo me dizia naquele momento, seria simples, pequeno, apaixonadamente reduzido, apesar de todo aquele estardalhaço. A Rosa pôs-se então aos gritos, esses já de mulher e na fase de raiva, que julgo que é a seguinte. Que não era possível, como podia enganá-la assim, e ter-lhe escondido uma coisa destas. Haveria pior traição? E eu dizia as balelas de sempre. Que não, que os outros olhos sempre tinham sido dela, inteiramente dela. Olhei-a então, a agarrá-la com os novos olhos, como quando apertamos algo com força na esperança de que não se evapore.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela disse-me, através dos oito olhos que nos viam, que lhe desse uns minutos, para se despedir. E se a seguir ia com ela ao oftalmologista. Parecia-lhe andar a ver mal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-2667509137089895808?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/2667509137089895808/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=2667509137089895808' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/2667509137089895808'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/2667509137089895808'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2009/05/os-olhos-da-rosa.html' title='Os olhos da Rosa'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-1043771545167991717</id><published>2009-05-09T01:42:00.005+01:00</published><updated>2009-05-09T13:31:20.576+01:00</updated><title type='text'>Há aqui rãs (clique aqui)</title><content type='html'>Porque achas que a descrição tranquiliza?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei. Talvez por associares directamente uma realidade a um texto. Por achares que compreendes, ou mesmo que sabes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou tão cansada hoje, que preciso de descrições. Que inveja tenho daquele bebé. É tudo ainda para ser, e não falo apenas na possibilidade de ser futebolista, ou gestor, ou bailarino, ou cantor, ou. Falo de ser. Descrevo-te como que para tentar que existas além da minha forma de te descrever, não dando conta que mesmo a descrição é um engano. És mais do que a forma que te dou, amor. E gosto tanto de ti. Nunca poderei ver-te, ainda que na minha ingenuidade tentasse fazer um retrato factual. Agora que penso em ti, não me lembro se tens bigode. Tens bigode?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou aqui ao teu lado, passarinho. Que te aconteceu com a memória?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabes que tenho má memória visual…que confusão me faz não saber se tens bigode. Ouves as rãs? Voltaram. Com os grilos. Porque será que este ano as rãs se sobrepõem aos grilos? Nada à volta mudou, os sons são os mesmos. Perco-me pensando no que sou, e se os grilos serão os mesmos e apenas eu terei mudado. Quem sou eu nesta nova forma? Quero tanto que me digas, e no entanto peço-te silêncio. Poderás dizer-me quem sou em silêncio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabes que isso será impossível, conhecemo-nos um ao outro nas formas que assumimos. Continuas a andar com o papel do bolo. Só não sei o que te deu para comeres esse queijo com papel de propósito. Que comportamentos estranhos tens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria sentir-me…e cala-te, amor, porque me apagas com as tuas palavras. Porque não me dás o teu silêncio? Mas aquele silêncio presente, como quando te concentras a ouvir os grilos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entende, passarinho. Gosto de ti e por isso te aconselho. Tira-te quando vais para a rua, como tiras os sapatos quando entras em casa. E se não o fazes devias fazer. Cada coisa no seu lugar, passarinhos para um lado e humanos para o outro. Imagina-te, com as penas todas sujas de palavras. E o humano cheio desse passarinho, que poderão pensar? Até a frase é esquisita, quanto mais a realidade que representa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouve as rãs que te dou. Vou-te dando os vários animais, na esperança que me entendas. Arranjei esta bem alto, só para ti. Não andarás um pouco surdo? Compreendes agora porque se sobreporão elas este ano, esta rã fala altíssimo. Mas não a tomes como realidade, é um efeito de som. Na verdade, um duplo engano, nem de uma reprodução se trata. Não fiques triste, meu bicho. Porque eu te prometo, do fundo do coração que te prometo. Apesar de ser um efeito, esta rã existe mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-1043771545167991717?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.box.net/shared/jx9m2ny47o' title='Há aqui rãs (clique aqui)'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/1043771545167991717/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=1043771545167991717' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/1043771545167991717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/1043771545167991717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2009/05/ha-aqui-ras.html' title='Há aqui rãs (clique aqui)'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-7857127540452904199</id><published>2009-05-01T00:47:00.004+01:00</published><updated>2009-05-01T01:10:28.489+01:00</updated><title type='text'>E só estou triste hoje porque eu estou cansada</title><content type='html'>JL - O adulto é sempre solitário?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CL - O adulto é triste e solitário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JL - E a criança?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CL - A criança…tem a fantasia, solta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JL - A partir de que momento, de acordo com a escritora, o ser humano vai-se transformando em triste e solitário?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CL - Isso é segredo. Desculpe, eu não vou responder. A qualquer momento da vida, basta um…um choque um pouco inesperado, e isso acontece. Mas eu não sou solitária não, tenho muitos amigos. E só estou triste hoje porque eu estou cansada. De um modo geral eu sou alegre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clarice Lispector, em &lt;a href="http://www.ciberescritas.com/?p=3506" target="_blank"&gt;entrevista&lt;/a&gt; ao jornalista Júlio Lerner&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/9ad7b6kqyok&amp;amp;hl=en&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/9ad7b6kqyok&amp;hl=en&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-7857127540452904199?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/7857127540452904199/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=7857127540452904199' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/7857127540452904199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/7857127540452904199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2009/05/e-so-estou-triste-hoje-porque-eu-estou.html' title='E só estou triste hoje porque eu estou cansada'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-2278619232379792922</id><published>2009-04-24T16:42:00.005+01:00</published><updated>2009-04-25T00:55:39.147+01:00</updated><title type='text'>Antárctida</title><content type='html'>Meu querido. Escrevo-te esta carta, para ver se me percebo. E para que valides o que escrevo, que também sou eu. Queria contar-te o que ando a fazer, de algum modo ando a precisar de simplesmente descrever o meu dia, e de partilhar a árvore aqui mesmo junto à janela, e o parque, e o autocarro a passar cheio de gente. Adoro ver as pessoas no autocarro, é uma beleza de gente. Falaram-me entretanto da eco para desmarcar. Porque não será possível algo simples, como o autocarro que passa? E da Dinamarca, nada, nem um sinal. Esteve sol hoje, vesti algo mais fresco. Mas sabes que às vezes tanta leveza perturba-me, esta leveza do sol a brilhar dispersa-me. O frio concentrava-me, ficava aqui feita bloco de gelo, o que às vezes era um perigo, porque assim que surgia o sol eu explodia, ainda que apenas já de noite. Juntei “apenas” e “já”, mas não me soou bem. Que achas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom. Apenas já de noite. Esse vulcanismo tão característico trouxe-nos dissabores, mas que hei-de fazer? Experimentei fazer como nos géisers, deixar-me sair assim aos poucos, mas sentia que não era eu em altura nenhuma, entendes? Seria uma coisa chocha, de vez em quando saía um rim, depois um fígado, e sabes que isolados não têm graça nenhuma, e sobretudo deixam de fazer sentido, o sentido está na relação. Não dizes que a união faz a força? Aí está outro significado para a mesma ordem de palavras. São fantásticos aqueles dias em que está frio e sol ao mesmo tempo, de uma inteireza avassaladora. Isto já vai além da descrição a que me propus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De uma inteireza avassaladora. Passei então ali pela lavandaria para pôr o tapete a lavar, e telefonei para a contabilidade para saber dos recibos. Fui depois ver um filme muito curioso, havias de gostar. Um conjunto de personagens que se encontrava na Antárctida, encontraram-se ali no fim do mundo porque acharam que o meio estava vazio. Terminava um deles dizendo que o mundo tinha consciência de si através do nosso reflexo. Achei uma boa imagem e resolvi partilhá-la contigo. Falei-te. Tu nem notavas, mas eu tentava desbobinar a minha vida em cinco minutos, julgo que para mantermos uma qualquer ligação, mesmo contigo que nem sei quem és. Mas ia jurar que andas escondido por aí. Não andaremos todos? E a seguir terminava com uma frase sobre nós, talvez no futuro. O que achas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sê mais sucinta. E experimenta virar-te um pouco mais de lado para a câmara. Quando chegares a meio viras-te de frente, para que te vejam bem. Misturas assim o mistério com a transparência. Pode ser? Podes recomeçar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu querido. Escrevo-te esta carta, nem sei bem porquê, nem para quê. Apenas porque tenho de ser por algum lado. Contigo. Talvez na Antárctida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-2278619232379792922?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/2278619232379792922/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=2278619232379792922' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/2278619232379792922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/2278619232379792922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2009/04/antarctida.html' title='Antárctida'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-5528782837288588832</id><published>2009-04-16T23:30:00.004+01:00</published><updated>2009-04-17T01:19:50.015+01:00</updated><title type='text'>A verdade do fumo</title><content type='html'>Olá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpe, é que estava a olhá-lo, e a constatar que estava no meu sonho de 6ª feira passada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que lhe digo. Tenho fraca memória visual, mas quando reencontro alguém, sei-o. Eu estava a fumar um cigarro e estava comigo, também a fumar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina não fuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senhor não sabe nada sobre mim. Não fumo, mas fumava no meu sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca poderia estar no seu sonho, nunca nos vimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lamento desiludi-lo, mas estava. Aceite. Pode aceitar? O verdadeiro amor está na aceitação. Quando aceitamos que não poderemos compreender tudo. Não pode controlar o meu sonho. O meu sonho é meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho amor por si, não a conheço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meu sonho tinha. E nunca sentiu amor por desconhecidos? Às vezes estou nesse estado. Queria agarrá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mim?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, ao estado. Já não me agarro a pessoas, mas ainda me tento agarrar a estados. Até constatar que são como as pessoas. Fogem-me. Apesar de eu ter desenvolvido esta minha capacidade de entender o que certos gestos, juntamente com certas palavras e certos silêncios, poderão querer dizer. Por exemplo, esse seu jeito com a mão. E esse olhar desviado quando lhe falo em agarrá-lo. Tinha colocado aqui mais uma ou outra descrição sobre si, mas senti, ou pensei, o leitor sabe que por vezes se confundem, que aumentar o pormenor retira a verdade à ideia. Mas não o quero maçar com as verdades, sei que elas podem ser muito maçadoras. Andam às voltas a maçar, a maçar, podes-me trazer um copo de água, gostas desta roupa nova que trago hoje, e depois uma birra, um pequeno drama, só para nós sabermos que existem. Voltando aos estados. Partilhava noutro dia consigo, chamavas-te Rafa no meu sonho, calculo que de Rafael, partilhava consigo a alegria pela beleza do que nos foge. Saiu-me assim, compreenderás? É o mais perto da verdade que me vem à cabeça. Já quis compreender a beleza, mas assim que tento agarrá-la deixa de existir. Aqui um equilíbrio…porque foi a compreensão que me permitiu apreciar a beleza, inclusivamente a de não compreender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina é louca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava louca por ti no sonho, Rafa. Estávamos os dois loucos a partilhar a beleza da vida. Era tão bom, sentíamos os dois a leveza da transitoriedade. Chorávamos, Rafa, tal era a felicidade de sentir que sentias que eu sentia a mesma coisa. O que se pode pedir mais da vida? Éramos transparentes, creio. Não, invisíveis. Ninguém nos via no jardim, só se via o fumo dos cigarros. A Sra. Miralina comentou até comigo que foi notícia o facto de se ver fumo de tabaco sem corpos que o causassem, e bem sabes que as pessoas procuram as causas para as coisas, ainda mais quando metem fogos e fumos e assim. Mal sabiam eles que tudo isso fazia parte do meu sonho. Dei então corpos ao fumo, também eu caí no erro das outras personagens, e quis compreender. E nesse instante, nesse preciso instante, deixei de te amar, e tu a mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-5528782837288588832?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/5528782837288588832/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=5528782837288588832' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/5528782837288588832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/5528782837288588832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2009/04/verdade-do-fumo.html' title='A verdade do fumo'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-479774526802910383</id><published>2009-04-05T13:53:00.000+01:00</published><updated>2009-04-05T13:56:19.793+01:00</updated><title type='text'>Traição</title><content type='html'>Estás aí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espera. Tive de te deixar por uns momentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem comigo ver “o som no cinema”. O que te fez ir-te embora assim, sem dizeres nada, ao fim de tanto tempo de união?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que sentes quando estou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se uma imagem me perseguisse. Sobrevoa-me. És quem me permite observar-me com tranquilidade na minha agitação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que tens medo? Se tiveres medo que eu desapareça deixas de me ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da ilusão. Sabes que tudo isto é uma invenção. Estas várias formas que assumimos. A consciência da ilusão é aterradora. Por isso iludo-me pensando que não tenho consciência dela. Da ilusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Iludes-te conscientemente para enganar a consciência da ilusão? Que trapalhona és. E eu serei então mais uma invenção. Que nome tenho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não te dou nome, para que existas mantendo a tua essência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não será o contrário? Se me deres um nome passarei a existir, pelo menos na tua cabeça. Eu sou a…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não! Não quero dar-te nome, não quero saber quem és. Assim existes de certeza, ainda que sem nome. Porque se não existisses eu não saberia que estou agora com o meu polegar na boca, e a constatar a forma do meu dedo. Desde pequena que gosto de fazer isto. Imagino o dedo, a partir do que sinto nos lábios. Também faço corações com a língua a bater nas gengivas. Depois ponho o joelho assim, e amo profundamente a marca que lá está, observando-a a mover-se enquanto mexo o joelho. E tu sempre a ver-me. És a única que sabe disto. Não tenho de te explicar porque acabei a fazer corações com a língua, até porque não há razões. Espero que nunca me traias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é nas gengivas que fazes. É nos dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos de baixo. Que me perdoe a minha querida amiga, mas não sei o nome. Ficaria aqui tão bem. Espera um pouco, vou procurar no Google. Incisivos centrais. Que fácil era.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podes colocar-me a trair-te. Podes colocar-me a fazer o que quiseres. Improvisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que dizes? Não te posso manipular. O processo é o contrário. És tu quem observa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observo mas não manipulo. E foste tu que me criaste. Enfim, não sei quem terá criado quem. Experimenta dar-me ordens. Mamã dá licença? Desculpem-me, também já fui criança e estas coisas vêm-me à cabeça. Quantos passos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dá então dois passos para a esquerda. Dois à formiga para a esquerda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já está.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incrível. Vejo-te dois passos deslocada para a esquerda. Ainda que pequenos, mas visíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vês? Que te disse? Fazes o que quiseres comigo. Agora vejo-te de perfil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu não tens lugar. És apenas uma presença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Presença” é palavra. Não me definas, já que não queres que me perca. Andaria aí a gritar que sou presença, que sou presença. Presente! Diria. Que diz esta? Alguém lhe perguntou alguma coisa? Diriam. Imaginas alguém a compreender isto? Se fosse a ti pensava um pouco antes de escrever. Minha pequenina. E não penses que estás a ficar doida, porque senão a doideira passa a existir também para os outros, o que será um problema, porque tu já estás habituada mas os outros não. Dirão que me inventaste, e que te inventaste, para dares coerência à história, e poderão até não andar longe da verdade, mas não tens de lhes contar os segredos todos. A do coração com a língua, por exemplo. Porque lhes contas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles quem? Apenas tu sabes, juro-te! É segredo nosso. A não ser que tu me traias. E eu nunca te poria a trair-me.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-479774526802910383?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/479774526802910383/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=479774526802910383' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/479774526802910383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/479774526802910383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2009/04/traicao.html' title='Traição'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-4626941819983524092</id><published>2009-03-30T13:11:00.002+01:00</published><updated>2009-03-30T13:18:38.950+01:00</updated><title type='text'>Conselhos da Lagarta</title><content type='html'>“Ora, não vale a pena chorar assim!”, disse ela para consigo, com bastante severidade. “Vamos mas é calar-nos já!”. Ela, geralmente, dava muito bons conselhos a si própria (apesar de muito raramente os seguir) e às vezes auto-censurava-se com tanta dureza que lhe vinham as lágrimas aos olhos; e lembrou-se até daquela vez em que tentara puxar as orelhas a si própria por ter feito batota num jogo de críquete que ela estava a jogar sozinha contra ela própria, pois esta estranha criança gostava muito de fingir que era duas pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mas não vale a pena, agora, fingir que sou duas pessoas”, pensava a pobre Alice, “pois já pouco resta de mim que dê para fazer uma pessoa que se veja!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[…]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem és tu? – disse a Lagarta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas palavras não eram lá muito encorajadoras para começar uma conversa. Alice respondeu timidamente:  - Eu…senhor, eu agora neste momento nem sei. Sei, pelo menos, o que eu era, quando me levantei esta manhã, mas acho que devo ter mudado várias vezes desde essa altura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que história é essa? – disse a Lagarta, com um ar severo – Explica-te bem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não me posso explicar, senhor, porque eu não sou eu, percebe…- disse a Alice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não percebo, não! – disse a Lagarta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho que não me sei explicar melhor – respondeu Alice, muito delicadamente – porque, para começar, nem eu mesma percebo; mudar tantas vezes de tamanho, num só dia, faz muita confusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso é que não faz - disse a Lagarta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem, talvez o senhor ainda não tenha sentido isso – disse a Alice – mas quando tiver de se transformar em Crisálida, sabe, isso há-de acontecer-lhe um dia, e depois disso em borboleta, penso que vai achar isso tudo um pouco estranho, não vai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não vou achar mesmo nada estranho – respondeu a Lagarta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem, talvez o senhor sinta de uma maneira diferente – disse Alice - ; tudo o que sei é que, se fosse eu, achava isso muito estranho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se fosse eu…! – exclamou a Lagarta, com um ar de desprezo. – Mas quem és tu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[…]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Então tu achas que estás mudada, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acho que sim – disse Alice -, não consigo lembrar-me das coisas como dantes e não consigo ter o mesmo tamanho durante mais de dez minutos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- De que espécie de coisas é que não te lembras? – perguntou a Lagarta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bem…eu tentei recitar a história da abelhinha, mas saiu-me tudo muito diferente! – respondeu Alice, com uma voz muito triste&lt;br /&gt;[…]&lt;br /&gt; - …eu gostava de ficar um bocadinho maior, se o senhor não se importar – respondeu a Alice - , oito centímetros é uma altura tão desagradável de se ter!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É uma altura mesmo muito boa! – disse a Lagarta, zangada, endireitando-se toda enquanto falava (ela tinha exactamente oito centímetros de altura).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas eu não estou habituada! – defendeu-se a pobre Alice, lastimando-se. E pensou: “Era bom que estas criaturas não se ofendessem com tanta facilidade!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hás-de habituar-te com o tempo – disse a Lagarta; pôs o cachimbo na boca e começou a fumar outra vez. […] Um dos lados é que te há-de fazer crescer e o outro é que te há-de fazer minguar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Um dos lados de quê? O outro lado de quê?”, pensou Alice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lewis Carroll, &lt;em&gt;Alice no País das Maravilhas&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-4626941819983524092?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/4626941819983524092/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=4626941819983524092' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/4626941819983524092'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/4626941819983524092'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2009/03/conselhos-da-lagarta.html' title='Conselhos da Lagarta'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-5752947067513411688</id><published>2009-03-23T17:26:00.000Z</published><updated>2009-03-23T17:27:31.340Z</updated><title type='text'>Para todo o sempre</title><content type='html'>Diz-me. Por favor diz-me que era mentira, quando com a tua voz clara, colocada, projectada, me disseste que nos iríamos encontrar sempre. Para todo o sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era mentira, meu amor. Apesar de nos irmos encontrar sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz-me que era mentira quando me disseste que os meus pés eram os mais bonitos do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era mentira. Apesar dos teus pés serem de facto tão bonitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz-me, por favor diz-me, que era mentira quando me chamaste. E que é mentira quando me chamas. Que tudo isso que dizes no meio do silêncio é uma distorção dos meios de comunicação utilizados. E que no fundo não queres dizer nada. Que nenhuma das palavras que de vez em quando te passam pela cabeça tem qualquer ligação comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era mentira. Penso em ti tantas vezes sem nunca pensar em ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diz-me que é mentira este sofá. E a televisão, e o puff, e o cortinado novo. E as árvores, e o metro, e um pouco mais longe aquele edifício, o que ganhou um prémio, e um pouco mais longe a tua casa onde já não vives. Diz-me. Que os meus olhos e os meus ouvidos e a minha boca são teoria com que vejo o mundo. Que a matéria não existe, diz-me. Diz-me que morreste. Diz-me que ainda que os meus olhos te vejam não existes, que nunca exististe. Diz-me que estou tremendamente enganada, que toda a minha vida foi um engano. Mas di-lo com carinho. Diz que a culpa foi das circunstâncias e não minha. Diz-me que apesar de ter escolhido tudo mal não escolhi mal porque não tinha outra escolha. Diz-me que apenas o meu riso é verdadeiro, diz. Que o meu riso existe realmente, essencialmente, não há nada a fazer, porque fica preso noutras memórias para todo o sempre, mesmo quando as memórias morrem. Diz-me que a memória não existe, é coisa inventada por nós para existirmos. Quais hipocampos e adenosinas. Diz-me assim. Mas sempre com os teus braços abertos e compreensivos, como quem compreende não só com a cabeça mas também com os olhos e os ouvidos e a boca, e ainda a pele. Diz-me que é verdade que o meu sol voltou. E que é verdade aquele instante em que julgo entrar em comunhão com deus, mesmo sendo agnóstica. E que é verdade aquela imagem de que o mundo começou sem tempo, e que nós o inventámos, ao passado e ao futuro, como connosco. Se não houvesse passado e futuro tudo estava certo, e eu não precisava de te pedir nada, nem de esclarecer nada, nem de fazer a minha árvore genealógica, nem o meu genograma, nem o meu genodrama. Não existiria nada para comparar, nem nada a transformar. Eu ficaria sem trabalho de vez, não haveria tempo para transformações. Não querido, não haveria tempo é uma expressão literal, não é uma forma de falar da pressa das pessoas. Seria isso que querias dizer com o cantinho que nos arranjaste? Um cantinho sem tempo. Diz-me que é verdade. Que tudo isto é mentira. Que nenhum de nós existiu, e que apenas porque não existes e eu não existo e ele não existe e nós não existimos e eles não existem, me podes, ou me pode, é melhor começar a tratar-te na terceira pessoa, sempre mantemos a distância, dizer que sim, que é mentira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-5752947067513411688?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/5752947067513411688/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=5752947067513411688' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/5752947067513411688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/5752947067513411688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2009/03/para-todo-o-sempre.html' title='Para todo o sempre'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-5310333226973721988</id><published>2009-03-13T02:00:00.002Z</published><updated>2009-03-13T02:05:43.345Z</updated><title type='text'>Excepções</title><content type='html'>Minha querida, que leve estás. Pareces um balão a flutuar. É como te sentes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Humm, não será bem isso…Apenas esta sensação…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não será de assinalar, de marcar, de dar um nome a essa sensação? Para que possas recordá-la quando te pedirem as excepções aos momentos de angústia. Que te aconteceu? Onde foste? Com quem estavas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vim agora do cinema. Fui sozinha, João. Uma outra via, uma outra possibilidade. Uma história diferente, e parece que de alguma forma condizente com as novas experiências, e isso fará toda a diferença para uma verdadeira melhoria. Bem sabes como lutava contra aquela vida limpa e climatizada. A Joana disse-me no outro dia que eu estava com bom aspecto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece-me bom, embora não entenda completamente o que dizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falávamos da resiliência, e do que isso significaria. No congresso bem nos disseram que ela só existe para quem a examina. Não será assim com todos os conceitos? Um prazer estar no cinema sozinha, e poder chorar à vontade sem que olhasses para mim sem olhar, e pensasses sobre mim sem pensar, e partilhasses comigo sem partilhar. Falavam de vidas limpas e climatizadas, também. E vim a pensar pelo caminho se a outra via não será também ela uma história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra via é contra a história pré-estabelecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois será. Mas pergunto-me se a história contra a história não será também ela pré-estabelecida. Entendes? A excepção também é necessária, quase exigida. Para que te possas sentir tão abençoado por te ter calhado essa. Para que possas pensar que estás a atingir a tua tão almejada estabilidade, João. A minha turbulência justifica-te. Não me fales de altos e baixos, nem de intranquilidades, nem de intensidades, nem de todas as palavras que tanto gostas de aplicar nos mais variados contextos. Já te disse que ninguém quer saber das tuas justificações, nem do que fazes ou não fazes com a tua vida. Não é sobre ti que pensam quando pensam em ti. Quando pensam nesta tua vida, com os teus filhos, e a tua mulher, e a tua casa, e o supermercado, e o condomínio, Rosa, como poderás ser a administradora do teu condomínio? E o pingo doce, e o dinheiro, como gastarei tanto dinheiro sem notar, e os esgotos, e a factura da zon, e a internet que não funciona, desliga o fio do computador, depois da tomada, e volta a ligar pela ordem inversa, liga e desliga e liga e desliga, sempre com esta ordem. Não quero acreditar que a minha luta esteja pré-estabelecida, porque deixará de ser a minha luta, e continuará a ser de uma qualquer super e hiper e megaestrutura. As prateleiras estão arrumadas de forma a retirares o amaciador a seguir ao shampô, e é verdade, que liso que o cabelo fica. Tudo está arrumado, rigorosamente arrumado, até quem sabe religiosamente arrumado. Menos o meu carro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-5310333226973721988?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/5310333226973721988/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=5310333226973721988' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/5310333226973721988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/5310333226973721988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2009/03/excepcoes.html' title='Excepções'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-543767908066583736</id><published>2009-03-01T22:20:00.003Z</published><updated>2009-03-02T00:00:19.670Z</updated><title type='text'>Concentra-te</title><content type='html'>Dizem que os gatos não gostam que os olhem nos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é o meu caso. Vês como te olho fixamente? E como depois fecho os olhos, enternecida com o teu olhar protector?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha gatinha…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque gostaremos de olhar nos olhos dos outros? E porque tanto vasculhas nesses papéis velhos? Vês este rato? Brinca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o mesmo rato de sempre. Como não te cansas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas brinca com atenção. Sabes que isso se nota. Não te lembras de pedires que te olhassem a saltar da piscina? É a mesma coisa. Sabias quando olhavam verdadeiramente. Quem te ensinou a saltar? Que pernas esticadas pões. E como te disponibilizas para o salto. A atenção. É a intensidade que te permite tanta atenção. Foca-te…volta a focar-te como antes, tenho saudades…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não. Ando a aprender a resistir à frustração, e a recaída faz parte do processo. Focar-me no objectivo sem que dependa dele. Dizem que os momentos de verdadeiro prazer exigem que a atenção depositada esteja num nível adequado às oportunidades existentes. Terei de aprender a reconhecê-las. Às oportunidades. Não me peças saltos tão rápidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem brincar…o que fazes que é mais importante do que vir brincar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Releio a minha correspondência. Sabes que de vez em quando tenho de o fazer, parece que me devolve. Já de pequena guardava rascunhos de tudo quanto enviava. Devia adivinhar-me 20 anos depois, nesta necessidade de me rever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anda brincar. Anda! O futuro presente está à tua frente. Não te ruborizes dessa maneira. O que dirás daqui a 20 anos? Estás a falar com um animal, e são duas da manhã! E sabes que tudo agora fica registado…o nome, o dia, a hora, o local, o número de visitas. Mesmo que decidas retirar as conversas de circulação, tudo isso fica guardado. Sempre me perguntei para onde iria toda a informação. Sou bicho, mas também faço perguntas. Quando te ponho a cabeça assim de lado, em forma de interrogação. É quando te pergunto porque não brincas. Uma informação que fica do outro lado, do outro lado do mundo. Ou será noutro mundo? Vês esta carta? Tinhas dez anos e escreviam-te que a vida era difícil. Como poderia ela parecer-te não ser, se tudo isso ficou escrito, inscrito em papel celular? E este número de telefone, ainda com sete algarismos. Porque guardas? Porque choras? Porque ris? Desculpa, dirás que a relação não é de causa efeito, mas mais uma vez te digo que sou bicho, compreende. Isso, ri-te. E chora. E ri-te, e chora, e ri-te e chora. Se aumentares a velocidade, as duas coisas começarão a acontecer ao mesmo tempo, e isso é maravilhoso. Vem brincar agora. Terminaram as perguntas. É uma ordem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-543767908066583736?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/543767908066583736/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=543767908066583736' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/543767908066583736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/543767908066583736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2009/03/concentra-te.html' title='Concentra-te'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-511327402321727206</id><published>2009-02-24T13:43:00.002Z</published><updated>2009-02-24T13:45:47.950Z</updated><title type='text'>Quero</title><content type='html'>Desculpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu entendo. Mas não sei se seria uma boa altura. Para me mostrares o quanto estou por minha conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi estratégico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fiquei eu a dizer adeus, a dizer adeus. Estou tão cansada, João. Fiz como combinámos. Vim escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece-me sensato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas gerir-me é assustador. E se descubro daquelas minhocas espongiformes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minhocas espongiformes não existem. É uma expressão tua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez resida aí o problema. Se encontro minhocas espongiformes, e larvas escopalinadas, e unicórnios com dois cornos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já sabes tudo. É só pores em prática. Deixa a bicharada sair. E essa pergunta não é verdadeira, não era o conteúdo da resposta que querias de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que queria eu realmente de ti?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Expor-te.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que te protegesse. Mas não é de todo o meu papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual é o teu papel então? Quem decide que papéis temos nas vidas dos outros? E nas nossas? Não é o papel dos terapeutas? A forma, João. Não é o papel dos terapeutas o de mudar a forma da relação? Não quero ler mais livros, não me proponhas livros que eu estou cansada de tanta informação. Não quero pensar se estou mais magra, ou mais gorda, ou antes igual, não quero que ninguém me diga que devo começar as frases na positiva, não quero explicações, não quero começar a andar sem saber que estão a olhar a ver se caio, não quero pensar que não posso ter quem me contenha se antes não me contiver, não quero sentir isto que às vezes me aparece na pele, e no fígado, e nos pés, e se vai espalhando pelo corpo todo, não quero ser sol, nem lua, nem coisa nenhuma, não quero decidir-me, não quero pensar se devo falar ou ficar calada, não quero repetir-me mas se não repetir nada não sou ninguém, não quero acreditar nas estrelas de cinema nem em estrelas de nenhuma espécie, não quero acreditar naquela figura que me apareceu à noite, que me ia estrangular ou abraçar, que sei eu sobre a intenção dos outros, não quero rótulos, não quero palavras, não quero prestar atenção aos sinais, não quero mudar nem permanecer a mesma, não quero porque não quero lutar mais. Para ser outra pessoa ou para ser quem sou. Quem sabe? E eu não quero saber.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-511327402321727206?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/511327402321727206/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=511327402321727206' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/511327402321727206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/511327402321727206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2009/02/quero.html' title='Quero'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-978197483166301353</id><published>2009-02-16T00:24:00.001Z</published><updated>2009-02-16T00:32:01.854Z</updated><title type='text'>Amor azul</title><content type='html'>Amor. Dei conta hoje que amanhã é 2ª feira, e que mais uma semana começará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As semanas não começam, meu amor. Não existem princípios ou fins para as coisas. Tudo isso é uma ilusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E esquecemo-nos de comprar pão congelado para o pequeno almoço. Porque és tão inteligente? Não suporto tamanha inteligência. Com isso dos tempos e das ilusões. Poderás apenas averiguar quando é preciso comprar pão para os pequenos almoços da próxima semana?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembras-te, amor? Daquelas palavras que dissemos, ainda que encabuladamente, porque as circunstâncias não eram as ideais. Porque insisto em ver-te o que não és? Dizem que os neuróticos só se lembram dos momentos bons, isto quando estão longe. E os outros, dos momentos maus. Sempre prefiro os primeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estás muito pensativo hoje. E dramático. Que andaste a ler?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nome da terra. A Teresa disse-me para descansar a cabeça a ler algo não muito pesado, mas é claro que peguei no que me lembrava ter-me feito derramar lágrimas. Por acaso, agora que penso, não me terá feito propriamente chorar. É de um dramatismo seco, duro. Como esta cara que te ponho, vês? Julgo que não devo fugir. Apenas ter consciência das lágrimas. Que achas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que de vez em quando devemos mesmo fugir. Desaparecer. Esse canto ainda não está bem. Experimenta outra vez. Põe o pincel azul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amor. Pensei em ir para o teatro, para poder ser. Esta nossa vida não me permite. Ser. Como poderei pôr o verde, e o azul, e o amarelo, e as cores todas? Temos tantas cores, e tantas formas, e tanta gente para ser, que não cabem aqui. Não caberão em lado nenhum. Como eu hoje, não caibo em lado nenhum. Só neste cantinho aqui, onde me enrolo enrolo com as cores todas juntas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas dá branco. É uma imagem bonita, tu arrumado ou arrumada num canto a emitir luz branca. De todas as cores de todas as personagens de todas as memórias, de todos os passados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O passado tem-me passado (esta não era de propósito, mas achei que poderia ficar, e até parecer propositada. E vai mais uma) literalmente à frente nestes dias, como que a pedir que o arrume. Como que a pedir-me que me decida. Mas é muito, são muitas sinapses entre muitos neurónios. São muitas as palavras guardadas, e eu tenho o azar de ter uma boa memória verbal. Deve ser a minha personagem feminina, são as mulheres que se lembram de todas as palavras de todas as pessoas de todos os contextos, mesmo quando proferidas em simultâneo. E às palavras juntas as emoções, os sentimentos, as sensações viscerais, já não sei bem a distinção, e isso permite-te tomar decisões sobre o futuro. De cada vez que surgirem as palavras, ainda que só uma palavra, ou as cores, ainda que só uma cor, as imagens, os contextos, todos os triliões de neurónios que se ligaram antes se voltam a ligar entre si. Tudo para que tu sintas essa cor nessa palavra nesse contexto. Vê bem, são muitos neurónios, todos a disparar ao mesmo tempo, exactamente ao mesmo tempo. Enquanto outros triliões ficam parados, na labuta de arranjarem pão para comer durante a semana. Diz-me tu, não é a memória algo de arrepiar? Tudo isto para quê? E querem que eu mude a cor das palavras, ou dê indicações aos meus biliões e triliões e quatriliões de neurónios, que lhes diga que não quero que disparem, desta vez, em simultâneo?! Que não quero?! Serão outros triliões de neurónios a disparar “não quero!”. Uma luta entre neurónios. Não hei-de eu estar cansado ou cansada, no cansaço não existem questões de género. São muitos anos a juntar-te azul, amor. Levarei os mesmos anos a mudar-te de cor?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-978197483166301353?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/978197483166301353/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=978197483166301353' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/978197483166301353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/978197483166301353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2009/02/amor-azul.html' title='Amor azul'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-2634927073804013922</id><published>2009-02-08T19:54:00.002Z</published><updated>2009-02-08T23:47:36.405Z</updated><title type='text'>A ordem das coisas</title><content type='html'>Podes atender o telefone, por favor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai ser para ti. Porque tenho de ser sempre eu? Estou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou? Quem fala?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou eu, Vera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedi-te que não me falasses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Vera, não percebeste. Tinha de contar o que se anda a passar. Fui falar com ele, e vim tão comovida, que não podia deixar de te dizer. Não a ti. Nem que fosse por aqui. Vim a pensar que ali estava o segredo do seu sucesso, na forma como simplesmente está.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que falas? Por onde andas? Porque não falaste mais cedo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, sabes bem que não podia. Os teus silêncios autoritários não mo permitiam. Tu sabias quem eu era, não me quiseste ver. As minhas surpresas revelavam-me, mas nem sequer precisavas delas. Percebeste-me no primeiro instante, e sei que sabes. Não entendi como pudeste deixar escapar o que sabias ser tão verdadeiro. Talvez o mais verdadeiro. Será que a primeira impressão é a mais verdadeira? A imagem, a imagem…A imagem ficou aí tão feia, perante as memórias de outros momentos, que tive de apagar. Excluir, cliquei. Serviu apenas como último arranhão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que queres?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que quero não sei. Resolvi surpreender-me a mim mesma, e fui até ao Seixal. Sabes como adoro viajar, desta vez de carro. Como será que as novas ideias nos surgem? Comecei a pensar no que me dá realmente prazer, e percebi que terá a ver com a aparente impossibilidade. A solução está lá, sei-o. Como sabia que tinha de falar, durante aquela sessão. E de repente fiquei presa, bloqueada, em branco. No piano um horror, porque teria de ser aquele ré a seguir ao dó, caso contrário estragaria tudo. Mas ali não. Como quando te deixei aquelas coisas à porta de casa. O melhor de mim à porta de tua casa. Ocorreu-me aquilo ali, naquele momento, sem saber muito bem porquê. Mas o que é certo é que o significado se tornou depois bastante perceptível. O absurdo. Será que a ordem, ou o significado, lhe demos nós depois, já na quentura da casa? Ou existe uma ordem no aparentemente caótico? Hoje em dia parece-me tudo tão óbvio que é até assustador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabes que acho que constróis o óbvio. Terás de ter atenção à forma da construção, porque nos habituamos a construir o significado sempre da mesma maneira. A ideia não é nova para ti, a verdadeira transformação está na forma diferente da conjugação das partes no todo. O que te disseram no Seixal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem é ao telefone, Vera?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me lembro bem. Ficou sobretudo a vontade. De tocar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não faço ideia. Acho que era engano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-2634927073804013922?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/2634927073804013922/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=2634927073804013922' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/2634927073804013922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/2634927073804013922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2009/02/ordem-das-coisas.html' title='A ordem das coisas'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-2444099788253569026</id><published>2009-01-31T00:41:00.002Z</published><updated>2009-01-31T00:44:45.516Z</updated><title type='text'>Peter Pan</title><content type='html'>Dás-me uma bolacha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh niña, más galletas no…que te quedas gorda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por favor, faço anos…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Y por que es tu cumpleaños, puedes comer todas las galletas que quieras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Só pedi uma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que se passa hoje contigo? Porque não entras no jogo? Costumamos divertir-nos tanto com estas personagens…adoro quando te ris daquela forma descontrolada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí está algo que gosto realmente de fazer. Rir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mira, Peter Pan está llamando por ti. Me dice que no le gusta mirar tu boca reindo y tus ojos no.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que sabe o Peter Pan da minha vida? Que sabes tu da minha vida para pores o Peter Pan a falar de mim? Nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dice que eras una niña muy grande cuando naciste. Con más de 4 kilos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como lo sabe el? Cuentame mi historia, por favor…sabes que apenas com uma história congruente posso mudar realmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que queres mudar? Gosto muito de ti exactamente assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bom saber. Não sei se esta ideia de evolução nos é incutida de alguma forma, mas não consigo deixar de sentir que caminho num certo sentido que não sei qual é. Mesmo que a vida não tenha significado nenhum, se não lhe impuser algum, sinto-me completamente perdida. O passado. Se não lhe der coerência, imobilizo-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a coerência é construída. Sabes disso melhor que ninguém. Como investigam a coerência das histórias? Que razões apontam para umas serem melhores que outras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo seu valor prático, dizem. Uma perspectiva sobre os mesmos acontecimentos apenas é melhor se permitir ao indivíduo viver melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viver melhor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais adaptado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais adaptado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que queres que te diga? Que mente analítica. Mais feliz, menos angustiado. Como se o traçar da linha te permitisse ver o amanhã. Ainda que o amanhã oposto, mas sempre é uma relação de oposição com o que existia. Se acordaste todos os dias de todos estes teus 31 anos, há uma probabilidade grande de acordares amanhã também. E se souberes bem como traçar essa linha da tua história, poderás torcê-la e retorcê-la e mudar-lhe a direcção mais facilmente, porque terás mais capacidade de olhar para o novo desenho e de pensar que ainda és tu. Ainda sou eu? Achas que ainda sou eu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Y que te reías muchisimo, y desde siempre com los ojos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como lo sabe el? Como lo sabes tu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No soy yo que lo sé. Eres tu que escribes. Eres tu el Peter Pan.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-2444099788253569026?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/2444099788253569026/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=2444099788253569026' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/2444099788253569026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/2444099788253569026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2009/01/peter-pan.html' title='Peter Pan'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-5786258469494387873</id><published>2009-01-24T14:47:00.005Z</published><updated>2009-01-28T00:44:50.804Z</updated><title type='text'>Escolhas?</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_kcQmNjwJUhM/SXsqZfl-adI/AAAAAAAAABU/IdRRoxdSw84/s1600-h/ultimo+calvin.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5294872404370024914" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 359px; CURSOR: hand; HEIGHT: 147px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_kcQmNjwJUhM/SXsqZfl-adI/AAAAAAAAABU/IdRRoxdSw84/s320/ultimo+calvin.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wow, estás a fazer o trabalho do colégio? É só para quinta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, eu sei…a mãe disse que os comprimidos devem estar a funcionar…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, é que está a nevar lá fora, e eu pensei que talvez nós pudéssemos…Bem, eu não sei, diz-me tu…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpa, não estava a ouvir. Tenho mesmo de terminar isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_kcQmNjwJUhM/SXsqQRzVWAI/AAAAAAAAABM/oZkR5r0jtKs/s1600-h/ultima+calvin.gif"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5294872246049134594" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 355px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_kcQmNjwJUhM/SXsqQRzVWAI/AAAAAAAAABM/oZkR5r0jtKs/s320/ultima+calvin.gif" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Wow, nevou mesmo a noite passada! Não é maravilhoso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo familiar desapareceu! O mundo parece renovado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um novo ano…Um novo e limpo começo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É como ter uma grande folha branca de papel para desenhar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia cheio de possibilidades! É um mundo mágico, Hobbes, velho companheiro…vamos lá explorar!&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-5786258469494387873?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/5786258469494387873/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=5786258469494387873' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/5786258469494387873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/5786258469494387873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2009/01/escolhas.html' title='Escolhas?'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_kcQmNjwJUhM/SXsqZfl-adI/AAAAAAAAABU/IdRRoxdSw84/s72-c/ultimo+calvin.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-2536139778030687874</id><published>2009-01-17T01:04:00.002Z</published><updated>2009-01-17T01:16:27.619Z</updated><title type='text'>Um mundo ideal</title><content type='html'>&lt;object height="344" width="425"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/uY9vqsTN_eg&amp;amp;hl=en&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/uY9vqsTN_eg&amp;hl=en&amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dirijo-te esta carta, ainda que me digas que o registo que mantenho deva ser sempre o mesmo. Mas sabes que faço o que me apetece, pelo menos com os meus textos. Bem sei, bem sei, também são teus. Mas podem ser dos dois, ou não? No fundo não são de ninguém, bem dizem os outros. Essa necessidade de compreender tudo, de compreender tudo. Tenho pensado que, se tomares consciência, talvez consigas sentir um pouco mais, e controlar um pouco menos. Porque lá no fundo sabes disto tão bem quanto eu. Estás a pedir-te em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que queres dizer com controlar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saber com o que contas, prever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E isso é mau?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem mau nem bom, é o que é. E a constatação final do efeito espectacular de uma simples rabanada. Uma rabanada de vento, não das de comer, apesar dessas também me provocarem um grande efeito. Enfim, sabes que as tuas cadeiras estarão sempre no mesmo sítio, a não ser que tu as mudes. Maldita mania de mudar as coisas de lugar. Não te disse que este bloco tem de ficar aqui, exactamente aqui? Que é onde esteve sempre. Terá ido aí parar por acaso, mas passado este tempo acho que não haverá outro lugar mais lindo, mais perfeito, mais completamente organizado para ele. Para o bloco. Temos de impor ordem, não vá o caos tomar conta de nós, e esse não é nada calmo, ao contrário do do filme. Interrompi um pouco a escrita, para ver se desbloqueava. Andei a brincar com a gata. O que ela gosta de brincadeira. Mas logo passa à agressão, é ali uma mudança repentina que ainda não percebi. Pois, sei que as motivações não são em simultâneo. Nela. Mas o que no meu comportamento a faz ter essas passagens, não sei. Deixa o animal à vontade, lá estás tu. E deixo, mas gosto de perceber, que queres, tornou-se um hábito, um vício. Não te maravilha entender? Também tu deves ser um maravilhoso controlador, leitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E porque não podemos viver no caos? Tranquilamente? Tenho saudades…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, não te culpes. Não distinguirias nada. E talvez te ajude. A sentir de novo. Já viste? É o controlo que te tira o sentir. E é o controlo que to poderá voltar a dar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como ainda não sei. Não poderás seguramente ser assim inseguro, e as duas palavras aparecem de seguida de propósito. Seguramente e inseguro. Não penses que as palavras aparecem por acaso. Nem que aparecem com um propósito concreto. Apenas aparecem, ou não, sendo isso a única coisa que importa, ou que poderá importar. Porque, de facto, o que interessa a minha intenção? Absolutamente nada. Claro, será uma forma de comunicarmos, de nos compreendermos, de nos controlarmos. Mas, neste caso, eu não faço mesmo ideia da tua interpretação das minhas palavras, nem tu a minha das minhas, o que torna a coisa bastante mais agradável, ou pelo menos mais libertadora, do que esta ideia doida a que chegámos de que, por alguma razão obscura, que se calhar não é assim tão obscura quanto isso, temos de saber exactamente a quantos centímetros está o bloco da parede. A quantos centímetros estás de mim. Isso pensas tu, vives nessa ilusão. Que sabes a quantos centímetros estou de ti. Estou mesmo aqui deste lado, a um clique, como no anúncio. Sou eu, de vestido azul. Aquele, o azul. É verdade, estou mesmo aqui. E no entanto tão distante. Existirei mesmo? Existo existo. Cuidado por favor. Um certo cuidado, caro leitor. Se precisas tanto de controlar, bem podias controlar um pouco o cuidado. Veio-me a ideia do Aladino à cabeça, e por alguma razão será. E princesas e castelos. E daqui retomo a nossa conversa. Se souberes que algo lá vai estar sempre, aprenderás a viver melhor nele. No caos. E podes subir para os tapetes que quiseres, que a queda não será grande. E há quem lá esteja sempre para ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem? Tu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu?! É claro que não. Tu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-2536139778030687874?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/2536139778030687874/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=2536139778030687874' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/2536139778030687874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/2536139778030687874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2009/01/um-mundo-ideal.html' title='Um mundo ideal'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-5767331293827810554</id><published>2009-01-09T19:48:00.003Z</published><updated>2009-01-09T20:04:47.016Z</updated><title type='text'>Frio (clique aqui)</title><content type='html'>Está frio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está. Um movimento de contracção. Diminui a entropia. Diferente daquela nossa conversa sobre a chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já houve um outro período de frio intenso. Não te lembras? Corríamos do restaurante para tua casa. E o meu trajecto era ainda um pouco mais longo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me…Gostas de mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro. Que pergunta, logo hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem sei. Queria apenas ter a certeza, para poder estraçalhar com tudo. Foram duros tempos estes, em que não te sentia tão tranquilamente próxima. Finalmente vi-te pronta para ir ao cinema. Aviso-te desde já para manteres a calma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De vez em quando tens conversas um pouco surreais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabias que essa era a minha linha. Apesar de me fascinar essa tua racionalidade. Não só tua, mas dos que estão à tua volta. Sempre te fui dando um discurso simbólico e confuso. E chegámos mesmo a pensar naquele teu sonho em que eu entrava, lembras-te? E barquinhos, e espectáculos. O papel do inconsciente na criação. Tu lá foste indo, eu sabia que na tua nuca havia uma bicha daquelas. É na nuca não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade. Sempre me viste esse meu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora mantém a compostura. Só te fica bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas afinal o que queres? E quem és tu para te pores com esses moralismos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou tu. E é claro que sabes disto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tu própria perdes. A compostura. Como é possível vires agora dizer-me isso?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estás doida. Ou és. Não entendo a tua exigência. E que agressividade essa. Deixa-me em paz! Será que não consegues entender o que te digo?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro. Mas permanecerei sempre, ainda que penses que não. Minha bicha, ou bicha de mim. Repito-me, até ao dia em que simplesmente possa estar sem pudores. Sem teres de me ver de costas. Ah pois. Fecha esses olhos angelicais. E eu a fechá-los. Tonta. Minha diabinha. E sou. Diabinha de mim. Mas não penses que não fazes parte do sistema. Não há cá observadores independentes, e a lógica é circular. Querias que espingardasse por todos os lados, precisavas disso para te acalmar. Que o meu lado dramático gritasse. Será um pleonasmo? Pôr o dramático a gritar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sejas pedante com as figuras de estilo. E põe um pouco de lógica nessa cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá estás tu com as críticas. Que te interessa a forma como escrevo? É engraçado vires-me tu falar de lógica. Arranjei duas lógicas diferentes. E ruas diferentes, e nomes diferentes, e casas diferentes. Catapum catapum, bem sabias que não era por aí. Queres ir tão rápido que vais aos tropeções. Cheguei a pensar que tudo era real, e não apenas da minha cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É sempre na nossa cabeça. E de qualquer forma, que diferença faz? Não estudas que apenas o significado interessa? E o que vais fazer com ele agora? Com o significado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comprimi-lo. Sintetizá-lo. Será mais simples agora, com o frio. Voltou o inverno. E mais uma vez eu também. Ao meu caminho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-5767331293827810554?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.box.net/shared/c5c5v84kk0' title='Frio (clique aqui)'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/5767331293827810554/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=5767331293827810554' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/5767331293827810554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/5767331293827810554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2009/01/frio-clique-aqui.html' title='Frio (clique aqui)'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-1249989029909742575</id><published>2008-12-30T02:34:00.002Z</published><updated>2008-12-30T02:41:28.015Z</updated><title type='text'>Sos 2009</title><content type='html'>Estou sim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Linha de atendimento SOS 2009.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, eu tenho um problema muito grave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso de falar com alguém antes deste ano acabar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diga. Qual é o seu problema?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É esse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preciso de falar com alguém antes deste ano acabar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim sim. Desculpe. Estava a pensar o que havia de lhe dizer. E é comigo que quer falar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se me ouvir, claro. E se puder dê algum feedback, para ter a certeza que aí está…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um confirmador. Está óptimo. Permite estabelecer empatia. Vou então começar. Prazo de validade. Uma carne óptima, olhava para ela. Um lombo daqueles. Mas o prazo acabava-se em pouco tempo. Comecei então a pensar se seria boa ideia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hum hum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque não sei se passarei cá os próximos dias. Posso entretanto não comer a carne, o que se torna mesmo muito desagradável, tendo em conta vários factores, como o de haver muita gente com fome e também o de eu ter pouco dinheiro. Não posso desperdiçar as oportunidades. O tempo, o tempo. Incrível como sem querer os textos se ligam com o que vai acontecendo, e digo-lhe que acontece depois de escrever, o que é bastante desconcertante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prevê o que vai acontecer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está mesmo aí! Não só a ouvir-me, como a tentar compreender-me! É fantástico este vosso sistema. Claro que não peço que me compreenda de facto. Mas confirmadores, reguladores e perguntas…deveríamos aprender a fazer mais perguntas. Não há forma melhor de nos sentirmos compreendidos. Ele dizia-me que me ouvia, e que eu não podia querer que me desse respostas aos problemas. Claro. Confirmo. Mas na realidade não era isso que eu queria. Queria apenas perguntas genuínas, entende? O que eu queria realmente era achar-me na cara dele. Ou, enfim, que me dissesse “claro”, quando lhe perguntava se entendia. Precisava realmente de qualquer coisa, mas não era de uma solução imediata e estúpida. Finge que estás bem, dizia-me. Isto não é de todo estúpido, mas dependerá muito da forma como se diz. A forma, sabia que a forma é o que realmente determina? Os eventos relatados podem ser os mesmos, ou de teor ainda mais negativo do que anteriormente, mas a forma é determinante. Estou absolutamente cheia de dores de barriga hoje, e acho que é porque engoli ar naquele almoço. A conversa do lombo fora de validade começou a enjoar-me. Nem foi bem o conteúdo, digo-lhe, foi a forma desprendida com que enviaram o lombo para o lixo. O modelo que nos foram metendo na cabeça. Já não bastam as hormonas. PARA O LIXO! LOMBO PARA O LIXO! NÃO VÊS O PRAZO? Gritam o modelo em uníssono. ATENÇÃO! URGÊNCIA! CORRE! E eu a esbracejar. E afinal o que é isso de ser feliz? Uma infelicidade a invenção dessa palavra. Felicidade. Sim, é só uma palavra. Não pense que eu digo isto e não sou apanhada, faço é por reinventá-la a cada dia que passa. Um congresso sobre a felicidade, próximo ano, na faculdade. Todos a dizerem mal, totós dos optimistas, e olha. É uma questão de moda, tudo uma questão de moda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hum hum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O último regulador desta conversa. Já estou muito melhor. A Sra foi fantástica. Fico contente de ver que aprendem umas coisas sobre comunicação na faculdade. Mas que tenho eu de ficar contente? Agradeço-lhe apenas. E desejo-lhe um bom ano de 2009. Do fundo do coração.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-1249989029909742575?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/1249989029909742575/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=1249989029909742575' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/1249989029909742575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/1249989029909742575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/12/sos-2009.html' title='Sos 2009'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-7816008047031618348</id><published>2008-12-22T14:10:00.003Z</published><updated>2008-12-22T14:17:48.695Z</updated><title type='text'>Úrsula maior</title><content type='html'>Não consigo explicar este cansaço que sinto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É permanente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim. Um peso nos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anda a pensar em muitas coisas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem por isso. Ontem, no meio do jardim, senti que precisava apenas daquilo. Um sossego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que a impede de fazer isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha vida. A minha cabeça. Não me permite fazer apenas parte desse conjunto. Rapidamente sinto o barulho dos aviões aqui ao lado. E mesmo quando consigo, fico desprotegida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As minhas bases são outras. E bem sabe como precisamos de seguranças. Nem que seja do barulho dos aviões. Lembrei-me logo daquele fim de semana no Alentejo, e do espanto que causei nos outros. Uma libertação. Poder correr. Acho muitas vezes que não faço parte deste lugar. Mas logo vem uma parte de mim que diz que sim, que faço. Tenho nós por desatar, Dra. Acha que se os desatar a minha vida vai mudar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depende do significado que lhes der. E do modo como os vai gerir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho a vaga esperança de que tudo se desvaneça quando eu os compreender. Um desejo de simplicidade. Talvez aí saiba o que fazer. Aproveitar o ano novo para mudar a minha vida. Sento-me em frente ao computador para escrever. Ponto um. Não passo daí. Sempre a iminência da mudança. Serei eu que a procuro, não consigo viver sem sentir que me transformo. Uma frustração quando vejo que me repito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há coisas que repetirá sempre. Tente aceitá-las. Talvez a estratégia que utiliza não seja a melhor. O tempo, o tempo. Mude, mas dê-se tempo a si mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como distingo o que devo mudar e o que faz parte de mim? Não quero andar a reboque, ouço. A minha vida teria sido um conto de fadas, mas apareceste tu. Amiga, como hei-de fazer para ela me tratar bem? Trata-te bem a ti. Maria, os meus filhos fazem desenhos horríveis, quererá dizer alguma coisa? Dra, tenho medo dos outros. E a história da sra que viveu 6 meses naquelas condições. Um horror, dizem. E eu a compreender tudo. Aguenta-te sozinha. E o ar a cheirar a lareira, e as casas cheias de gente, se fosse mosca perdia-me, e já assim é o que é. Não és a minha querida porque isso seria injusto. E eu a compreender tudo, a compreender tudo. Não posso dar outra coisa senão insegurança, compreende. A compreender tudo. Não te armes em especial, que eu não aguento, compreende. Devagar, peço. Devagar! grito. Assim, como poderás prestar atenção a todos os sinais?! Observa. Tenho uma Úrsula maior no braço e nem davas conta. Queria crer que esses olhos me chegam cá ao fundo, mas julgo que não é verdade. Se chegassem saberias. Seguramente que saberias. Compreender tudo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-7816008047031618348?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/7816008047031618348/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=7816008047031618348' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/7816008047031618348'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/7816008047031618348'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/12/rsula-maior.html' title='Úrsula maior'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-5344627893218543243</id><published>2008-12-14T15:12:00.000Z</published><updated>2008-12-14T15:19:49.080Z</updated><title type='text'>Fim</title><content type='html'>Boa tarde. Há quanto tempo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade…Tenho andado bem. Mas ontem senti-me desesperada, por isso lhe telefonei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu entendi. Então?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não aguento esta oscilação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explique-me melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que já não sinto que seja uma oscilação de humor. Sinto que é uma oscilação entre duas pessoas. Ou entre várias pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como assim? Não é apenas outra forma de tratar a oscilação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez, mas sinto dessa maneira. Como se tivesse duas vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é óptimo, aproveita a dobrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não brinque com isto, Dra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpe, estava a desdramatizar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso só funciona com uma parte da Rosa. Começo a enlouquecer com a consciência desta separação. Quero voltar a estar tranquila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa Rosa também é apenas uma parte. Vai sentir-se mal quando estiver apenas tranquila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas preciso de uma margem de segurança para poder actuar dentro da intranquilidade. Senão começo a passar-me para o lado de lá. E nos últimos dias tenho-me alimentado disso. Do medo. O que faz com que não haja espaço para mais nada. Tento encher, tento encher, mas tudo me parece ridículo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Observe-o. Esse medo, não é ridículo também?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que lhe serve? Que função tem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A função do sintoma. Não a sabia de primeira ordem. Preenche-me. O medo. O desespero. O drama. Apesar de eu conseguir actuar no outro registo, quando assim é necessário. Estás boa, Rosa? Respondo que estou tranquila, e o que é facto é que estou, dentro dessa personagem. Não é uma questão de fingimento, o pior é que nesse momento sinto isso, o que me desconcerta. Cada vez menos tempo, cada vez menos tempo. O tempo é um conceito, o tempo não existe. E no entanto a Rosa tranquila e a Rosa intranquila vivem dele, e de saberem que a uma se sucederá outra, afinal como tudo na vida, sempre tudo a mudar. Se calhar passo bocados exageradamente longos em cada personagem, e começo a descontrolar-me. Deixa um dedo de fora, Rosa. Ou a cabeça de fora? Passam mesmo a personagens, as Rosas. Desculpa, não tenho conclusão, e tudo se tornaria demasiadamente longo. A conclusão terá de ser simples. Curta. A matar. Mas nesta sessão não consegui chegar à Rosa que queria. Como no conto sistémico, cada um lhe dá o fim que quiser. Sem esforço. Sem esforço. Ele há-de chegar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-5344627893218543243?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/5344627893218543243/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=5344627893218543243' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/5344627893218543243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/5344627893218543243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/12/fim.html' title='Fim'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-6609577559375497001</id><published>2008-12-07T16:43:00.004Z</published><updated>2008-12-08T02:09:40.377Z</updated><title type='text'>Dois em um</title><content type='html'>Estou tão perdida…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ando aqui às voltas com tanta informação. Estruturas, essências, polaridades, palavras. Há já tempo que estas coisas andavam por aqui a borbulhar. E parece que agora se juntaram todas, numa massa ainda indefinida. Até aquele seminário sobre as polaridades semânticas nas famílias me veio à cabeça. Lembras-te?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro. Comentámo-lo um pouco nesse dia, enquanto comíamos pizza no Prat.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Umas pizzas fantásticas essas. Tenho saudades. Vês, sinto-me tão afastada da realidade. Outra polaridade. Eu e a realidade. Faço parte e não faço parte. Quero voltar a conseguir desfrutar dessas sensações. Conscientemente, e tranquilamente. Mas ter cabeça para as sentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cabeça para as sentir é engraçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é a verdade. Quando consigo unir a mente com a sensação mais básica. Tento fazê-lo com estas conversas, e por vezes consigo. Senti-lo. Será a felicidade da mão de que o outro fala?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tu o sentes, será o necessário. Um feedback é apenas um feedback. Esta é a tua verdade. Esta água continua má. Eu é que já não noto, ando por aqui há tanto tempo. Sinto muitas vezes que tomei o caminho errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca é o caminho errado. É apenas um caminho possível. Fizeste o melhor que podias, a cada momento. Nada de culpas. Desculpa, tomo aqui palavras que não são minhas. Tornaram-se minhas. Ou redescobri-as. Será todo o conhecimento um reconhecimento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não entendi esse parágrafo. São várias ideias juntas. Tens de parar essa cabeça, senão torna-se difícil perceber-te.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que as várias ideias estão juntas. É um trabalho analítico, este de as separar. E parece tornar-se menos verdadeiro quando a faço. A análise. Bem sabes que o todo não é igual à soma das partes. Integrar, integrar. Separo-as para voltar a juntá-las. Há momentos breves em que sinto que o faço. Integrar os dois caminhos. São ambos tu. Sem os dois não faria sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas perdi o caminho anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não…tens consciência dele, de certa forma reganhaste-o. Olho-me repentinamente pelo espelho do computador. Várias vezes me acontece ver uma imagem que julgo não ser eu. Tomo atenção aos pormenores. A curva do olho, a definição da minha boca. Como se estivesse a olhar para um outro que afinal sou eu. Apaixono-me momentaneamente por essa imagem, pelos próprios pormenores. Afinal não é o que fazemos sempre? Descobrimo-nos através dos outros. Os pormenores dos outros. As particularidades dos outros. As qualidades dos outros. Os defeitos dos outros. Que afinal também são nossas. Disse-te que iria mudar de vida, mas não disse que implicações é que isso teria na minha relação contigo. Porque realmente não as sei. Senti cá por dentro que isso iria acontecer. Fosse qual fosse a forma. Caminho entre a luta e a espera. Luto, luto, luto. Por mim. Espero pacientemente, pacientemente, pacientemente. Por mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-6609577559375497001?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/6609577559375497001/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=6609577559375497001' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/6609577559375497001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/6609577559375497001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/12/dois-em-um.html' title='Dois em um'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-4692681934856354450</id><published>2008-11-30T17:30:00.001Z</published><updated>2008-11-30T17:33:08.305Z</updated><title type='text'>BI</title><content type='html'>Idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;30.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Humm. Então diga-me lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisava de fazer umas análises.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Umas análises ao sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas de que se queixa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disseram-me que a minha índole era preguiçosa. Queria averiguar isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem lhe disse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém. Disse-me que se baseava em factos. E como ando a produzir pouco, gostava de saber se era esse o problema. Ficava resolvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficava resolvido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim. Se esse é o meu problema, já me posso tratar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não existem análises à índole.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não existem?! Que quer dizer índole?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carácter. Temperamento. Não é quantificável. E não fazemos análises qualitativas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sabe como poderei então averiguar isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terá de auto-analisar-se. Julgo ser a única forma. Ou a mais directa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh!...mas isso é terrível. Posso nunca chegar a conclusão nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será o mais provável, sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Dr, eu preciso de me dar um nome. Não aguento viver sem nome. Por favor diga-me de sua justiça sobre a minha índole. Toda a vida me foram dando nomes diferentes para ela. Preciso da opinião de um especialista. Diga-me quem sou por favor. Para a semana vou tirar um novo BI, coisa de que já deveria ter tratado há um ano. Será mais um facto para a história da preguiça? Julgo que não, porque, pensando bem, é um grande passo, e grandes passos necessitam de tempo. E a fotografia tem sempre de mudar. A do BI. Não podemos aceitar uma igual, dizem-me na loja do cidadão, ali nas laranjeiras. Sabemos que foi há pouco tempo, mas a sua cara já não é a mesma. Está outra cidadã, seria uma fraude. De modo que esperei saber a que correspondia a nova cara. E nada. Passou-se o tempo, e continuo uma cara sem nome. Acontece que para a semana…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pode adiar? Aproveitava e controlava o seu imediatismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu imediatismo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa sua necessidade de que tudo seja resolvido no momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ooooh…! O meu imediatismo…! Imediatista e preguiçosa! Mas que conjunto. Dr., e se começar a controlar ou a eliminar esses nomes, fico vazia. Não poderá atribuir-me um nome que me passe a definir positivamente? Queria também algo para manter, para poder eliminar o resto à vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpe, estamos proibidos de o fazer. Há muitos falsos positivos. Para os defeitos, menos mal, pode estar simplesmente a eliminar algo que não tem, e por isso me aventuro. Mas para as qualidades, imagine-se a manter algo que não é...e todos lhe dizemos que tem coisas muito boas. Já a elogiei várias vezes. Não me culpe de não saber quem é. É tarefa sua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É certo. Eu é que ando perdida com os adjectivos, aqui encafuada. Precisava de uma boa nota, e tenho dificuldade em fazê-lo. Não te vou dar 20 no primeiro período, deixas de trabalhar com a arrogância. Pensas que é tudo assim fácil? Não não não. A vida é dura, minha amiga. No fim do ano, veremos se manténs essas notas. Tens de provar o que vales, tens de provar o que és, sua mimada, sem resistência à frustração, imediatista, preguiçosa, com padrões disfuncionais e sei lá que mais. No fim do ano. No fim. Só mesmo no fim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-4692681934856354450?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/4692681934856354450/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=4692681934856354450' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/4692681934856354450'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/4692681934856354450'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/11/bi.html' title='BI'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-2541170594846624251</id><published>2008-11-22T03:17:00.007Z</published><updated>2008-11-22T03:45:28.182Z</updated><title type='text'>Por me teres obrigado a comer (clique aqui)</title><content type='html'>Porque pediste esta música?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei bem. Ando a acordar a trauteá-la. Conheces-me, sabes como isto me acontece tantas vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, uma característica tua engraçada. Um traço obsessivo numa cabeça criativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh…só tu para falares de mim dessa maneira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque te conheço. E ao contrário do que diz o João, o meu traço, também obsessivo, de tanto escolher as palavras, tem a ver com o facto de não te querer reduzir a elas. Não é medo de revelar demais, mas sim de menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se tem a ver com os meus sonhos…Esta escolha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sonhos que tens tido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não falava desses. Antes uma certa nostalgia de sonhos futuros passados. Com a perfeita consciência de que hoje em dia não fariam sentido, mas sinto uma certa ternura por eles. Passou mais de um ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim. Estás diferente. De certa forma mais parecida com o que já conheci de ti há mais tempo. Sabes que construímos a trajectória da nossa história desde pequenos. Dão-nos histórias possíveis, dentro de um leque mais ou menos variado. Nichos, ou lugares mais ou menos fixos, com formas também elas mais ou menos fixas de nascer, crescer, lutar, esperar, morrer. É duro constatar que se calhar temos de mudar. As nossas trajectórias. E não é só à conta dos acasos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria agradecer-te por tudo. Um longo e ao mesmo tempo rápido ano para mim. Por me teres acolhido em tua casa naquele dia, e me teres obrigado a comer. Por acreditares tanto em mim. Por me ouvires tantas horas com discursos tão iguais. Por me teres garantido que ia passar sem que ficasse amarga. Por me teres dito que tudo ia correr bem, porque não podia ser de outra maneira. Por me admirares e o dizeres. Pelos emails diários. Por compreenderes o mesmo esqueleto por baixo do farrapo. Por me deixares ajudar-te. Por comentares os meus textos. Por sempre teres achado que o que diziam ser uma fragilidade minha para ti era uma força. És forte e frágil pelas mesmas razões, e não deram conta. Passaram ao lado, não perceberam nada. Inês, Rosa, Maria, Marília, João, António, José era o meu avô, que acabo de me lembrar dele. Imagina que me alertou na véspera, e nós que pensávamos que ele não estaria muito bem. O mais lúcido. Por te rires tanto comigo, e isso é a melhor prenda que me podem dar. Este texto é nostálgico, que é como eu estou hoje. Para não utilizar outros rótulos para estes estados. Não gosto de fazer destes textos diários sentimentais, com música de fundo a alimentar-me as lágrimas. Mas repara, não é tão dramática como o seria há uns anos, e contém esperança. A função auto-terapêutica sobrepõe-se neste caso, e por isso escrevo. Escrevo. Escrevo. Porque também mereço dar-me tréguas. Porque preciso de ir dormir. Porque já passou mais de um ano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-2541170594846624251?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.box.net/shared/xkqtf3yz7n' title='Por me teres obrigado a comer (clique aqui)'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/2541170594846624251/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=2541170594846624251' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/2541170594846624251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/2541170594846624251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/11/por-me-teres-obrigado-comer.html' title='Por me teres obrigado a comer (clique aqui)'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-6718770715179048183</id><published>2008-11-09T16:47:00.001Z</published><updated>2008-11-09T16:53:33.545Z</updated><title type='text'>Desencontros opacos</title><content type='html'>Esse livro não é teu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro a fechar. Não é teu, acho que me interpretaste mal. Não estava a falar de ti. Vim para cá a pensar nestes equívocos. Por vezes a transparência é impossível. Quero tanto clarificar esta cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andamos todos assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem todos, mas bastantes, sim. Esta pressão, esta tensão, esta urgência. Desculpa ter ido buscar estas palavras, só agora dei conta que são repetidas de outro contexto. Somos assim, sempre a repetir-nos, sempre a repetir-nos. Animais de hábitos. Ter consciência de alguns deles pode-nos fazer conseguir mudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era bom este filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era. Tantos rodeios. Pensei várias vezes antes de ser explícita, e a Dolly Bell a insinuar-se no ecrã, e as torradas com queijo, e a ternura por alguém que esteve lá, na altura certa, no momento certo. Acho que é o que procuramos todos. Já viste que a relação com os terapeutas não é senão isso? Alguém preocupado connosco durante uma hora. Uma reprodução do que procuramos. Andava bem sozinha, Raul. E juro-te que esta aproximação não foi deliberada ou estratégica. Dizem-me em sessão que mudei tanto, como conseguiu tomar essa decisão em prol de um longo prazo mais adaptado, e eu que sim, que contente que estou com o facto deste hábito, ou rotina, ou padrão ter sido cortado. Pena que tenha sido contigo, Raul. E depois não é que é o Raul que me telefona e se preocupa? Um mistério. E tudo ficou repentinamente mais tranquilo nessa nossa relação, nesse dia, nessa altura. Um acaso exterior, uma catástrofe, uma desgraça. Acho que me mudou o comportamento com ele, e ele comigo, e cá está o famoso “nós” das aulas do último ano. E a verdade é que estava a precisar que me dessem uma torrada com queijo. No livro que tenho a fechar esqueceram-se de me dar torradas. Ou não podiam, ou eu não as soube receber, não quero vitimizar-me. Sim, estou a dirigir-me a ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, isto são devaneios meus, bem sabes que as personagens podem ir mudando. Melhor, elas são quase sempre várias. O que acontece é que algumas vezes isso se torna mais explícito do que outras. Estranho é que quando o conteúdo é mais sentido, e, parece-me até, mais real, normalmente perde-se a lógica. Não sejas narcísico, este texto não é sobre ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Narcísica és tu, que te escreves a achar que alguém te sente. Que sente contigo. Já devias saber que isso é impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é. O que me perturbou verdadeiramente estes dias foi a constatação, mais uma vez, dessa solidão. E de como o mundo está do avesso. E de como nos podemos perder, todos, no meio desse avesso. E de como se podem formar angústias, ou vazios, em espaços aparentemente tão cheios, tão cheios tão cheios que começam a perder o sentido. E ele até é simples. Gosto muito de ti. Desculpa ter-me esquecido tantas vezes de o dizer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-6718770715179048183?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/6718770715179048183/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=6718770715179048183' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/6718770715179048183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/6718770715179048183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/11/desencontros-opacos.html' title='Desencontros opacos'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-6568870192341391239</id><published>2008-11-02T17:09:00.008Z</published><updated>2008-11-02T20:42:41.795Z</updated><title type='text'>Reflecting Team</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_kcQmNjwJUhM/SQ4QpXPvZtI/AAAAAAAAAAM/lO9XxrHjLj8/s1600-h/calvin.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5264163317243406034" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 109px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_kcQmNjwJUhM/SQ4QpXPvZtI/AAAAAAAAAAM/lO9XxrHjLj8/s320/calvin.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Estão cá há dois anos. Não podemos fazer mais do mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É o tempo deles. Podem demorar muito tempo até mudar. Há personalidades muito complicadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei o que isso quer dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me digas que não sentes que existem problemas mais complicados do que outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que sinto. Simplesmente porque eu não os sei resolver, ou ajudar a resolver. Parecem-me sempre defesas de quem não sabe o que fazer. Resistências dos clientes, dizem. Porque não resistências nossas? Não estou a saber sair deste buraco. É simples.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então com o que trabalhas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o que me trazem. A leitura centrada no texto. Claro que tenho uma leitura própria, minha. Afinal é para isso que aqui estão. Mas nada me leva a crer que seja mais verdadeira ou mais profunda do que qualquer outra. E qual seria o critério?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para saberes que lá chegaste. À verdade. E de que te serve? Ou a eles? Há dois anos que tentas entender profundamente o que se passa ali. Por trás. Talvez interesse mais perceber o que se passa aqui. O que já por si é bastante complicado. Já reparaste que das duas vezes que abanaste houve mudanças? Parece-me um feito mais interessante do que tecer considerações sobre o grau de espiritualidade dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não te entendo. Uma das tuas grelhas de análise é o tipo de processo narrativo. Parece que um aumento da reflexividade está associado ao sucesso da terapia. Não é isso um modelo de análise como outro qualquer? Apenas mudam as palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora já és tu mesma a criticar-te, Rosa. Acho bem que o faças, pensam que estás em casa sem fazer nada, sem fazer nada. Escreve Rosa, escreve! Há uma hora nessa posição invertida, não sei como aguentas tanto tempo a pensar no mesmo assunto. Que cansaço. É uma grelha de análise do discurso. E as categorias surgiram-me do próprio texto. Analiso a linha que aparece, não leio entrelinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca é só do próprio texto. És sempre afectada por conceitos. E um conceito é sempre teórico. A linguagem é apenas linguagem, ainda que descritiva e que não pretenda evocar nada mais que o facto. Já reparaste que às vezes descrever tranquiliza? Porque será? As explicações que dás são dadas pela própria lógica linguística, e não pela verdade. Ou pelo menos pela verdade que imaginas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse será um dos problemas. São pessoas que ali estão, do outro lado do espelho. Acho que também nos compete a nós ter cuidado. Cuidado com as imitações.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-6568870192341391239?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/6568870192341391239/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=6568870192341391239' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/6568870192341391239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/6568870192341391239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/11/reflecting-team.html' title='Reflecting Team'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_kcQmNjwJUhM/SQ4QpXPvZtI/AAAAAAAAAAM/lO9XxrHjLj8/s72-c/calvin.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-3082925343907587523</id><published>2008-10-25T17:18:00.002+01:00</published><updated>2008-10-25T17:30:44.884+01:00</updated><title type='text'>Estruturas dissipativas</title><content type='html'>Terá de ser de chofre. Porque já não sei se é de estar vazia ou demasiado cheia que ando com esta dificuldade. Em falar. E não digam que não é uma conversa, porque os teóricos dizem que é sempre para um outro. Assim que desta vez tem de ser desta forma, João. Vi-vos há bocado aos dois no jardim. Tenho dificuldade em perceber as imagens, não sabia de início se eram dois se um, e depois lá vi a outra cabeça mais claramente. Achei tão bonita a imagem das cabeças tombadas que me perguntei se serei eu que já não me lembro da sensação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;És tu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois serei. Já só penso em estruturas. Lembrei-me agora das estruturas dissipativas, mas não me lembro exactamente do que se trata. Ponho rapidamente a expressão no Google. Sistemas vivos não lineares, afastados do equilíbrio, nos quais a instabilidade leva a novas formas de comportamento e consequentemente novas ordens e estruturas, diferentes das anteriores. A memória é uma coisa esquisita, é engraçado como as coisas se ligam. Ando com demasiada informação na cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terás de a ordenar novamente. À informação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim. Mas quero ordená-la de uma forma diferente. E isso só conseguirei com um montante de imprevisibilidade e instabilidade suficientes. Espero é que não sejam suficientes para me desestruturar tudo o resto. Telefona, marca, envia os papéis, faz o relatório, documentários, fotografias, teatro, análise da sessão, entrevistas, júris, orçamentos, cinema, música, aproveita que isto não dura sempre e estamos em crise. Tu já viste, Guida? Hoje não me apeteceu sair da cama. Estarei a deprimir? Mal pus a hipótese levantei-me logo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a chegada do inverno. Só isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só isso? O “só” é mal aplicado se “isso” me provocar estados depressivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Significa que estás bem. Teres-te levantado. Estás mesmo diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que sim. Vejo-o concretamente por aqui. Aliás, é o que tiro de melhor desta situação, a constatação da outra que afinal sou eu. Disse-me que bem sabia que eu existia escondida, lá no fundo. Eu fiquei contente, claro, mas comecei a pensar nisto dos fundos e como podia conciliar as minhas considerações teóricas com o bom que era ouvir o que ela me dizia. Que o meu verdadeiro fundo tinha vindo finalmente de novo ao de cima. Não podia simplesmente dizer “mentira! Isso não existe”. E eliminar o gozo que me dá sentir que isso é verdade. Mesmo que seja uma invenção. Quero poder gozá-la, que afinal é para isso que ela serve. Falo da invenção do fundo. Ou das estruturas. E se pensarmos, as teorias da mudança pressupõem uma transformação para algo definido, organizado. Dizer que não há definição parece-me um contra-senso. É com hífen, não é? Vou tentando conglomerar os vários fundos num só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que pretendes com estes discursos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei bem. Talvez reorganizar. Ou que as palavras se reorganizem por mim e formem novos estados. Mais claramente ou conscientemente organizados. Provisoriamente, e quem sabe até quando, encontro-me assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-3082925343907587523?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/3082925343907587523/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=3082925343907587523' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/3082925343907587523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/3082925343907587523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/10/estruturas-dissipativas.html' title='Estruturas dissipativas'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-6661280782264365618</id><published>2008-10-15T18:40:00.002+01:00</published><updated>2008-10-15T19:39:57.596+01:00</updated><title type='text'>Desencontros transparentes</title><content type='html'>Gostas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto. Mas não têm pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porquê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei. Deve ser medo. Não quero que fiquem marcas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, mas não és tu que dizes que as marcas são bonitas? E necessárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade. Mas também eu não quero sofrer. E o que digo, sobretudo, é que não podemos deixar de viver. Sempre com um pé atrás, sempre com um pé atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engraçado, há bem pouco tempo alguém se queixava de mim no sentido contrário. Será talvez melhor os dois pés lado a lado. O que não quer dizer que não dês tudo, ou que não te dês todo. Põe quanto és no mínimo que fazes. Por acaso pergunto-me como conjugar as duas coisas. Teremos de ter a transbordar. Tenho a sensação de que quando o pé está à frente, também não será bom sinal. Parece que damos, mas o que realmente queremos é ir buscar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de darmos um ao outro, se calhar temos de nos dar a nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não podia estar mais de acordo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achas que só pode dar quem recebeu? É uma dúvida que tenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, esse foi tema de um texto antigo. Ainda não fazias parte da minha vida. Estes encontros, e até os desencontros, às vezes não parecem acaso. Mas não, acho difícil alguém dar sem ter recebido. No entanto, passados estes dias, comecei a pensar que a resposta não seria tão imediata. Pode ser que a consciência do que se passa nos permita auto-enchermo-nos, ainda que no passado não tenhamos recebido. Essa sim, julgo que é condição essencial. Para dar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dar e receber. No fundo é o que andamos todos aqui a fazer. Seja qual for a forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade. A melhor coisa do mundo. Dar. Mais do que receber. Ouvi isto quando tinha 12 anos, e julgo que agora entendo. Tenho muita pena. De te ter encontrado neste tempo e neste espaço. Tem seguramente a sua função, para mim e para ti. E as condições estão sempre a mudar. Desculpa, lá começo eu a chorar. Ando assim, uma esponja. Tudo me comove.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não peças desculpa por isso. É uma bonita imagem, a de alguém a expor-se e ao que sente. Um sinal de coragem. Comove-me a tua transparência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tiras-me uma fotografia? Acho que é do que mais gostas. De fotografias. Talvez consigas captá-la. À minha transparência. Nunca pares de o fazer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-6661280782264365618?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/6661280782264365618/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=6661280782264365618' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/6661280782264365618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/6661280782264365618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/10/desencontros-transparentes.html' title='Desencontros transparentes'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-8075439914277911189</id><published>2008-10-07T16:09:00.002+01:00</published><updated>2008-10-07T16:13:02.598+01:00</updated><title type='text'>Redescobrir (clique aqui)</title><content type='html'>Já viste esta gaveta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa ainda não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está cheia de papéis e de recortes de jornal. Cartas, e rascunhos de cartas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que dizem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contam histórias. Sabes como adoro estas coisas. Fico com a visão do conjunto e do individual. Descobrir as pessoas comove-me. Mais ainda quando têm alguma ligação comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque achas que temos essa necessidade? De conhecer a nossa história, que afinal nem é nossa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, nem toda a gente deve ter essa necessidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julgo ser bastante geral. Muitas pessoas vão à procura das origens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raízes. Fazem parte da tua identidade. Um tema muito presente por aqui. Que anda a par e passo com o da mudança, parece-me. Memórias que talvez nos ajudem a sentirmo-nos nós. Somos vários. No entanto julgamo-nos um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que tem a ver com a confiança entre as pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, não sei será a razão. Ou sequer uma das razões, mas faz-me sentido. Definires-te como algo estável permite aos outros saberem com o que contam, e estabeleceres relações de confiança. Agora que penso nisso, será que este meu gosto em perceber as pessoas tem a ver com a necessidade de controlo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É melhor dizeres estabilidade. Ou previsão. Controlo parece patológico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bastante estranho pensar que tudo se resume a isso. Há quem diga que somos todos cebolas. Que imagem feia esta das cebolas. Enfim, algo com várias camadas. Vais descascando, e ao contrário do que pensas não sobra nada. Ou sobram as várias capas todas soltas. Talvez a estabilidade esteja naquilo que as une. Uma espécie de rede que as liga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achas então que não existe núcleo…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que acaba por ser construído algo que se mantém, e gosto mais da imagem da rede. Lembro-me de um dia, naquele jogo dos animais, me atribuírem um camaleão. Não sei se não terás sido tu! Fiquei estranhamente triste, talvez por ter entendido que me queriam dizer que não era constante. Disseram-me entretanto que a imagem era de flexibilidade e adaptação. Já viste como as palavras mudam tudo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo tudo. Será que a rede é feita delas? Das palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por favor, não saltes agora para o tema das palavras. É tão tarde, e ainda não fizemos metade do que devíamos. Vê o que encontrei aqui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-8075439914277911189?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.box.net/shared/j5pq9czxon' title='Redescobrir (clique aqui)'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/8075439914277911189/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=8075439914277911189' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/8075439914277911189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/8075439914277911189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/10/redescobrir-clique-aqui.html' title='Redescobrir (clique aqui)'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-6315114514893856622</id><published>2008-09-30T01:11:00.001+01:00</published><updated>2008-09-30T01:24:01.794+01:00</updated><title type='text'>Impurezas</title><content type='html'>Vais-te embora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porquê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não aguento mais. Preciso de alguma pureza. Assim transforma-se num inferno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixaste de gostar de mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que dizes? Claro que não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daquela forma pura do início.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso talvez. Mas calculo que não possa ser de outra maneira. A pureza do sentimento não se mantém. Ou talvez se mantenha em melhor estado, em algumas relações de amizade. Todas são relações de força, mas algumas conseguem conter afectos tão puros que me comovem. Tenho uma ou outra relação assim. Por acaso, é bastante incrível que elas existam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achas que o amor não é assim? Puro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também são de amor, essas relações. Se falas de relações de casal, acho que não. A não ser que a pureza do início se consiga manter de alguma forma. E pensando bem, não sei se a pureza é inicial se é construída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depende do que entendes por pureza. A inicial parece-me algo mais visceral, menos pensada. E será nesse sentido que parece mais pura. Mas tens razão, se virmos bem, tem mais a ver connosco do que com o outro. Esse sentimento. Há alturas em que sinto que com pouco cuidado me posso apaixonar por uma bicicleta. De certa forma é uma relação pura, também essa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que queres dizer com pouco cuidado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não ter muita consciência de que as razões podem não ser as melhores. Sempre estes equilíbrios. Pensado. Intuitivo. Ordem. Desordem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estás a misturar ideias de textos anteriores. São um mistério. Os casais. Dos sistemas mais complexos que conheço. A transformação do ser amado em real, e o ganhar de novos sentimentos dá-nos a sensação, se calhar verdadeira, desse sentimento ganhar impurezas. E depois a consciência de que o inicial não era tão bonito como pensávamos, porque mais baseado em faltas nossas do que nas qualidades que adivinhávamos no outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é um sentimento bonito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deste leite à gata?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei. Podes ir à vontade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-6315114514893856622?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/6315114514893856622/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=6315114514893856622' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/6315114514893856622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/6315114514893856622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/09/impurezas.html' title='Impurezas'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-3142994805585137870</id><published>2008-09-20T15:42:00.000+01:00</published><updated>2008-09-20T16:03:15.408+01:00</updated><title type='text'>Explica-me</title><content type='html'>Diz qualquer coisa, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que queres que te diga? Já disseste tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E entendes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De certa forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por favor não comeces com essa linguagem que quer dizer tudo e nada ao mesmo tempo. Já viste como nos podemos dar tão bem durante tanto tempo, e de repente discordar e não conseguir resolver uma situação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depende do que quiseres dizer com resolver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procuro encontrar soluções. E um sistema só gera problemas que é capaz de resolver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não encontrar uma solução pode ser uma solução. Ou não a procurar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acredito nisso. Se tens uma dor fazes por tirá-la. E para isso fazes um esforço para entendê-la, de uma ou de outra maneira. Dá-te poder sobre ela. A dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As coisas tornam-se mais complicadas com as pessoas. Os motivos ou as causas não são evidentes. Não conheces a experiência em que as pessoas atribuíram razões para o que tinham feito que nada tinham a ver com as razões verdadeiras?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achas que todas as razões são falsas? Agimos antes e pensamos depois?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei. Mas a experiência sugeria isso. Ou pelo menos que explicamos depois, baseados em dados conscientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, mas isso não quer dizer que não as dês. Explicações. São necessárias. Ou não? Porque quer queiras quer não, todos atribuímos explicações às coisas. E o pior é que as interpretamos com base nas experiências anteriores. Cada um de nós estabelece regras para entender os outros e a nossa relação com eles. Um susto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostava que me desses uma explicação lógica, ainda que falsa. Se tu e eu acharmos que ela é verdadeira, e isso me apaziguar…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que pode fazer com que ela seja considerada verdadeira por ti? Porque a explicação que te dou é baseada na minha interpretação, que pode não te servir…de acordo com as tuas experiências anteriores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, mas fomos criando uma lógica comum. De palavras. Que pode não ser a mesma dos afectos. E no final é a única coisa que interessa. Os afectos. Essa tradução será talvez um dos problemas. Mas se calhar tens razão, é uma inevitabilidade. Porque choras? Explica-me, por favor. Gosto tanto de ti…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque a minha sandália se estragou. Estava a precisar de um bom motivo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-3142994805585137870?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/3142994805585137870/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=3142994805585137870' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/3142994805585137870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/3142994805585137870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/09/explica-me.html' title='Explica-me'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-8988712542489725723</id><published>2008-09-15T15:10:00.002+01:00</published><updated>2008-09-15T15:15:38.763+01:00</updated><title type='text'>O movimento do comboio, que bom que é</title><content type='html'>Estou sim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boa tarde. Aaaah, eu queria falar com a Vera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a própria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vera…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem fala?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho saudades tuas…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;……..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vera…desculpa. Segui outro caminho que não o que combinámos. Mas gosto muito de ti na mesma. Tinha que experimentar ir ao cinema sozinho. E fui para Coimbra outro dia, só para sentir o movimento do comboio, que bom que é. Por favor não desligues, estive muito tempo para conseguir ligar. Ontem esteve lua cheia e lembrei-me de me dizeres como não gostavas dessas noites. De repente senti as tuas mãos a fazer-me caracóis, como é possível ficarem essas memórias. Começam a misturar-se todas. Os vários sítios, os vários gestos, as várias pessoas. Não eras tu que me fazias caracóis, afinal. Já tanto me faz que respondas ou fiques em silêncio, que me leias ou não, que gostes de mim ou não. Não podia deixar que ganhasses esse poder, entendes? Por mais que compreendesse. E há coisas que não vou compreender nunca, acho eu. Mas tinha de perceber se são as histórias que nos levam a agir ou a acção que constrói a história. Bem sabes que gosto de trabalhar sozinho, de pensar sozinho. E isto da história é importante para mim. Levo tempo a encaixar que tudo será diferente do que imaginei. Não sei o que quero, Vera. Ando aqui sem saber quem sou ou o que quero fazer da vida. Não quero ninguém agora, deixem-me, larguem-me. Mas não me deixem, nem me larguem. Sou forte Vera, não penses o contrário. Muito mais forte do que tu. Dá a volta, dá a volta. Vamos aprendendo a respeitar-nos, independentemente do que sentimos. Porque sentir que nos desrespeitámos é do pior que há. Parecias desmiolada, mas afinal tens tanto miolo que é difícil chegar até ti. Não quero de forma nenhuma baralhar-te ou confundir-te. Falo assim mas sabes que no fundo preciso das coisas explícitas. Ainda que sem palavras, mas fiquei demasiado frágil ao não dito, ao dissimulado, às tensões por resolver. És perita nisso. Precisei de sentir apenas, tenta entender. Afinal é disso que falo agora. Sem ti sempre a dizer-me que não, que não, que tenho de virar os copos para baixo para não apanharem pó. Queria apanhar pó. Digamos que tinha de controlar o auto-controlo, senão tudo começava a perder sabor. Julgo que é esse o problema, tenho de estabelecer bem em que é que me deixo ser touro ou não. Como se houvesse uma terceira personagem que ditasse o que é que tem de ser pensado e o que é que não. Resolvi começar com pequenos prazeres, como o de sentir o movimento do comboio. Isto da condução e do movimento deve ter um simbolismo qualquer. E fui-me habituando a coisas simples. Já não quero outra coisa. Não sei se é possível, Vera. Apaixonei-me por qualquer coisa que ainda não sei o que é. Desculpa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-8988712542489725723?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/8988712542489725723/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=8988712542489725723' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/8988712542489725723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/8988712542489725723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/09/o-movimento-do-comboio-que-bom-que.html' title='O movimento do comboio, que bom que é'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-7413896606075894522</id><published>2008-09-08T11:40:00.002+01:00</published><updated>2008-09-08T20:10:46.970+01:00</updated><title type='text'>Deixa a chuva cair</title><content type='html'>Continua a chover. Não te esqueças do chapéu. Que dias agitados estes, quando começa a chover.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gosto de chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este silêncio entre nós, que se transforma por vezes em conversa de surdos, está a tornar-se incómodo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro. É assim a vida. Um sucessivo resolver de qualquer coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vês, que queres dizer com isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São sensações básicas, utilizadas em tudo o que fazemos. Mesmo quando criamos algo. Ou sobretudo quando criamos. Aumenta a confusão, ou a tensão, para depois se formar um novo estado. Que traz tranquilidade e prazer. Lembro-me agora que já há muitos anos me interessei pela entropia quando a estudei noutro contexto. Gosto de entender estas passagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizes-me que inventamos problemas apenas para os resolvermos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, não exactamente…E problema não me parece a palavra mais certa. Antes algo que foge da norma, ou do estado habitual, e que nos provoca ansiedade. E muitas vezes não os criamos, é simplesmente o curso natural da vida. Não existe vida sem contrariedades, nem tranquilidade sem inquietação. A diferença, a diferença, lembras-te?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estás a ser um pouco vaga. Terá a ver com a nossa relação? Vejo-te tão clara com alguns outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguramente que tem a ver com a relação. Mas também não sei como mudar a relação sem um corte. Na antiga forma de nos relacionarmos. Estava aqui a pensar como costumamos fazer isso naturalmente, sem pensarmos sobre o assunto. Se chegasse a isso ficaria tudo bastante mais fácil. Tentarei estrategicamente ser mais clara, e isso em princípio produzirá em ti uma resposta diferente da habitual. A diferença, a diferença, levei anos a perceber profundamente isto. Ou não sei se profundamente, mas pelo menos tenho essa sensação. Cá estou eu a criar as minhas tensões favoritas, as de tentar perceber. A que tu chamas problemas. Quando vês uma obra de arte, ou ouves um concerto, o que sentes é semelhante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Humm. Quando gosto tenho a sensação de não pensar. E acho que é por isso que gosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exactamente. Mas conscientemente, senão não dirias que gostavas. E com este acordo entre nós geramos um estado de tranquilidade. Contrais, e descontrais. O mesmo quando produzes. Uma tensão consciente. Mas o sentimento é primordial. Tentava falar disto num texto anterior, mas além de ser um assunto difícil, não o conhecerei o suficiente para o simplificar em poucas linhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andas a espraiar-te, andas…e acabo por não entender bem o que dizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compreendo. Nem eu percebo muito bem. Tento sentir o que digo. Ou dizer o que sinto? E está a chover. Põe-te aqui, debaixo do chapéu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-7413896606075894522?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/7413896606075894522/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=7413896606075894522' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/7413896606075894522'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/7413896606075894522'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/09/deixa-chuva-cair.html' title='Deixa a chuva cair'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-295095456023080534</id><published>2008-08-30T19:12:00.002+01:00</published><updated>2008-08-30T19:24:52.517+01:00</updated><title type='text'>Nos finais do Verão (clique aqui)</title><content type='html'>Resolvi ouvi-lo em silêncio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-295095456023080534?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.box.net/shared/vbdmbdlfdr' title='Nos finais do Verão (clique aqui)'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/295095456023080534/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=295095456023080534' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/295095456023080534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/295095456023080534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/08/nos-finais-do-vero-clique-aqui.html' title='Nos finais do Verão (clique aqui)'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-9070911277858898309</id><published>2008-08-25T02:00:00.003+01:00</published><updated>2008-08-25T02:16:58.166+01:00</updated><title type='text'>Oeste (clique aqui)</title><content type='html'>Há raros momentos em que sinto uma felicidade quase eterna. Também te acontece?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais ou menos. O que queres dizer com isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Momentos breves. Em que tudo o resto se desfaz. Quase como se naquele momento atingisses a compreensão absoluta de tudo. E é tão simples.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;HUmm. Talvez…mas simples como? Parece-me uma coisa complicada de fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, é complexo. Mas de repente simples. É difícil explicar. E também não tem uma única causa, nem as várias causas são visíveis. Parece às vezes obra do acaso. Mas naquele momento, naquele preciso momento, há uma tranquilidade que chega a ser um pouco assustadora. E em que a vida se transforma em algo estranhamente simples. Andamos todos aqui às voltas, às voltas, quem tem mais poder, sempre o poder sempre o poder e falo de poderes pequenos, que cá para mim são os piores. Ou poderes escondidos. Dá-me cá qualquer coisa e eu compenso-te o esforço, olha afinal não te posso compensar, não é o meu timing. Relações. Parece-me pouco puro, entendes? Na maior parte das vezes. E depois estes momentos. Pureza será talvez a palavra mais apropriada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Momentos como quais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinha há pouco a conduzir de volta e pareceu-me atingir. Essa felicidade. Cantava ao som do CD. De novo as luzes da cidade a aparecer ao longe, já percebi que é uma imagem que me comove. Talvez por me lembrar a sensação de, em criança, vir suja e queimada do fim-de-semana. Engraçado, também vinha dos teus lados. Veio-me agora à cabeça andar de bicicleta no meio das silvas, e dos dois cães ameaçadores da quinta do espanhol. Enfim, mas o assunto não tem a ver com recordações. Ou terá, não sei se não tem tudo. E o carro a andar, uma libertação. Como se houvesse um caminho a seguir, e ele se revelasse nesse instante, enquanto andava, andava. Sim, uma revelação. Como quando de repente nos surge a resolução de um problema de matemática. Um momento breve de alívio, e em que relações tão complexas se transformam num conjunto simples. Tão simples. Tão simples. Como a imagem da praia de hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah…gostaste? A minha praia preferida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tão complexamente bonito, e tão transparentemente simples. A sensação da pele queimada pelo sol. Das pernas a passar pelas silvas. Nessa altura indicavam-me o caminho, e eu deixava-me ir, deixava-me ir. E agora sou eu a conduzir. O meu caminho. Uma dificuldade em deixar que me levem, falámos hoje sobre isso. Força das circunstâncias, mas isso dará outro texto. Com o cabelo sujo, e com a imagem, clara, de que a vida é só isso. Com tudo o resto lá dentro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-9070911277858898309?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.box.net/shared/loa3quadxr' title='Oeste (clique aqui)'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/9070911277858898309/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=9070911277858898309' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/9070911277858898309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/9070911277858898309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/08/oeste.html' title='Oeste (clique aqui)'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-7088212037473549901</id><published>2008-08-20T15:41:00.001+01:00</published><updated>2008-08-20T15:41:39.295+01:00</updated><title type='text'>Acrescentos</title><content type='html'>Bom dia Dra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom dia! Mas que boa disposição…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hum, não sei se lhe diga a verdade ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então? Sobre o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a minha disposição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não é para isso que aqui está?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinceramente, já não sei bem…porque ando por aqui. E na verdade ando a sentir-me bastante irritada. Por estas conversas nossas andarem a revelar-se tão importantes para mim. Esta minha dificuldade no corte deixa-me apreensiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É natural, sobretudo com a sua história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, quer dizer que não acontece sempre assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque acha que me sinto tão mal? Com este…desmame. Não é assim que lhe chamam? Ando sempre com medo de que esta relação se tenha tornado demasiado importante. E sinto como se vir aqui fosse uma fraqueza minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que há-de considerar “conversar” uma fraqueza?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque me há-de faltar um dia. Porque toda a gente falta, ainda que sempre lá. Não sei se esta será a verdade ou se é uma aprendizagem incorrecta. Perdão, não é a aprendizagem que é incorrecta, é a generalização da aprendizagem. Fico com medo de me perder de um caminho que me parecia o correcto. A consciência da solidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O medo é adaptativo. A chave é controlá-lo. Já falámos sobre isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou cansada de ter comportamentos adaptativos. Mas que peso. Tudo é adaptativo. O medo é adaptativo, mas controla. Amar é adaptativo, mas controla. Falar é adaptativo, mas controla. Comer é adaptativo, mas controla. Desarrumar é adaptativo, mas controla. Dar é adaptativo, mas controla. Receber é adaptativo, mas controla. Não quero controlar nada, nem ter consciência de nada. Ser, sem pensar no que devo ser, por mim e pelos outros. Porque hei-de ter medo de lhe contar que durmo com as meias a segurar as calças? E de lhe dizer que gosto tanto de favas com morcela? Porque hei-de ter medo de falar consigo, e de que isso se torne demasiado importante?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque estamos absolutamente sozinhos. Julgo que essa aprendizagem é generalizável. Ainda que a nossa realidade esteja na relação com o mundo. Tenho mudado muito mas nisso ainda acredito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não entendo. Defende que o significado vem da relação, mas que no fundo estamos sós. Como conjuga as duas coisas? Que significado ganham os outros na nossa vida? Que significado tem na minha vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai páre mulher! Que me deixa ansiosa! Tantas perguntas! O que é que eu sou? Julgo que lhe sou essencial. Como muitas outras pessoas na sua vida. Com a consciência, sua, de que sou só um acrescento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-7088212037473549901?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/7088212037473549901/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=7088212037473549901' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/7088212037473549901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/7088212037473549901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/08/acrescentos.html' title='Acrescentos'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-8803174329930174018</id><published>2008-08-04T20:20:00.001+01:00</published><updated>2008-08-04T22:24:54.547+01:00</updated><title type='text'>Férias</title><content type='html'>Vamos ter de interromper as nossas conversas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porquê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou de férias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ooooh. Férias de quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Férias da vida normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tens uma vida normal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois não sei. Normal para mim. A habitual. Embora tenhas razão, queixo-me bastante da falta de rotinas. Se calhar as minhas férias serão isso mesmo, finalmente encontrar uma rotina. O que ainda as torna mais importantes. Às férias. E depois, este afastamento entre nós também é bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bom porquê? Fico a sentir-me um pouco só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois, eu também. Mas dá-nos espaço para as nossas outras conversas. Com os outros reais. Ou serão menos reais? Do que nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vês, vais-me fazer falta com essas perguntas. Quando voltas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá para meio do mês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vê ao menos se aproveitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem sabes que não gosto muito dessa palavra. Aproveitar. Uma pressão indefinida. Mas não vou explorar temas neste texto, não tinha esse propósito e não quero ter. Propósitos. O futuro em aberto. Como se ele alguma vez estivesse fechado, ou aberto. Estou de férias mas a cabeça não deixa de trabalhar. E tu, cuida de ti, por cá. Com a certeza de que volto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bom saber. Não entro no tema das certezas, já o temos discutido. Mas a tua vontade de me dar uma certeza é já por si reconfortante. E securizante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inté.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inté.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-8803174329930174018?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/8803174329930174018/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=8803174329930174018' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/8803174329930174018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/8803174329930174018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/08/frias.html' title='Férias'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-1675701544219021370</id><published>2008-07-26T00:11:00.002+01:00</published><updated>2008-07-26T02:15:30.929+01:00</updated><title type='text'>Desaprender (clique aqui)</title><content type='html'>Então minha menina, como anda? Conte-me. Lembro-me que andava agitada há 15 dias atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim. Pega no carro, percorre a cidade, estaciona, concentra-te, pega no carro, percorre a cidade. Ouve, decide, age, a cabeça às voltas, às voltas. Aprendemos assim Dra., desde que nascemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como assim desde que nascemos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acorda. Come. Sorri. Responde aos estímulos, senão que infelicidade. Anda, não te esqueças da mala, não te esqueças do passe, não te esqueças de prestar atenção. Concentra-te. Vê bem todas as perguntas. Um mundo justo em que estamos, se responderes sempre a todas as perguntas. Vais conseguir. Não sei bem o quê mas consegues. Anda, não pares. Acho que desaprendemos, Dra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desaprendemos o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desaprendemos a ouvir-nos. E à nossa vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não estou a entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andar na linha, na linha, sempre na linha. Tudo traçado. Cabeça fria, por vezes gelada. Pergunto-me para quê. Regras necessárias. Dirão até que em nosso bem, para sermos felizes…um dia. Com o trabalho certo, o amor certo, os filhos certos, as casas certas, não barafustes senão levas sapatada, e isto funciona filha, acredita, chegará o teu dia, chegará o teu dia. Que frase estúpida esta. E falsa. Existem muitos dias e nem damos conta. À procura, sempre à procura. A inquietação devia ser outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vontade. Uma vontade natural e também inquietante, mas de outra forma. Já observou bem o seu corpo a mover-se? Outro dia estive assim uma hora. Uma vontade natural, e no entanto só minha. Para quê a linha? E no entanto não consigo deixar de fazer parte dela, e de me sentir tão mal quando não a sigo. E de me sentir tão mal por constatar que é mentira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que lhe acontece se não a seguir? E seguir a outra vontade? Uma vontade talvez mais…ancestral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha de voltar a aprendê-la Dra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-1675701544219021370?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.box.net/shared/fcvxzc0wgw' title='Desaprender (clique aqui)'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/1675701544219021370/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=1675701544219021370' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/1675701544219021370'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/1675701544219021370'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/07/desaprender.html' title='Desaprender (clique aqui)'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-5143078256324581300</id><published>2008-07-17T18:38:00.004+01:00</published><updated>2008-07-26T19:19:27.709+01:00</updated><title type='text'>Logicamente</title><content type='html'>Piano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Canto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pássaro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lobo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uivar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vale verbos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que chata, que interessa essa regra? Uivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou cansada. Podemos parar? Este jogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também estou cansada, sim. Mas vicia. Encadeiam-se de tal maneira, ficava horas. Ainda bem que resolveste parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não gosto. Ou não gosto nesta altura. Preciso de tranquilidade. Aí está uma diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em mim. Noutra altura continuaria. Um equilíbrio difícil mas necessário, porque também tem vantagens. O jogo. Leva-me a produzir. A cabeça rodopia, o estômago aperta, a tensão aumenta, até que sai. Não sei se o processo tem necessariamente de ser assim. Porque se tem…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tem…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tem não quero. Vou mudar de vida. Não tenho nervos de aço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh, e achas possível mudar? Mesmo que não tenhas mais palavras, arranjarás outra forma. De tensão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez. Mas sentia que havia um caminho diferente. Uma necessidade de paz. Um gosto pelo silêncio. Sem jogos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso não existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma solidão que também leva a uma tensão, mas de outro tipo, ou talvez de outra forma. Uma mente cheia também, mas não de novelos de palavras. Lá vem o novelo outra vez, mas olha, não me apetece trocar. Um bloqueio produtivo. Nas palavras. Abrir possibilidades, dizem os terapeutas. Confundir. Surpreender. Bloquear para desbloquear. Lá vou eu parar aos mesmos temas, eu bem tento misturá-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não percebo. Porque não consegues ter um discurso lógico?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bloquear a lógica habitual, dizem. Tenho as minhas dúvidas. O que é certo é que a aprendemos, esta lógica. E por alguma razão ela sobreviveu. Resta saber se é a mais adequada. A das palavras. Porque incrustamos em lógicas não adaptativas? No sentido de não nos fazerem felizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha Rosa, deixa-me aqui na esquina, escusas de estar a dar a volta para me deixares em casa. Amanhã às 10.30. O de sempre. E cuida-te…!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-5143078256324581300?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/5143078256324581300/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=5143078256324581300' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/5143078256324581300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/5143078256324581300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/07/logicamente.html' title='Logicamente'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-6015651203715223773</id><published>2008-07-11T02:16:00.007+01:00</published><updated>2008-07-11T11:17:09.751+01:00</updated><title type='text'>Táxi! (clique aqui)</title><content type='html'>Boa tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Boa noite, menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade, já é boa noite. É para a rua dos fanqueiros, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim Sra. Porque já é crescida. Vamos aqui por baixo, é mais longo mas apanha menos sinais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim sim, nunca vim por aqui, mas está bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não veio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, quer dizer, nunca fiz este caminho. Não é costume vir para aqui. Por isso seguimos o que achar melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah. Que chatice, não é normal este comboio passar a estas horas. Acasos. Sabe menina, temos de aproveitar as coisas quando elas nos aparecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se lhe aparecer uma oportunidade não a desperdice. Tem é de saber que é ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É ele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem razão. Bom, mas muitas vezes não sabemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois olhe, ou sabemos uns quantos anos depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o seu caso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já lá vão 40 anos…teimosia menina, pura teimosia. E agora olhe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então? E não o encontrou mais? Ao momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi com o autocarro. Não vou pensar mais nisso. Não acha? Se calhar se o fosse ter aproveitado, outros não teriam acontecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, então no fundo acha que não estava destinado. Tê-lo aproveitado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois isso não sei. Acho é que tinha sido mais feliz, agora se estava destinado ou não…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que triste. E não pode recuperá-lo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está a ver, não apanhámos sinais nenhuns. Do longe se fez perto. E aquele comboio foi posto ali para nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não tivesse passado não me tinha contado essa história triste…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é triste, senhora. Menina. Por ser menina a vê triste. Mas se a vir, não a desperdice.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-6015651203715223773?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.box.net/shared/pmbefcjs4w' title='Táxi! (clique aqui)'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/6015651203715223773/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=6015651203715223773' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/6015651203715223773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/6015651203715223773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/07/sinais-de-trnsito.html' title='Táxi! (clique aqui)'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-8380699913247477156</id><published>2008-07-08T02:48:00.002+01:00</published><updated>2008-07-08T02:51:27.466+01:00</updated><title type='text'>Personalidades</title><content type='html'>Esta rapariga é cheia de personalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É doida, queres tu dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que disparate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que queres dizer com ter personalidade? Todos temos, não? Um conceito ultrapassado, esse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, é linguagem do senso comum. Se quiseres podemos começar uma conversa mais profunda. Sobre o eu, ou o facto de termos ou não uma estrutura definida. Mas não era minha intenção neste momento estar a maçar-te com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podem-se utilizar ideias simples para conceitos complexos. Há quem seja perito. Escusamos de entrar neste jogo. É engraçado, acontece-me tanto…Estão a falar, e vão-me passando coisas pela cabeça, mas resolvo não dizer, não sei porquê. Bom, normalmente ideias esquisitas. Ponho-me a falar com outros não presentes. Ou presentes, mas na minha cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho consciência de que há várias personagens. É difícil. Contribui para esta minha indecisão. Discutem entre si. Seremos todos assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois há alturas em que sinto muito claramente. Bom, mas esse é outro campo, o do sentir. Ou não será?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma entrega. Vou indo, vou indo. Aí não há indecisão. Um eu uno, se quiseres. Uma lógica diferente. Uma única personagem a sentir. Talvez por isso me sinta tão bem nessa altura. Será possível conciliar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses dois lados. E será possível pensar sem diálogo? Que confusão que está esta cabeça. Uma bola de lã com umas pontas, ficou a imagem de outro dia. Quando eu achava que ela se estava a desenrolar, embrulhou-se ainda mais. Gostas da palavra embrulho? Utilizei-a porque dá a ideia de presente. Novidade. Mudança. Ai, pára-me, já viste como estou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu és é doida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, tenho é muita personalidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-8380699913247477156?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/8380699913247477156/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=8380699913247477156' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/8380699913247477156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/8380699913247477156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/07/personalidades.html' title='Personalidades'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-8762450383534142192</id><published>2008-06-29T16:06:00.001+01:00</published><updated>2008-06-29T16:08:59.279+01:00</updated><title type='text'>Parabéns</title><content type='html'>Parabéns. Um beijinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem cá. Dá-me mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabes que estou sempre aqui. Ou aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro. Das únicas certezas que tenho. Ainda ontem olhava a fotografia. Eu devia ter uns dez anos. De vez em quando dou volta às fotografias. Tento identificar as personagens, uma dificuldade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é natural. Com o passar dos anos. A pele envelhece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma identidade conhecida e desconhecida ao mesmo tempo. Tu. Eu. Nós. O nós também muda de identidade. Uma integração difícil, do nós antigo com o nós actual. No nosso caso é diferente, só eu vou mudando. E tu, aos meus olhos. Esta nossa memória está sempre a mudar. Espalham-se as fotografias pela mesa. E pelos móveis. E pelas paredes. E pelo chão. Ando a abusar dos “e” nestes textos, mas que hei-de fazer, sai-me assim espontaneamente. Tiques de linguagem que também nos caracterizam. Esta sou eu. Sou mesmo eu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;És tu, és. No fotógrafo lá em baixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre a mudar, sempre a mudar. E no entanto os mesmos. Das fotografias. Ontem tive necessidade de tirar umas novas. Há mais de um ano que não tirava. Preciso de me renovar. Não me posso arriscar a ficar sem provas. E se me falha a memória? Que ainda por cima não é fotográfica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falha sempre. Mesmo nas fotografias. Sorrisos inventados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta não, estamos todos distraídos. Por acaso com um ar um pouco triste, mas tranquilo. Que se teria passado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o meu dia de anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dá cá um beijinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dou. Parabéns avô.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-8762450383534142192?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/8762450383534142192/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=8762450383534142192' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/8762450383534142192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/8762450383534142192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/06/parabns.html' title='Parabéns'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-5859174620217374451</id><published>2008-06-24T23:53:00.005+01:00</published><updated>2008-06-25T11:55:02.527+01:00</updated><title type='text'>O botão (clique aqui)</title><content type='html'>Dá-me a mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espera, fiquei com o papel do bolo na mão. Tenho este hábito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem graça. Eu ando com um botão. Gosto de mexer nele. Sabes porquê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porquê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava mesmo a perguntar-te! Se tem algum significado…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois isso terá sempre. Mas entendo a necessidade de dar um significado comum a algo que só fazemos nós, ou que achamos que só fazemos nós. Normaliza, dentro da anormalidade. Deve dar segurança. O botão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mexo e remexo. Uma agitação quando o perco. E um alívio quando o encontro. Ao botão. Como uma pele em que toco e me descansa. Mais ainda, sentir a minha pele nele, e a minha mão a agarrá-lo. Que tranquilidade. Mas uma ansiedade ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ansiedade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah claro. Um aperto na barriga. E se uso calças sem bolsos e não o posso ter na minha mão a andar de um lado para o outro como costumo? E se alguém nota que ando com ele no bolso todos os dias? E se o perco? E se deixo de conseguir viver sem ele? O botão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois, o perigo da dependência. Mas todas as relações são de alguma dependência, se intensas. O peso da palavra. Dependência. Faz parte do DSM, um susto fazer parte do DSM. E no entanto, somos dependentes de algumas coisas para viver. De comida, por exemplo. Por falar nisso, aquela massa com atum estava óptima. Digo-te isto porque fiquei com a sensação há bocado de que poderia não ter mais oportunidade de te dizer, e temos de aproveitar aquilo que podemos fazer, na altura em que podemos fazer. Já basta o que basta. Se ficam momentos, que fique esse também na nossa história. E o jardim. Ficou-te também a imagem do jardim? E dos grilos. E dos disparates e de nos rirmos com eles, que como sabes é o que mais gosto de fazer. Rir. Uma dependência equilibrada, dizem, se não queres fazer parte do DSM. E de afecto, também somos dependentes de afecto. E dos próprios hábitos. E de papéis na mão. E de botões. Dão segurança.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-5859174620217374451?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.box.net/shared/84378fgr48' title='O botão (clique aqui)'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/5859174620217374451/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=5859174620217374451' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/5859174620217374451'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/5859174620217374451'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/06/o-boto.html' title='O botão (clique aqui)'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-3496089186000885377</id><published>2008-06-20T19:13:00.004+01:00</published><updated>2008-06-20T19:25:48.163+01:00</updated><title type='text'>Vidas paralelas</title><content type='html'>Boa tarde. Que calor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois, calculo. Aqui dentro não se sente nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é bom?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se sentir nada. Será o trabalho ideal, não sentir o frio nem o calor. Nestes quinze dias andei a pensar num tema para esta sessão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que mudança repentina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não são todas? Aí está outro tema de que gosto, mas não venho preparada para ele. E já o começámos várias vezes, não sei por que razão nunca o continuamos. Mas há já tempo que uma outra ideia me persegue e ainda não tive oportunidade de a expor aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já reparou que também existimos nos sonhos dos outros?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca pensou nisto? De certeza que apareceu já numa grande quantidade de sonhos de pessoas, e nem sabe. Se calhar nem elas. Quem sabe até em sonhos de pessoas que não conhece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Humm.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz-me uma certa confusão esta ideia, e ao mesmo tempo sinto um certo mistério. Embora, pensando bem, não tenha mistério nenhum. São apenas imagens de nós. Aliás, como são sempre, nas cabeças dos outros e nas nossas. E lá estamos, vivos, como que noutra dimensão, e sem sabermos que estamos. Vivos. Esta incerteza cansa-me, cansa-me…Dias melhores virão, vais ver, vais ver…Que raio de optimismo irracional. Bem sei que também é irracional pensar o contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que tudo muda sempre. O tempo não pára.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois será, mas é desconcertante. Porque hei-de acreditar que de certeza que algo melhorará se tudo é imprevisível e sempre em mudança? Estão a prever algo imprevisível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A certeza é a de que as circunstâncias mudam, e as pessoas também. Não que se irá sentir melhor. Mas falava-me dos sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desculpe, esta minha cabeça dispersa. A ver se não me esqueço de aqui voltar outro dia. Pois os sonhos. Como fantasmas. Vidas paralelas. Sensação esquisita essa de existir sem saber. E um conforto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porquê conforto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei bem. Talvez porque aí a minha existência não depende de mim. Uma tranquilidade…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engraçado. Sente-se bem quando perde o controlo. Sobre si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso já é outro tema, Dra., depois sou eu! E esta sessão já vai longa. Demasiado longa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-3496089186000885377?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/3496089186000885377/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=3496089186000885377' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/3496089186000885377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/3496089186000885377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/06/vidas-paralelas.html' title='Vidas paralelas'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-9082383416572129820</id><published>2008-06-13T23:21:00.004+01:00</published><updated>2008-06-14T12:13:10.392+01:00</updated><title type='text'>Foi um jeito?</title><content type='html'>Ai Sr. Dr, doi-me muito aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exactamente onde?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exactamente não sei. Dói-me aqui no peito. Terá sido um jeito? Percorre-me este lado todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Humm. E como é a dor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma dor…profunda. Tão profunda que me custa a crer que foi um jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas pode ser…às vezes os jeitos causam dores bastante agudas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é aguda. É profunda. É diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendo. Fez algum esforço?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tantos…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas algum particular nesta zona?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é mais difícil de saber. Mas talvez. Sem me dar conta. Mas se fiz só passado um tempo é que dei conta da dor. Para não me lembrar…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é natural, dado o tipo de dor. E a mexer-se, dói?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mexer-me e parada. É constante. Uma dor que mói, uma moinha, uma moinha…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algum momento em que não sinta a dor? É importante saber as excepções. Mas isto provavelmente não lhe interessa. Pergunto-me frequentemente se devo dizer e explicar o que estou a fazer ou apenas fazê-lo. Às vezes quando digo perde o efeito. Adiante. Perguntava-lhe das excepções…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se a dor deixa de existir ou se sou eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que é a Sra? A fazer o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A deixar de existir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-9082383416572129820?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/9082383416572129820/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=9082383416572129820' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/9082383416572129820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/9082383416572129820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/06/foi-um-jeito.html' title='Foi um jeito?'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-2793705979321013869</id><published>2008-06-09T01:25:00.000+01:00</published><updated>2008-06-09T01:45:06.768+01:00</updated><title type='text'>(Des)Encanto</title><content type='html'>Achas que eu vou ser feliz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho a certeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como podes ter?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho. Nunca te faltei à palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como no filme que fomos ver outro dia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parecido com esse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parecido como? Ela preferiu ficar neste mundo. Não entendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste mundo as pessoas também são felizes, mas de outras maneiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No outro pareciam-me mais. Tenho medo. São muito felizes neste?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nuns dias são mais, noutros menos. E algumas vezes são muito felizes. Uns dias compensam os outros. No mundo de onde ela vinha estavam sempre felizes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque preferiu ela então este mundo? “Sempre” é melhor do que algumas vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei…Se calhar porque no outro não era tão genuíno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é genuíno?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah. No castelo era tudo a fingir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, acho que não. Tudo não…mas algumas coisas. Ela preferiu que não fosse nada a fingir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ela pensa que aqui não é a fingir?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se calhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazes-me mais massagens nas pernas, que eu vou adormecer?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-2793705979321013869?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/2793705979321013869/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=2793705979321013869' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/2793705979321013869'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/2793705979321013869'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/06/desencanto.html' title='(Des)Encanto'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-1883110084933873091</id><published>2008-06-05T17:53:00.000+01:00</published><updated>2008-06-05T17:57:47.268+01:00</updated><title type='text'>Anormalidades</title><content type='html'>E diga-me, depois desta pequena introdução, qual é o seu objectivo ao vir aqui?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero ser normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Humm, o pedido mais comum. O que entende por normalidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que a palavra indica. Estar dentro da norma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em relação a que aspecto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso não sei. Gostava que a Dra descobrisse, para me ajudar a mudar esta situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas então como sabe que não é? Normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu marido disse-me, e eu confio plenamente no seu juízo. Porque eu não tenho nenhum. Juízo, entenda-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta sessão está a ser um pouco diferente do habitual. Espere um momento, tenho de reformular rapidamente a minha forma de actuar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está a ver…confirma a minha hipótese. Até em sessão parece que sou diferente do habitual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se fossemos todos iguais não teria graça nenhuma. A Rosa é uma criativa. Isso é um dom, não uma anormalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que é que eu ganho com essa troca de palavras? Eu quero é viver bem. Dar-me bem com os outros. Viver tranquilamente. Não acordar com as mãos suadas de excitação por um novo projecto, uma nova ideia, um novo amor. Não acordar com as mãos suadas por nada. Não fazer surpresas, nem esperar surpresas. Não esperar grandes feitos. Nem feitios. Viver o presente. Presente, presente, Rosa, mete na cabeça que é presente e não o futuro nem o passado! Não amar perdidamente. Não fazer nada perdidamente. E se me perco de vez?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O seu discurso está cheio de deveres. Além disso, assim não seria a Rosa. É indispensável que se sinta bem, mas na sua pele. Um equilíbrio entre o que é esperado socialmente e aquilo que sente que é. Integrar a diferença no que é comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois aí está o problema. Não sentimos o que somos isoladamente, sentimos com os outros. Não é um processo individual, não depende apenas de mim. Era preciso que a pele dos outros também mudasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quem lhe diz que não muda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, Dra…&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-1883110084933873091?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/1883110084933873091/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=1883110084933873091' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/1883110084933873091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/1883110084933873091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/06/anormalidades.html' title='Anormalidades'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-3252193689682578399</id><published>2008-05-31T18:23:00.001+01:00</published><updated>2008-05-31T18:25:30.478+01:00</updated><title type='text'>Segredos familiares</title><content type='html'>As famílias são do melhor e do pior que nós temos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é. Outro dia, num daqueles almoços, pensei mesmo nisso. Meu deus, a confusão que era. Passa-me o açúcar, não sejas assim mal criada, não estou a ser mal criada, só fui directa, ó filha não respondas à tua mãe, porquê sempre esta coisa, o teu pai é que tem razão quando diz o que diz, o meu pai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na minha há mais silêncios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu pai diz mas não faz nada, e o que tem o meu pai a ver com isto? Mamã, o João disse-me que o pai dele tinha duas pilinhas, ó Joana mas que conversa é essa? E tu, sempre aí calada, com esse ar de mosca morta, seria melhor que dissesses alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um silêncio de morrer. Uma tensão infernal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levas uma chapada, levas. Se continuas assim levas. Porta-te bem vá, não gosto nada quando fazes isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queixas sub-reptícias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portas a bater.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizer sem dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estrilho, dramalhão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sufoco, aperto na garganta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que horror, liberta-te disso. Não sei como aguentas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que é isso?! Estás a dizer mal da minha família? Muito saudável é ela. E tu, como é que TU aguentas?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-3252193689682578399?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/3252193689682578399/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=3252193689682578399' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/3252193689682578399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/3252193689682578399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/05/segredos-familiares.html' title='Segredos familiares'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-8099182519835866560</id><published>2008-05-27T01:59:00.000+01:00</published><updated>2008-05-27T02:08:54.603+01:00</updated><title type='text'>Insignificâncias</title><content type='html'>Amiga, és mesmo tu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ohhh, já não estava à espera de te encontrar! Como estás? Estás igual…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tu! Tanto tempo…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é…tens de me contar como fazes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como faço o quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como fazes para te manteres assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa calma, com o mundo todo neste estado à nossa volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ooooh, nem sempre foi assim, é um processo. Envolve esforço. Mas vale a pena. E não penses que é sempre assim, como disse no outro dia a alguém, há dias de fugir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Controlas-te?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Controlo. Mas não por simples necessidade de controlo. Faço-o por mim, verdadeiramente. Muito conscientemente. Não quer dizer que controle todos os meus impulsos. Controlo um pouco mais o que sinto. Uma sensação de liberdade...poder escolher um pouco o grau com que as coisas me afectam. Porque algumas não valem mesmo a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E destas chatices, como saíste?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depende do que quiseres dizer por sair. Ainda lá estou, suponho. Para que não se apoderem, ridicularizo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As chatices. Os meus defeitos. Os defeitos dos outros. Comportamentos tristes. Nada de muito importante. Se virmos bem, insignificâncias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixas de sentir?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo contrário. Sinto só de forma diferente. Cada coisa em seu lugar. Alegria e tristeza pelo realmente importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é a tua vida…como podes dizer que não é importante?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha vida?! Não…acho que ninguém chega ao fim da vida e pensa que isto foi a sua vida. Estes problemas. Ainda que soframos com eles, claro, não estou a invalidar o sofrimento. Mas se for isso que vier à cabeça…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que achas que vem? À cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu espero lembrar-me do cheiro da casa dos meus avós. Da tranquilidade dos serões lá passados. De como nos divertíamos ao vir da escola. Das janelas da minha casa em que entra tanto sol, e que boa sensação a de adormecer nesse torpor. Daquela paixão que tive e de escorregar pela parede a chorar como nos filmes. E de quando nos empanturrámos de crepe com chocolate. E de…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engraçado, coisas pequenas de que te lembras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pequenas?!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-8099182519835866560?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/8099182519835866560/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=8099182519835866560' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/8099182519835866560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/8099182519835866560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/05/insignificncias.html' title='Insignificâncias'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-6270213229649625009</id><published>2008-05-20T23:44:00.000+01:00</published><updated>2008-05-20T23:51:32.163+01:00</updated><title type='text'>Pormenores incalculáveis?</title><content type='html'>Bom dia. Bom, quer dizer, um dia chocho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, nem parece Primavera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, primeiro que tudo, conte-me…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma forma de dizer…conte-me da sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da minha vida? Da minha vida como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestes últimos dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, não estava a entender. Estou um pouco tensa. Por ter de resumir tudo rapidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conte-me o mais importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais importante ou o que despoletou o mais importante? É que são coisas diferentes…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, algo que não tem nada a ver com o assunto central influencia a nossa decisão sobre ele. O assunto central.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Interessante o que me diz. Continue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, há modelos até que o explicam. A Dra não sabe? Isto não é tudo causa-efeito, embora as pessoas procurem sempre a causa. Um erro, em meu entender. Nem as causas. Impossível chegar até elas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a algumas, podemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderemos especular, sim. Se isso servir para alguma coisa. Por exemplo, senti que aquele telefonema de outro dia, de que já lhe falei, despoletou estas diferenças todas na minha vida nos últimos dias. Ainda que não tenha nada a ver com elas, pelo menos aparentemente. Uma causa improvável em relação às consequências que teve. Não nota que por vezes uma palavra dos outros, um comentário, uma imagem, uma canção, podem ter efeitos incalculáveis? Para bem e para mal. Creio que se tivéssemos consciência disso seríamos mais atentos. Bom, quem se preocupa com o bem-estar dos outros, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso, como aliás já disse, é um pouco impossível. Porque uma causa pode ter efeitos completamente diferentes. Mais ainda se variamos de sujeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem razão. Embora haja coisas que, provavelmente, são universais, não? Quer então dizer que a Dra. não sabe nada de pessoas? Porque é por isso que aqui estou, não é? Porque entende de pessoas…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei. A menina é que sabe porque é que está aqui. Eu só posso especular...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-6270213229649625009?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/6270213229649625009/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=6270213229649625009' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/6270213229649625009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/6270213229649625009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/05/pormenores-incalculveis.html' title='Pormenores incalculáveis?'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-5452094230839685519</id><published>2008-05-13T23:12:00.000+01:00</published><updated>2008-05-14T17:31:33.831+01:00</updated><title type='text'>Porque sim?</title><content type='html'>Há dias terríveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não te queixes! Olha para o que tens de bom. O mundo está cheio de coisas boas, só não olhamos para elas porque são adquiridas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há mas. Olha para este céu azul, haverá igual? E o verde das árvores? E a comida que tens e outros não têm? E a cama que tens para dormir? E os teus amigos? E a tua família? E os livros bons que gostas de ler?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que aprendeste com o que viveste? Não dás valor? E à pessoa que te tornaste? E à música! Ninguém te tira a tua música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é isso, é que…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A arte. Não te consola uma boa obra de arte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim mas…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há mas. Além de mais, isso da sorte e do azar é muito relativo. Tudo é construído. Co-construído. Nunca ouviste falar da co-construção? Se te falam mal é porque tu deixas. Também participas. Se te pisam é porque deixas que te pisem, porque não tens amor próprio. Se abusam de ti é porque deixas que abusem. Isso da sorte ou do azar não existe, tudo depende da forma como olhas para o conteúdo. A significação, dizem. E...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso falar? Mas que difícil és…Há dias em que realmente as coisas não correm bem. Não quer dizer que continuarei a ter azar amanhã, depois de amanhã, o resto da vida. Às vezes mais vale aceitar que tivemos azar, e que amanhã será melhor…Por alguma razão dizem que temos de ter resistência à frustração. Resistir também é aceitar o que corre mal, não? Porque de certeza que alguma coisa correrá mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é uma forma passiva de encarar a vida. A vida não corre mal porque sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas vezes, parece-me. Dizem as probabilidades. Não podes querer a perfeição. Uns dias são sim, outros são não. Não será também esta uma forma positiva de encarar a vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incrível como este diálogo mudou em tão pouco tempo. Bom, bem vistas as coisas, já passaram uns dias. Isto do tempo é muito relativo, mas isso são outras histórias. A optimista era eu, mudámos de personagens! Dizes-me agora que o verdadeiro optimista é o que aceita?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que aceita o acaso, sim. Mais uma vez repito que aceitar não significa simplesmente resignar-me, mas saber realmente o que posso controlar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois lá está, dás-me razão. Só nos podemos controlar a nós próprios. E à forma como olhamos para o imprevisível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou a perder o controlo. Teremos de terminar esta conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveita esse momento. É do melhor que há.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-5452094230839685519?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/5452094230839685519/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=5452094230839685519' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/5452094230839685519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/5452094230839685519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/05/porque-sim.html' title='Porque sim?'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-8223201568027347749</id><published>2008-05-07T17:21:00.000+01:00</published><updated>2008-05-07T20:54:55.945+01:00</updated><title type='text'>Sobe sobe, balão sobe</title><content type='html'>Começa a encher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas de quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei lá, do que quiseres. Se não tiveres mais nada, enche de ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De ar?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, como se fosse um balão. Sopras bem. O que importa é que fique bem cheio. Vais logo sentir-te melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estás a comparar-me com um balão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quantas pessoas não estão cheias de ar? O que importa é funcionar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acredito que funcione.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depende do que entendes por funcionar. Se quiseres sentir-te apenas cheio de qualquer coisa, funciona. Não penses muito. Só tens de ter cuidado para não rebentar. Arranja um plástico forte que não rebente facilmente. Com sorte, consegues sobrevoar sobre os outros. Sentir-te-ás acima. Ficarás, talvez, um pouco arrogante, faz parte do processo, assim consegues manter o balão cheio durante mais tempo. E admira bastante o teu balão. Admira-o, admira-o…e sobre o balão dos outros, nunca digas bem. Proibidos elogios. Desculpa, mas as metáforas são das formas mais claras de expor assuntos. E parece que funcionam muito bem. Chegam mais às pessoas. Dizem. Assuntos terapêuticos ainda muito por explorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gostava de encher com algo mais substancial do que ar. Deve ser mais difícil rebentar, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem dúvida. Mas é um processo muito mais complicado, exige muito de ti. Este que te digo é simples e rápido. Basta seguires os passos. Também ajuda se nas tuas relações familiares e outras preferenciais tiveres sido pouco valorizado. Assim não poderás dar, o que torna tudo mais fácil. Finges que dás. Mais uma forma de te defenderes, para que não rebente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque não posso dar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só pode dar quem recebeu e por isso aprendeu. Teve bons modelos. E quem está cheio, mas de outras coisas. Os outros são fortes fracos, entendes? Acho que há muitos. Dão-se bem, aparentemente. Mas é o que interessa. As aparências.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-8223201568027347749?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/8223201568027347749/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=8223201568027347749' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/8223201568027347749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/8223201568027347749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/05/sobe-sobe-balo-sobe.html' title='Sobe sobe, balão sobe'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-7267168761037580511</id><published>2008-04-30T23:44:00.000+01:00</published><updated>2008-04-30T23:52:23.547+01:00</updated><title type='text'>Salto em comprimento</title><content type='html'>Então, o que me traz hoje?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje estou vazia. Ou então demasiado cheia. Não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheia de quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheia de coisas. Ideias que não interessam a ninguém, muito menos a mim mesma. Saltam imagens. Hoje sonhei que estava nos jogos olímpicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em que modalidade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salto em comprimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ganhava?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me lembro. E a Dra está muito competitiva! O que interessa não é concorrer? Era um grupo grande de concorrentes. Alguém discursava. Abaixo o capitalismo! Lembro-me desta frase. Resquícios provavelmente da noite anterior. E de repente salto para outro sonho, com a mesma frase. Paz. Inter-ajuda. Respeito pelo outro. Amor. Que mundo o de hoje, mundo cão, egoístas que são as pessoas, ninguém dá nada a ninguém, ninguém quer saber de ninguém, ninguém se preocupa com ninguém, ninguém ama ninguém. Fiquei empolgada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem falava nesse novo sonho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém que era a mistura de meus conhecidos. Fui falar com ele no final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E como foi a conversa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não houve conversa. Bom, assim o entendi. Disse-me que não tinha tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-7267168761037580511?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/7267168761037580511/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=7267168761037580511' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/7267168761037580511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/7267168761037580511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/04/salto-em-comprimento.html' title='Salto em comprimento'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-8594567534837326549</id><published>2008-04-25T20:09:00.000+01:00</published><updated>2008-04-30T23:44:36.579+01:00</updated><title type='text'>(Re)criar o fado (clique aqui)</title><content type='html'>Tenho pensado um pouco sobre esta minha necessidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De perdoar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em geral, de perdoar. Em última instância, a mim. Ou em primeira, agora que falo sobre isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De te perdoares a ti? Porquê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelas minhas escolhas. Pela minha vida. E de perdoar a todos os que creio me terem feito mal, de alguma forma. No fundo, perdoar o passado. Tenho-me perguntado se esta minha necessidade será apenas uma herança cristã. Custava-me a crer que fosse apenas isso. Embora sejamos imensamente influenciados, claro está.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hum. E achas que não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que não. Outro dia, em conversa, por sinal bastante terapêutica, com alguém, dei conta que talvez isto tivesse a ver com a minha necessidade premente de liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De liberdade?! Como assim? Engraçado falares disso neste dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é. Se calhar não é por acaso. Que me assaltam estas ideias, hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas diz-me, liberdade como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para seguir em frente sem estar agrilhoada a um passado. Para que essas pessoas, essas escolhas, esse passado, essa pessoa que fui, não constranja demasiado quem serei no futuro. Nunca entendi completamente a necessidade, por parte dos que sofreram crimes, de perdoar os que os cometeram. Até hoje. A palavra necessidade é bem empregue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso significa esquecer? Esquecer a história?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todo! Pelo contrário. Implica tomar consciência dela. Sem isso não há perdão possível, tratar-se-á de outra coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que isso se passa também ao nível, por exemplo, de um país? Perdoar a sua história para poder construir outra? Para que ela não tenha demasiado poder? A história, digo. E se perde poder, não poderemos cair no erro de deixarmos que se cometam os mesmos crimes, as mesmas escolhas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que não, se conscientes do poder que tiveram. Mas isso são muitas perguntas. Tens de escolher a melhor. Ou melhor dizendo, a que preferires neste momento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-8594567534837326549?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.box.net/shared/opud72uko4' title='(Re)criar o fado (clique aqui)'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/8594567534837326549/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=8594567534837326549' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/8594567534837326549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/8594567534837326549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/04/tenho-pensado-um-pouco-sobre-esta-minha.html' title='(Re)criar o fado (clique aqui)'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5756310349248369605.post-219515186830538277</id><published>2008-04-18T21:32:00.000+01:00</published><updated>2008-04-18T21:37:32.762+01:00</updated><title type='text'>Identidades (clique aqui)</title><content type='html'>Hola, que tal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque estás a falar em castelhano?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Es que en los últimos dias me quedo pensando en castellano, o algo parecido…así que me quedo también una otra persona. Y no te quiero iludir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Iludir como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hablando en português no seria la persona que tengo sido. Teria una otra identidad. Quiero que sepas com quien estás tratando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estás a dizer-me que não és a minha menina de sempre?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;En algunas cosas, claro que soy. Pero no soy la misma. No sé que pasa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas que diferenças notas? És várias pessoas numa só?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bueno, claro, todos lo somos. Pero siento que la lengua cambia toda la identidad. En que soy diferente…tal vez más extrovertida, más alegre, más confiante. Más ingénua, no sé…ahora que pienso en eso, no sé si quiero quedar así. Me he cansado de ser demasiado ingénua, demasiado confiante en los otros. Demasiado confiante en su sensibilidad. Es que he aprendido tantas cosas hablando en português. La verdade es que ya no sé bien quien soy…y que cansancio no lo saber…el otro dia, cuando volvia, mirava la ciudad y pensaba como estava bonita, por la noche, com sus luces. Nunca la habia mirado así. Cuando me miré, estava llorando. Es que también yo siento que estoy volvendo, de cierta forma, a mi niñez. Que estranho, não é? A sensação de caminhares, aprenderes, para poderes voltar a ser quem foste em criança. Mas é o que tenho sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltaste a falar em português.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5756310349248369605-219515186830538277?l=todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://www.box.net/shared/bprs8ugw0k' title='Identidades (clique aqui)'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/feeds/219515186830538277/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=5756310349248369605&amp;postID=219515186830538277' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/219515186830538277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5756310349248369605/posts/default/219515186830538277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://todasasconversassaoterapeuticas.blogspot.com/2008/04/identidades-clique-aqui.html' title='Identidades (clique aqui)'/><author><name>IFA</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02022446584805556200</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
